segunda-feira, 18 de maio de 2015

Pegando leve















Achei razoável a posição da deputada Jandira Feghali (PC do B/RJ) na sua defesa de um panelaço (eu proporia um apitaço) contra o programa de TV do PSDB, que vai ao ar por esses dias. Além de protesto justíssimo, serviria para rirmos do tratamento que a mídia tucana daria ao ocorrido.

Para se ter uma ideia do potencial cômico do tema, Fernando Rodrigues (o das contas secretas) escreveu que o filme peessedebista “dá o troco” no PT, com uma ridícula imitação da propaganda eleitoral de Dilma Rousseff. Quer dizer, o PSDB adere ao dito jogo sujo que os veículos tanto execraram, mas a culpa é dos petralhas.

Depois de alguma polêmica, parece prevalecer na militância de esquerda a ideia de que o panelaço representa uma vulgaridade que não se imita. Soa também aceitável, no mínimo por coerência com o discurso atual do progressismo. A política do barulhinho na sacada é, de fato, subproduto da indignação que se valoriza fazendo self com PM.

Isto posto, ouso discordar da opção pelo silêncio crítico. O bom-mocismo não faz cócegas na agressiva hipocrisia da oposição, especialmente a midiática. Tudo que esta quer é a transferência do debate político para um espaço de construção subjetiva sem conflitos, no qual o antipetismo se imponha como único posicionamento possível.

Por isso venho defendendo que a esquerda conquiste lugar no interior das passeatas, para provocar reflexões acerca do uso da corrupção como pretexto de agendas partidárias. Bastaram uns ínfimos gestos nesse sentido, aliás, e o mote do impeachment começou a arrefecer, com o próprio ímpeto das manifestações.

Penso o mesmo dos barulhos contra adversários que aparecem na TV. Não precisaria ser uma reprodução idêntica da última moda coxinha. Mas uma atitude pública e coletiva de repúdio ao PSDB tiraria o aspecto novidadeiro e pitoresco dos panelaços direitosos. Logo a imprensa começaria a maldizer o hábito, e então todos poderíamos retornar ao sossego do combate civilizado.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Memória recente do Paulistão

















A crônica já se apressa a festejar outro enfadonho e previsível Campeonato Brasileiro, mas fica a sensação de que faltou discutir algumas coisas sobre os estaduais.

Principalmente a mancha indelével que a arbitragem deixou no título do Paulista. A anulação do gol da Ponte Preta contra o Corinthians tirou das rodadas decisivas o único time do interior com chances reais de ser campeão. Basta lembrar que a Ponte venceu os dois finalistas na primeira fase.

Outra questão relevante, o suposto desinteresse pela disputa, só existiu na imprensa da capital, que tem medinho de enfrentar os perrengues causados por seu bairrismo. Clubes, atletas e torcidas, como sempre, valorizaram bastante a disputa. Fosse um torneio desprezível, aliás, ninguém precisaria ajudar o time da Globo.

Eis como os jornalistas esportivos fabricam seus dogmas. Quando a realidade parece favorecê-los, são todos muito precisos e analíticos. Do contrário, mudam logo de assunto para evitar constrangimentos.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Pacote imaginário






















Um debate razoável em torno do ajuste econômico do governo precisa levar em conta as alternativas possíveis nestas circunstâncias políticas. Não adianta demonizar as medidas como se Dilma Rousseff tivesse um leque de possibilidades a seu dispor.

É ingenuidade, por exemplo, imaginar que o projeto passaria no Congresso caso incluísse a taxação de grandes fortunas. A única chance de a ideia vingar será apresentá-la de maneira isolada, aumentando a pressão social sobre os parlamentares. Mesmo assim, com esse Legislativo, serve apenas para o Planalto dizer que tentou.

As análises acerca da Medida Provisória se esquivam de abordá-la tecnicamente, apontando vias diversas e eficazes que atinjam o mesmo resultado e que sejam viáveis no conservadorismo hegemônico do Congresso. Não digo que essas alternativas inexistem, mas que elas não têm sido apresentadas.

