quinta-feira, 11 de junho de 2009

Governando na porrada

Querem nos fazer acreditar que houve um “confronto” entre estudantes e policiais na USP. Os primeiros provocaram com xingamentos e pedras. A tropa, munida de escudos e capacetes, montada em cavalos, respondeu com bombas e borrachadas. Seria cômico não fosse tão próximo e assustador.
Ninguém precisa ter sido vítima dos abusos dessa PM truculenta, assassina e despreparada para saber que o episódio no campus resume-se a uma agressão gratuita e absurdamente desproporcional, motivada pela prepotência desses burocratas demo-tucanos que destroem o Estado de São Paulo há décadas.
A ridícula defesa da reitora (sim, reitora) Suely Vilela serve muito bem ao repertório direitoso da chefia aquartelada no Palácio dos Bandeirantes. Chamar os cossacos para dissipar protestos de professores e estudantes é coisa de carcamano desacostumado com negociações e debates. Dá para imaginar como será com Serra na Presidência da República.
Quando alguém alertava que legislações repressivas (antifumo e afins) precisavam ser imediatamente rechaçadas, para não permitir a gestação de um ânimo conservador que futuramente estendesse suas asas negras sobre os demais direitos dos cidadãos, o aviso parecia coisa de paranóico. Pois é.

Em tempo: há imagens do ataque, com texto saudavelmente bem-humorado, no blog do professor Hariovaldo Almeida Prado. Mais informações na página do DCE.

4 comentários:

Anônimo disse...

É o Tiranoserra.Abraço.Roberto.

cappacete disse...

A REItora da USP, Sueli Vilela, diz que mandou a polícia baixar o pau nos estudantes e nos trabalhadores em nome da Democracia, assim como o faziam os militares, a partir de 1964. Defende a democracia assim como o faziam os ativistas do IBAD (Instituto Brasileiro de Apoio a Democracia), ou a UDN (União Democrática Nacional). Quantas barbaridades foram cometidas em nome da democracia? E o que é democracia afinal? A muito tempo este conceito foi ressemantizado. No Brasil, democracia é justificativa para a barbárie, a muito tempo.

jayme disse...

Eu tenho o mau hábito de ter dúvidas e pedir esclarecimentos. Não estamos falando de cidadãos maiores de idade? Ou são garotos de colégio? Não vi a cena, não posso avaliar se foi ou não proporcional a resposta da tropa. Mas é evidente que houve invasão ilegal de espaço público, levada a cabo por cidadãos imputáveis (ou a condição de estudante estica a menoridade? Ou será que coloca o indivíduo em condição análoga à dos indígenas?), o que justifica a solicitação da reitora, que resultou na entrada da polícia no campus. Em qualquer lugar do mundo em que impere o estado de direito (e é assim no Brasil desde 1985, segundo uns, desde 1989, segundo outros entre os quais eu me incluo), é caso de polícia. Simples assim. Aqui não, aqui é caso de "tadinho do estudante que invade o prédio" e "malvada essa polícia que o desocupa." Se faz parte da tática do movimento praticar atos de violência (ou arrebentar portas e janelas é apenas liberdade de expressão?), é preciso considerar na coluna dos riscos que isso pode gerar uma ação policial. Fazer beicinho depois e se queixar de que fez dodói, é só para menores de idade. Bem menores. Cidadãos adultos não devem se valer desse recurso.

Guilherme Scalzilli disse...

Olá Jayme, acho que essa "invasão ilegal de espaço público" precisaria ser dimensionada à luz do que aconteceu na USP. Nem mesmo na imprensa serrista se leu qualquer menção a vandalismo, apenas os terríveis insultos que provocaram a ira dos bondosos policiais. Estudantes e professores protestaram justamente porque vivem (ou pensam viver) num Estado de Direito.
Abraços do
Guilherme