quarta-feira, 22 de maio de 2013

Bem-vindos ao nosso mundo















Temos uma sugestão stanislavskiana para os jornalistas indignados com a derrota do Corinthians: guardem esse sentimento. Cultivem a frustração nos mínimos detalhes. Entendam como a raiva se manifesta em seus gestos e textos e comentários. Depois armazenem a referência emocional para retomá-la num futuro próximo.

Que chegará, inevitavelmente, quando o time da Globo vencer algum adversário através dos habituais “erros” de arbitragem que o beneficiam. Então os senhores terão a chance de recuperar toda essa angústia raivosa a favor dos injustiçados. E poderão afirmar que o árbitro e os auxiliares quiseram prejudicá-los, e poderão defender que os danos sejam cobrados da CBF. Talvez até façam uma campanha pelo boicote às competições nacionais financiadas pelo poderoso lobby do Timão.

Encenando a coerência de seu profissionalismo isento e objetivo, os senhores repetirão tudo aquilo que as torcidas do interior vêm denunciando há décadas. Com uma diferença: ninguém aparecerá na tevê ou no jornal ou no rádio para dizer que as reclamações são exageradas, que o lance foi muito rápido, que é um problema de interpretação, que o “erro” do juiz faz parte do futebol. Que não adianta espernear, pois ninguém dá a mínima para chorões incompetentes.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Desgovernismo
















A gritaria da imprensa corporativa contra a chamada MP dos Portos é, de novo, hipócrita. Os analistas vivem trombeteando a suposta inabilidade da articulação parlamentar do governo, mas agora reclamam que ela cumpriu suas funções. Criticam a paralisia legislativa, mas acham absurdo quando alguém consegue rompê-la para aprovar um projeto relevante. E, acima de tudo, engolem as tratoragens de certas coligações locais (ah, a Assembléia paulista!) para repudiar um procedimento que passou por quatro meses de discussão.

A ladainha do “fisiologismo sem resultados” desapareceu das análises assim que os tais resultados se confirmaram. Fisiologismo bem-sucedido remete a governabilidade, que por sua vez lembra o papel do Legislativo na condução das necessárias reformas institucionais, e aí a polêmica termina, porque nenhum colunista é bobo de se meter nesse redemoinho. Não à toa, o público permanece alheio ao teor da medida aprovada, e especialmente ao pesado jogo de interesses empresariais que a envolve. Por exemplo, a influência do pré-sal na abertura dos portos.

Já a atitude dos partidos oposicionistas não vale um perdigoto de credibilidade. Como é possível conceber a direita neoliberal e as bancadas empresariais se opondo a um projeto de viés liberalizante? Capitalistas de carteirinha combatendo medidas que aprimoram o escoamento da produção? E por que precisariam de ainda mais tempo em suas deliberações? Para alongar os “debates” com os lobistas da área? Sei.

No fundo, em uníssono com a crônica dos grandes veículos, PSDB e congêneres apostaram no quanto-pior-melhor, na inação generalizada, nas chantagens e traições que atravancam o programa administrativo endossado pelas urnas. São capazes de trair suas próprias bases programáticas, apenas para impor uma derrota ao governo. O país que se esfole.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

“Somos tão jovens”



















Thiago Mendonça está quase perfeito no papel dificílimo de Renato Russo. Além de convencer na interpretação musical, sua composição delicada e precisa dá coerência ao elenco problemático, aparentemente formado para atender às semelhanças fisionômicas com os personagens reais. Certos trejeitos dos coadjuvantes incomodam.

A estrutura episódica do roteiro podia ser mais amarrada. Tecnicamente, porém, a produção surpreende, já na ótima animação da abertura. A direção de arte constrói uma eficaz ambientação histórica e a fotografia naturalista de Alexandre Ermel, trepidante e fluída, sabe utilizar as referências visuais que o tema exige, sem cair no esteticismo fácil.

É impossível não deixar a exibição cantarolando as músicas da Legião Urbana. O sucesso de bilheteria do filme, se confirmado, causa a dupla satisfação de saber que Mendonça e Renato ganham o devido reconhecimento das platéias atuais. A juventude educada pela internet talvez não tenha noção da efervescência vivida por seus pais, na antiguidade pré-digital.

Uma contextualização eficaz pode ser fornecida pelo documentário “Rock Brasília”, que elucida algumas passagens emblemáticas do longa.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Perder ou perder















Uma ridícula excrescência nos regulamentos da CBF determina que o time classificado para as quartas-de-final da Copa do Brasil estará automaticamente fora da Sul-Americana. Acontece que Ponte Preta e Coritiba poderão disputar entre si uma vaga à fase que retira ambos os clubes do torneio internacional.

Suponhamos que os dois prefiram a Sul-Americana, por quaisquer motivos. Como se espera que elencos adversários joguem duas partidas com o simultâneo desejo de perder? Deveriam entrar com times reservas, marcar gols-contra, fingir uma disenteria coletiva? E as regras que exigem competitividade? E o Estatuto do Torcedor?

Então quer dizer que a inclusão em campeonatos baseada no mérito (ranking ou classificação) é de fato um castigo? E um castigo automático, ainda por cima? E por que esse veto imbecil não se aplica também aos clubes que participam da Libertadores?