Sem o mínimo de espírito pragmático, o ramerrão dos “direitos dos trabalhadores” é demagogia. Também as previsões catastróficas de certos especialistas, que generalizam e simplificam para não enfrentarem a questão com a seriedade necessária.

Uma imprensa digna, à esquerda e à direita, pressionaria líderes partidários, sindicais, empresariais e acadêmicos a se posicionarem clara, detalhada e objetivamente sobre a austeridade fiscal. Comparando as soluções, esclarecendo as discordâncias e, acima de tudo, cobrando realismo político.

O resto é jogo retórico para agradar às plateias de cada facção.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Porrada a jato

















A truculência policial virou sinônimo do modo tucano de governar. E há método nesse autoritarismo. Em vez de atuarem no arrefecimento dos ânimos, Geraldo Alckmin e Beto Richa incentivam a radicalização dos movimentos para reprimi-los com mais força, acuando os adversários políticos.

Mas é importante lembrar que esses arbítrios possuem respaldo institucional. Mesmo agindo sob a tolerância criminosa dos respectivos comandos civis, as tropas fardadas podem sempre argumentar que seguiam ordens judiciais. Foi assim na tragédia do Pinheirinho, em São José dos Campos. Foi assim na Assembléia Legislativa do Paraná.

A barbárie dos cossacos paranaenses nasceu na autorização de um juiz ou de uma juíza que pôde escolher entre o suplício de contribuintes e a integridade moral dos nobres deputados. A pessoa encarregada de zelar pela cidadania preferiu sufocá-la através da violência desmedida, abusiva, inconstitucional.

A mídia esconde o nome do magistrado, tirando o caráter individual e subjetivo da liminar assassina. A omissão também preserva o Judiciário paranaense do vexame causado pela vergonha repressiva. Afinal, o sacrossanto Sérgio Moro trabalha ali bem perto e pode ficar injuriado.

Não há qualquer coincidência no fato do espetáculo grotesco de Curitiba ter sido autorizado pelo mesmo órgão que promove a desfaçatez da operação Lava Jato. Eis o preço que pagamos pela glamorização acrítica da Justiça.

Os defensores dos direitos humanos devem cobrar a punição de governantes que toleram a fúria sanguinolenta da soldadesca. Mas é imprescindível fazer o mesmo com os funcionários que despertam o monstro em primeiro lugar.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Abu















Lembro do susto com a energia que emanava daquele senhor meio surdo e ranzinza, refestelado numa poltrona enorme. E do vigor de sua conversa, que sorvíamos torcendo para nunca terminar, embora a experiência de confrontá-lo beirasse uma espécie de pânico apaixonado. Sim, tive o privilégio, e preciso agora mencioná-lo para exibir toda gratidão que Antônio Abujamra merece. Depois de Leo Gilson Ribeiro e Sérgio de Souza, Abu junta-se ao rol de espíritos generosos que deram algum sentido à trajetória errática e solitária deste humilde escriba.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Vendetta


















A imprensa corporativa tenta fazer da extradição de Henrique Pizzolato um aval dos painhos europeus à farsa justiceira de Joaquim Barbosa. É fácil perceber a fragilidade da versão e o nível do jornalismo que a endossa.

A decisão retalia a negativa brasileira em deportar Cesare Battisti. O caso constrangeu o governo italiano, ferido no orgulho nacionalista e na imagem de lisura das suas instituições judiciais. O troco viria na melhor oportunidade, e não é demasiado supor que a captura de Pizzolato rendeu esforços dobrados para servir a esse propósito.

Paradoxalmente, devolver o embaraço ao Planalto exigia certa violação do princípio diplomático da reciprocidade. Tratado lá como Battisti foi aqui, Pizzolato ficaria na Itália. E mancharia ainda mais a sanha condenatória do STF no tal “mensalão” petista, admitindo a dúvida cruel acerca de um julgamento viciado.

