quinta-feira, 3 de abril de 2008

A revista da Net

A prestadora de serviços de TV a cabo Net publica uma revista, paga à parte e cara, contendo a programação do mês e longas matérias sobre variedades e o mundo do entretenimento. Apesar do nome esdrúxulo, a “Monet” possui requinte visual. Mas, ao privilegiar o aspecto promocional de seu conteúdo, os editores prejudicam a única serventia prática desse tipo de publicação, que é permitir uma consulta rápida à grade de programas e filmes.
É fácil chegar a um padrão visualmente eficaz para organizar tantas informações. Mas, também nesse caso, a invencionice destrói a objetividade. A boa simplicidade imperava nos primórdios da publicação, quando os filmes eram dispostos por canais e nestes de acordo com os horários, com as respectivas sinopses e fichas técnicas. Viu, interessou, assistiu.
A primeira canelada foi jogar as informações para uma listagem no final da revista. Quem se interessasse por determinado título deveria remeter aos números de página indicados logo após os títulos. Trabalho desnecessário, mas ainda assim dotado de certa sistemática. Viu, indagou, encontrou, interessou, assistiu.
Então veio a segunda canelada: sumiram os números de páginas onde procurar dados sobre os filmes. O cidadão que caçasse cada filme numa lista alfabética contendo centenas de títulos. Viu, indagou, procurou, encontrou, interessou, assistiu.
Quando os inocentes imaginavam que todos os limites da balbúrdia haviam sido atingidos, veio a canelada fatal. Agora os filmes não são mais separados por canal; eles estão dispostos por horários, misturados numa gigantesca listagem indiferenciada, com pequeninas siglas indicando os canais. E não, não há mesmo os números de página para a seção de sinopses. Deve-se cerrar os olhos e percorrer um amontoado de TPP, TCP, TCA, MAX, HBO e tantos códigos quanto existem as possibilidades, todas misturadas, como se qualquer assinante recebesse os mesmos canais.
A praxe agora é: procurou, procurou, procurou, indagou, buscou na lista ao final da revista, procurou mais, interessou, assistiu. Multiplicando esse procedimento pelo número de títulos disponíveis, chega-se a um esforço enciclopédico para realizar algo que deveria ser facilitado, ou pelo menos, não dificultado. Afinal, paga-se, e muito, por isso tudo.
Para frustrar aqueles que imaginam ter encontrado o fundo do poço da desorganização, em breve a “Monet” trará os títulos abreviados, arredondando os horários e dispersando as sinopses nos rodapés das páginas de anunciantes, em ordem aleatória. E com todos textos em mandarim.

3 comentários:

Amanda disse...

É triste constatar que um post desse não tem um único comentário.
Eu não possuo TV a cabo, mas achei o seu texto muito bem escrito - além de revelar esse aparato burocrático tão corriqueiro nos mais diversos setores. Sempre, é claro, em nome do lucro.
É a primeira vez que vejo seu Blog, mas espere comentários mais frequentes - mesmo que discordantes da sua retórica.
Parabéns.

Guilherme Scalzilli disse...

Olá Amanda, seja bem-vinda e participe sempre.
Um abraço do
Guilherme

norberto@meltec.com.br disse...

Alguém teria a revista da Net do mês de março de 2008 ? Só precisa a programação e informações complementares para o dia 29/03/2008.