segunda-feira, 24 de maio de 2010

Remédio para uruca de peixe


O Santos tem muita sorte. Mesmo quando os adversários diminuem sua vantagem técnica (adiantando a marcação, isolando e enervando os craques), surgem providências da arbitragem para salvá-lo. Pura mágica.

A maneira mais sutil e, digamos, “interpretativa”, é engolir a encenação dos atletas santistas (o já famoso “cai-cai”) e expulsar os marcadores. Assim, alivia-se a incômoda pressão, concedendo espaço para os talentos individuais. Claro, existe ainda aquele gol anulado que decide o campeonato, mas a crônica prefere não questionar a conveniência de certos “erros”.

Se o Vitória quiser manter alguma ilusão de que a bravura bastará para garantir uma igualdade na disputa pela Copa do Brasil, precisa agir imediatamente. Por exemplo, solicitando às autoridades que escalem juízes e auxiliares estrangeiros para as finais. E fazendo barulho, usando farta documentação para corroborar suas suspeitas.

É evidente que o pedido seria negado, sob apupos gerais. Mas pelo menos chamaria a atenção para essa inexplicável sucessão de milagres que ajuda a manter o favoritismo do clube litorâneo, sob o silêncio crédulo da imprensa esportiva.

Depois, quando surgir em campo um Heber Roberto Lopes, nem o bom descarrego baiano dará conta.

3 comentários:

Luis Reis disse...

Mais uma vez comento aqui.

Eu não sei se foi assistida a última partida do referido time na Copa do Brasil, em que em determinado momento um volante (pequeno só no nome) dá uma cambalhota ao ser prensado por dois jogadores na hora em que invade a área adversária. Talvez tenha sido uma penalidade, mas não foi marcado assim. Em outro momento, o adversário faz um gol impedido. Erros acontecem. Um jogador desse time é expulso após usar o cotovelo, e como quem não enxergou o cartão vermelho, dá um tapa no rosto de um jogador de 1,60. Verdadeira atitude de bravura.

Voltando para a polêmica segunda final contra o Santo André (o vídeo da primeira desapareceu e ninguém mais lembra que existiu). Um gol foi erroneamente impedido? Foi. Como foram outros cinco gols (mais ou menos) nas últimas rodadas do campeonato paulista, porém prejudicando o time de branco. Também desapareceu o vídeo do pênalti não marcado sobre o jogador Arouca, no segundo tempo (se o juiz foi comprado, estava com defeito).

Partida contra o Ceará: sim, o time precisou da arbitragem para empatar! Isso nenhum torcedor contesta e a imprensa noticiou claramente.

Desculpe o desabafo, mas como não me parece que você seja tendencioso para algum time da capital, pode estar equivocado em alguns pontos.

PS.: Clássicos da arbitragem. 1995: gol impedido, gol com mão, gol legítimo. O legítimo é o anulado. Nome do juiz? Ele também estava em 2005. Coincidência.

Guilherme Scalzilli disse...

Prezado Luis Reis, juro que não é antipatia pelo Santos. Como já escrevi em outro momento, minhas afinidades com o clube foram abaladas pela babação acrítica da imprensa da capital, frustrada com seus próprios times. Mas isso passa, prometo.
Sim, os chamados "grandes" também sofrem com a arbitragem. Mas, quando os "pequenos" estão envolvidos, não tem erro: eles são tungados mesmo, perdem campeonatos e tudo fica por isso mesmo.
Quanto ao caso específico, acho que o "cai-cai" é um desserviço ao esporte, que devia ser punido exemplarmente. E bastaria que Neymar ou Robinho fossem expulsos uma única vez para que isso acabasse. Mas como é possível que eles abusem tanto das encenações, impunemente? Quantas vezes um jogador da Ponte Preta se jogou na área e o juiz deixou passar? Oras bolas...
Convenhamos: por mais absurda que pareça a idéia da arbitragem estrangeira, ela certamente daria conta desse problema.
Saudações alvinegras do
Guilherme

Luis Reis disse...

Ok, eu entendo seu ponto. Um árbitro estangeiro tenderia a aplicar o mesmo critério para os dois times, o que seria muito justo. Aqui acontece muito a "compensação", isto é, se um time começa a ter muitos cartões, o critério para algum jogador do outro time ser "amarelado" é bem menor. Um árbitro de fora não faria essas invenções.

Lembrando de um amistoso nos EUA, o árbitro deixava seguir a maior parte dos encontrões. Mas diferente do que acontece no Brasil, isso valia para os dois times.

Concordo que a questão do "cai-cai" é bem prejudicial ao jogo, e aos próprios jogadores do Santos. No entanto, tanto os árbitros quanto os adversários estão cientes da fama do Neymar. Muitas vezes ele sofre falta mesmo e não é marcado, e tantas outras vezes os adversários tentam bater com eficiência, isto é, tirando logo o pé para parecer que não foi, e estando de prontidão para reclamar, tendo sido falta ou não (Santo André). No final, ele é de fato um jogador leve e fácil de derrubar (61kg), e só não toma mais cartão porque não reclama muito (já tomou um amarelo assim). Mas ele é dos que mais foram "amarelados" do Santos esse ano.

Eu discordei principalmente da "previsão" de arbitragem contra o Vitória, não dá para fazer isso, e os poucos jogos em que ela ajudou o Santos esse ano foram casos isolados. Em compensação, o Corinthians... de três jogos, em dois foi ajudado. O prognóstico do Brasileirão promete.

Eu não acompanho os jogos da Ponte Preta, mas eu imagino que a arbitragem deve ser tenebrosa contra os times de marketing e público ("grandes").

Saudações alvinegras!