O grande estímulo da retaliação é causar desconforto na sociedade brasileira pelo governo Dilma não seguir o exemplo, recusando-se a deportar Battisti. O fato de os italianos atingirem esse objetivo contrariando hábitos e normas das relações internacionais e usando a justificativa de “virar a página” prova a malícia do gesto.

A luta do nosso Ministério Público para servir como instrumento de vingança geopolítica estrangeira é um retrato da esquizofrenia institucional que abala o Judiciário. O aplauso acrítico da mídia sugere até onde isso pode chegar.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Sobre o blog tucano
















Então descobriram que o tal Fernando Gouveia recebe 70 mil reais por mês do governo Alckmin. Nada mau para quem atacava os “blogueiros sujos” do Planalto, não é mesmo?

Em vez de questionarem os motivos da Folha de São Paulo na divulgação do caso, os blogueiros governistas deveriam indagar por que esta não ocorreu graças a algum veículo de esquerda, ou mesmo à própria blogosfera dita “progressista”. Bastava um pouco de espírito investigativo e duas ou três consultas a dados públicos. Uma figura manjadíssima como Gouveia jamais atraiu a curiosidade da imprensa combativa?

Esse estranhamento se agrava com a passividade da militância diante do escândalo. Setenta paus é muito dinheiro para uma empresinha com apenas dois sócios. Sendo verba de subcontratação, pior ainda: podemos só imaginar o tamanho do faturamento das agências contratadas diretamente pelo governo paulista. Deve haver mais gente recebendo nacos da fortuna, talvez de maneira irregular. Mas ninguém parece muito preocupado em solucionar uma dúvida tão cruel.

Gouveia é a ponta menos incógnita de um iceberg secreto a serviço da propaganda tucana. As redes sociais estão entupidas de gente promovendo ideias esquisitas. Não há acasos ou ingênuos nesse meio. A partir dos nomes ligados a José Serra, por exemplo, dezenas de elos tenebrosos podem vir à tona.

O mesmo vale para a turma do impeachment. As manifestações recentes, desde a divulgação até a infraestrutura, contaram com mão-de-obra profissional e vasto aporte financeiro. Quem paga tudo aquilo? Aposto que na ponta da capivara existe verba pública, disfarçada em alguma “licitação” milionária.

Se dependermos da Folha de São Paulo para conhecermos a verdade, estaremos fritos.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

A arbitragem é o retrato do nosso futebol


















Publicado no Brasil 247

Aconteceu de novo. Um gol legítimo da Ponte Preta foi anulado e o time perdeu a vaga na semifinal do Campeonato Paulista para o Corinthians. O lance não apresentava dificuldade, nem exigia interpretação. Tampouco bloqueou uma jogada com desenlace imprevisível. A bola entrou, de maneira límpida e incontroversa.

Os responsáveis pela arbitragem justificaram o prejuízo irremediável dizendo que “o erro faz parte do jogo”. Acontece que todo ano ocorrem “acidentes” parecidos. Sempre favorecendo os times poderosos, em decisões com equipes menos privilegiadas. É impossível acreditar em casualidade.

A CBF e suas representações estaduais manipulam descaradamente os campeonatos que organizam. No sistema de pontos corridos, repassando (muito) mais dinheiro da TV aos seus favoritos. Nas disputas eliminatórias, escalando juízes e auxiliares que “erram” contra adversários indefesos. Não há recursos possíveis às vítimas.

As instâncias capazes de influir nos resultados de jogos e torneios estão sob controle dos clubes das capitais, através de seu poder nas federações. É como se as disputas de certo ramo corporativo fossem fiscalizadas por funcionários das maiores empresas.

Isso parece aceitável apenas no futebol brasileiro, visto como atividade menor, folclórica, indigna de obrigações com a legalidade. Repetindo o vício usual nas relações de consumo, abandona-se o esporte num limbo jurídico, onde torcedores, atletas e agremiações não têm qualquer proteção contra o cartel em exercício.

