segunda-feira, 8 de março de 2010

Indignação devassa


O veto à propaganda com Paris Hilton nasceu das melhores intenções e redundou numa trapalhada desnecessária. Parece inútil querer controlar o ambiente publicitário brasileiro (que alia excelência técnica e freqüente desprezo pelo interesse público) sem regulamentação sólida e indiscutível.

A decisão do Conar insere-se numa tendência crescente de intervenção sobre as esferas individual e privada. A moda é relativamente contemporânea e costuma ser fantasiada de modernidade esclarecida. Olhando ao redor, podemos descobrir diversas de suas criaturas: a canetada antitabagista de José Serra, autoritária e inconstitucional; o patético banimento de bebidas alcoólicas dos estádios de futebol; a proibição da Marcha da Maconha, abuso que a cúpula do Judiciário impediria se tivesse verdadeira índole republicana; a criminalização do uso de drogas e do aborto e por aí vai.

O espírito conservador desconhece bandeiras e ideologias. Agora é fácil atacar o governo federal, fingindo hipocritamente que a ingerência nasceu com o lulopetismo. Pois lamento, a reação veio tarde. A tesoura contra a publicidade de cerveja poderia ter sido evitada se os liberais de plantão reagissem lá atrás, quando seus ídolos políticos espalhavam as sementes da sanha estatal, sob aplausos das boas famílias.

Não foi por falta de aviso.

4 comentários:

Anônimo disse...

A propaganda fetichiza e nada esclarece.
Um pé de banana carnivora com as mais tribais intenções.
A vida tratada com animismo .

Essa propaganda é uma droga !

A cerveja é uma delícia se tomada com consciência e moderação.

Orlando & Crônicas disse...

Olá!

É possível que eu seja um falso-moralista sem que disso não me aperceba. Mas prefiro continuar tendo o seguinte entendimento:
a propaganda nacional é uma das mais criativas do mundo, o que não isenta de ser apelativa e coisificar a mulher.
Não é de fato inteligente nem racional aliar a figura e a beleza de uma mulher ao hábito de consumir álcool.Esse neócio de "loura", "gelada", "gostosa" e outras baboseiras do gênero é no mínimo degradante, uma espécie de "mico", eu diria.
E põe em risco qualquer conceito de criatividade.
Abs.
Orlando.

Guilherme Scalzilli disse...

Orlando, é a pura verdade. Minha crítica à publicidade pode ser conhecida no artigo "A alma do negócio", que possui link no texto e na barra "Memória seletiva".
No caso em questão, a gritaria anti-estatal parte de gente que defende a tutela do governo quando lhe parece conveniente. Ingerência tucana é chique; vinda do governo Lula, vira coisa de comunista.
Um abraço do
Guilherme

liberdade de expressão disse...

A censura foi iniciativa das feministas do PT

Não precisa botar a culpa nos tais "conservadores" e nas "boas famílias".

A censura ao comercial da Devassa foi iniciativa da Secretaria de Mulheres do Governo Lula, que solicitou ao CONAR a suspensão do comercial, porque "ofende as mulheres", mostra a mulher como "objeto" e toda aquela babaquice feminista-politicamentecorreta-ESQUERDISTA de costume.

Aliás, a censura é como a Confecom e o PNDH-3 propõem

A censura ('controle social'?) ao comercial da Devassa foi em nome dos supostos "direitos humanos", que é o que os esquerdopatas pregam em seus documentos totalitários do tipo Confecom, PNDH-3, Conferência Nacional de Cultura, etc.

Abraço.

http://twitter.com/livrexpress