sábado, 1 de março de 2008

Epson nunca mais

Utilizei por muito tempo uma ótima impressora Epson, jato de tinta, que fazia as artes-finais do antigo escritório. Na época, as máquinas a laser eram ficção científica. Depois houve uma abertura radical no mercado de informática e, com a chegada de novos fabricantes, os preços caíram. As marcas reconhecidas, mais caras, tiveram de se adaptar. Enganando-nos.
O primeiro logro apareceu nos valores. Fabricantes famosos oferecem preços baixos e compatíveis com os concorrentes menores. Por algo em torno de R$ 200,00 leva-se uma Epson honesta. A surpresa vem ao comprar o primeiro cartucho de tinta. São 30 pratas cada, às vezes mais. E quem fabrica as peças? A própria Epson, claro. "Cartuchos genéricos danificam sua impressora", dizem. Com uso constante, em um ano, paga-se o equivalente a cinco máquinas.
O segundo logro, mais insultante, descobri recentemente, com outra Epson, uma multifuncional (misto de impressora, copiadora e scanner). A jogada, inacreditável, é que os cartuchos, além de caros, devem ser trocados regularmente, mesmo que não estejam vazios. E o manual de instruções tem a pachorra de antever esse absurdo. Sim, a tinta decanta, seca e entope o dispositivo. Compre outro, senão não vai funcionar.
Em outras palavras, inventou-se um método de garantir um gasto colateral obrigatório para o próprio funcionamento do produto. Não adianta usar pouco hoje e tentar novamente daqui a duas semanas. Você precisará comprar cartuchos de 60, 70 mangos hoje e outros do mesmo preço daqui a duas semanas. Se quiser gastar a tinta rápido, claro, ela vai acabar rápido; e nova compra será necessária. Ah, e são quatro cartuchos: magenta, azul, amarelo e preto. Todos, repito, todos devem ser trocados juntos.
Paga-se, digamos, R$ 500,00 numa boa multifuncional Epson. Se o idiota não quiser jogar esse investimento fora, precisa gastar R$ 2 mil por ano em tinta que dificilmente utilizará por completo. E com o reconhecimento do manual de instruções.
Para completar, aquela Epson ordinária e baratinha, que usava para trivialidades, adoeceu depois de três anos de parco uso. Levei-a à assistência técnica e pemba!: o conserto sairia por exatos R$ 256,00 – bem mais caro do que modelos melhores. Virou enfeite, ou melhor, um troféu de bobalhão do ano.
Por tudo isso, basta de Epson. E se todas as marcas forem assim, volto ao velho e bom papel carbono.

4 comentários:

Ivan Moraes disse...

Ainda tenho meu printer e scanner Epson dentro de algum guardaroupa por aqui. O printer era terrivel, com controles e software TRADUZIDOS de um Wintel -eu uso um iMac mas tinha um Mac quando comprei. O tal software dos dois espalhou uns 8 ou 10 folders no meu hd, pra todo lado que eu olhava tinha mais um folder. Depois descobri que cada coisinha de tinta custava 20 dolares, enquanto a porcaria tinha custado 90 dolares e ainda por cima nao durava muitas paginas. Hoje tenho um printer a laser que foi baratinho -300 dolares- porque era tecnologia idosinha de uns 4 anos de idade = um trambolho de grande e pesado. Mas so vou precisar de tinta de novo em uns 3 anos ou mais.

Epson pra mim nunca mais.

Ivan Moraes disse...

Foi um I77 ou alguma coisa parecida que voce comprou? O meu era um desses, com tecnologia escravizantes igualzinho o seu.

Guilherme Scalzilli disse...

Ivan,
o modelo é CX 3700.

Anônimo disse...

Agradeço as informações. Estou para enterrar minha multifuncional HP PSC 1510 sob uma camada de concreto, de tanta raiva que passo. Com essas dicas, Epson está fora de questão, também. Acho que vou lubrificar minha velha máquina de escrever...