A imprensa possui grande responsabilidade na legitimação do esquema. Porque endossa a mentira do equívoco inocente. Porque evita fazer levantamentos estatísticos das lambanças das arbitragens. E principalmente porque subestima o problema, ignorando-o nas suas bravatas moralistas.

Não faltam propostas viáveis para amenizar o problema. O recurso visual, por exemplo, corriqueiro em diversas modalidades. Mas o ideal seria quebrar o domínio da CBF e das federações sobre a arbitragem, pelo menos concedendo aos times o direito de fugir dos conchavos regionais. Ou alguém acredita que a Ponte passaria pelo São Paulo nas semifinais da Copa Sulamericana de 2013 se os árbitros fossem brasileiros?

Qualquer projeto digno de moralização do futebol precisa coibir esse absurdo ancestral e reincidente que pereniza o poder de uma elite corrupta. Chega de tratar a injustiça desportiva como algo fortuito ou natural. Antes que percamos de vez a capacidade de nos indignarmos.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

“Mapas para as estrelas”


















Retrato impiedoso do universo das celebridades midiáticas, hollywoodianas em particular. Diálogos contundentes e personagens cruéis, que chegam a soar engraçados de tão verossímeis e repugnantes. Um pequeno tratado sobre o cinismo habilmente construído pelo roteirista Bruce Wagner.

O estilo inconfundível de David Cronenberg dá solidez à abordagem, no estranhamento (e na deformação) dos corpos, na sexualidade latente e tortuosa, nas composições visuais que sempre têm algo de incômodo. Também na direção do elenco estelar, com destaque para Julianne Moore, premiada em Cannes pelo filme.

Muito se especula sobre os subtextos e as alegorias do enredo. Acho mais seguro apostar nas óbvias dicotomias (fogo e água, sonho e realidade, passado e presente) e naquilo que elas sugerem sobre o mundo sombrio do entretenimento.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

O protesto meio cheio


















As manifestações fracassaram porque prometiam levar um número crescente de pessoas às ruas e mal chegaram a um terço da participação anterior. Também ruiu a fantasia da heterogeneidade social do movimento, que pareceu ainda menos defensável.

A derrota maior coube à mídia corporativa. O poder propagandístico empenhado pelos grandes veículos foi equivalente à decepção com os resultados obtidos, ferindo a própria credibilidade das empresas jornalísticas.

Não subestimemos o tamanho dessa frustração. O noticiário provocativo durante o domingo chegou a níveis patéticos (“70 pessoas em Arapiraca!”), faltando pouco para a convocação aberta. As contagens de público pareciam relatar apurações eleitorais, com a mesma expectativa e, por isso, o mesmo constrangimento final.

Previsivelmente, o comentarismo golpista procura consolos que preservem a relevância da campanha. Mas é fácil perceber os analistas desnorteados e macambúzios, fazendo um ridículo esforço para transmitir otimismo com os atos meio vazios.

O malogro evidencia que a bandeira do combate à corrupção é um tiro no pé dos defensores do impeachment. As duas plataformas são incompatíveis num ambiente apartidário. Quanto mais a moralidade pública norteia o discurso revoltoso, mais difícil fica para o antipetismo instrumentalizá-lo.

Insisto, portanto, na necessidade da esquerda aproximar-se dos protestos, usando suas pautas éticas para conquistar espaço e visibilidade. Assim que os interesses da mídia, do empresariado e dos governos regionais sofrerem abalos (como já começou a ocorrer), o golpismo voltará à insignificância original.

sábado, 11 de abril de 2015

“Fine and mellow”


Canção escrita e interpretada pela inigualável Billie Holiday (1915-1959). A gravação também traz um elenco estelar nos sopros.

Outra com ela aqui.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Entrar no jogo

 










Sei que provoquei arrepios ao sugerir que a esquerda comece a participar das passeatas, explorando suas incoerências e falsidades. É fácil entender a necessidade de quebrar a ilusão maniqueísta entre inimigos e cúmplices da ilicitude, mas bem menos tranquilo aceitar a adesão provocativa como estratégia de confronto.

Acontece que não há alternativas melhores no espaço de luta política em que o golpismo tem avançado. A via do protesto antagônico, na linha esboçada em 13 de março, tem pouca chance de êxito, pois jamais desfrutará do imenso aparato divulgador que a mídia coloca a serviço da direita. E, mais importante, reforça a dicotomia entre bons e maus que norteia o tema no imaginário popular.

Agir no seio da indignação moralista remete ao Cavalo de Tróia da mitologia: fingindo aderir à causa principal (derrubar Dilma Rousseff), os infiltrados usariam a premissa da corrupção para atingir também os inimigos do petismo. O choque resultante provocaria os debates que faltam sobre o tema, quebrando a apropriação do mote legalista pela direita e rasgando a fantasia apartidária dos protestos e da imprensa que os promove.

Não se trata de defender o governo federal, mas de forçar a participação dos progressistas numa instância de cidadania que tem sido interditada a quem ousa desafiar o falso consenso reacionário.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Fora todo mundo

















Publicado no Brasil 247

É típico do uso partidário do combate à corrupção dividir a sociedade entre os adeptos da cruzada saneadora e os cúmplices da roubalheira. Essa armadilha serve justamente para ocultar a instrumentalização, pela direita, da pauta da moralidade pública.

Mas o conservadorismo da bandeira anticorrupção não reside apenas no seu uso por facções políticas. A tática de acuar o governo federal visa mais do que impedi-lo de guinar à esquerda para recuperar o apoio das bases. Visa também evitar que o Planalto reivindique e incentive ações de combate ao crime para além dos domínios petistas.

A estupidez do impeachment serve à impunidade geral. A mídia endossa a ideia de afastamento de Dilma Rousseff para ofuscar a roubalheira generalizada e para que o absurdo e a inviabilidade da iniciativa golpista contaminem o debate sobre a corrupção no país.

Não é coincidência que a bobagem ganhe força junto com a descoberta de escândalos que mancham a hipocrisia moralista da direita. Sabendo que Dilma não cairá por vias legítimas, a oposição tenta enfiar seus apaniguados sob a mesma blindagem. Transformando-a em bode expiatório da pizza resultante.

Apesar da irracionalidade e do oportunismo da caça às bruxas, a esquerda comete um erro estratégico ignorando o fenômeno. O silêncio orgulhoso dos sensatos permite que os brucutus se apropriem de uma causa forte e sedutora, naturalizando a falácia de que apoiar o governo federal equivale a aceitar ilicitudes.

Os adversários da histeria, dentro e fora do governismo, fariam melhor lidando cinicamente com os cínicos. Em vez de repudiar o clima justiceiro, deveriam alimentá-lo até o paradoxo, participando das passeatas com cartazes de “Fora Alckmin”, “Fora Richa” e “Fora Serra”, e faixas sobre as contas secretas na Suíça, os mensaleiros tucanos e a máfia dos cartéis metroviários paulistas.

Aderindo ao estímulo majoritário das manifestações, o gesto não poderia ser acusado de malicioso ou ilegal. Qualquer advogado consegue uma liminar preventiva garantindo o direito de explorar o falso apartidarismo defendido pela própria liderança dos atos.

Mesmo sem autorização judicial, desde que os impertinentes se mantivessem coesos, pacíficos e imunes a provocações, os organizadores e as polícias seriam forçados a tolerar sua presença. Afinal, eles aceitam neonazistas, não aceitam?

Basta formar um bloco de míseras duas mil pessoas com camisetas da seleção, filmando cada passo, distribuindo panfletos, seduzindo populares. Depois, espalhando material nas redes sociais, causando polêmica na mídia e suscitando debates.

Aposto que a moda moralista começa a dissipar em poucas semanas.