Em tempo, sobre a Macaca: apesar da deliciosa perspectiva de assistir a uma das maiores pândegas futebolísticas da história, e contrariando o próprio desejo majoritário da torcida, prefiro que a Ponte siga brigando na Copa do Brasil. Dá mais dinheiro e tem chances menos irrisórias de título.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Direito de tentar



















Há certo exagero na recepção festiva ao projeto que regulamenta o direito de resposta. É verdade que a viabilização da medida já representa uma vitória, dadas as circunstâncias. Mas não vejo avanços espetaculares rumo ao objetivo professado, de combater os abusos cometidos pela mídia corporativa.

A omissão habitual do Judiciário não aproveita apenas o vácuo legal existente. Esse argumento valeria se os nobres juízes tivessem o hábito de punir a difamação e a calúnia segundo os dispositivos previstos no Código Civil. O fato é que as cortes tendem a favorecer os veículos jornalísticos poderosos, independente dos meios punitivos disponíveis. Padecimentos como o de Luis Nassif nos processos contra a Veja continuarão possíveis através de justificativas e artimanhas processuais convenientes.

Mas o próprio texto em vias de aprovação no Congresso me parece demasiado vago e ameno. A exclusão da “crítica inspirada pelo interesse público e a exposição de doutrina ou idéia” dos casos puníveis isenta manifestações formalmente opinativas e, no limite, qualquer material de autoria determinada. Há também uma lacuna grave acerca da entrevista e do depoimento, que substituem facilmente a responsabilidade editorial em acusações infundadas (“Fulano é ladrão, afirma Sicrano”).

A proporcionalidade da resposta ao dano causado e não ao espaço ou ao tempo da matéria que o envolvem permite que simples frases de rodapé e breves murmúrios “corrijam” ofensas aludidas em páginas inteiras e longos minutos maliciosos. Além disso, quando se autoriza a suspensão da pena imediata, como estratégia recursal, a punição fica postergada aos confins mitológicos da eternidade judiciária.

Convenhamos, direito de resposta subjetivo, irrisório e caduco não é exatamente um ideal de reparação justa para delitos que podem arruinar carreiras, famílias e até eleições. Com as emendas e supressões impostas ao projeto original, os grandes veículos ganham chances de fugir às eventuais condenações e recebem um pretexto para potencializarem os danos imediatos aos seus desafetos.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

“Em transe”


 

A péssima exibição na sala da Cineflix prejudicou o maior atrativo do cinema de Danny Boyle: certa inquietação visual, que parece em permanente esforço para fugir da ortodoxia narrativa. Essa característica vem de longe, e marca os melhores frutos de sua obra um tanto irregular. Aqui é realizada com singulares efeitos de estranhamento e alucinação pelo fotógrafo Anthony Dod Mantle, que já trabalhou com Lars von Trier em várias ocasiões.

Refilmagem estilosa de um filme televisivo obscuro. Não tenho certezas quanto ao elenco. O interessante enredo policial, de validade científica talvez discutível, possui diversas reviravoltas e significados ocultos, que podem fugir a uma audiência excessivamente relaxada. O segredo para a compreensão da estrutura misteriosa repousa nos detalhes. Também demanda uma revisita, depois de pesquisas elucidativas pelas teorias dos cinéfilos.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

A crise da crise














A eleição de Roberto Azevêdo para comandar a Organização Mundial do Comércio é o maior triunfo internacional do governo Dilma Rousseff e um dos mais importantes da história da diplomacia brasileira. Também possui um valor simbólico relevante, ao derrotar a candidatura apoiada em bloco por EUA e países europeus, e suas iniciativas no sentido de enfraquecer o multilateralismo no comércio mundial.

A imprensa corporativa silencia a respeito de ambos os aspectos. Principalmente porque os apocalípticos analistas econômicos, sempre ávidos em anunciar a catástrofe brasileira iminente (e jamais constrangidos a explicar seus reiterados equívocos nesse aspecto), precisariam admitir os desdobramentos geopolíticos da crise financeira que abala os chamados “desenvolvidos”. Em poucas palavras, o isolamento das potências mais alinhadas ao neoliberalismo predatório que norteia os projetos conservadores locais.

O caráter regional do desastre incomoda o provincianismo colonizado que procura globalizá-lo a todo custo. A bem-sucedida estratégia brasileira de resistência ao colapso, além de não seguir a cartilha especulativa do colunismo econômico, irrita-o ainda mais quando recebe o consagrador reconhecimento de um bloco outrora alinhado aos atuais protagonistas da bancarrota.

É questão de tempo e oportunidade para o fantasma da inflação voltar ao noticiário com ódio renovado.

terça-feira, 7 de maio de 2013

51% de lobby



















A matéria de capa da Folha de São Paulo de ontem fedeu a jabá dos mais brabos. Começou pela manchete distorcida, que selecionava apenas um aspecto da pesquisa em questão. “Metade repudia projeto que limita a meia-entrada” também seria fiel ao levantamento, de resto bastante discutível quanto à relevância estatística.

Mas a tendência elogiosa ao limite de 40% para os ingressos vendidos com desconto saltou aos olhos: duas análises contrárias à meia-entrada (nenhuma favorável) e textos “informativos” que reproduziam as posições dos produtores e aproveitavam para citar defeitos do sistema vigente.

Não havia uma linha sequer abordando idéias para conferir ao benefício um caráter socialmente inclusivo. Ninguém na redação da Ilustrada se deu ao trabalho de investigar os custos dos eventos culturais e esportivos, e até que ponto eles determinam o preço final para o espectador. Tampouco apareciam dados sobre outros países, num jornal sempre tão afeito a comparações internacionais.

Pouco importa se a meia-entrada vai acabar, nos moldes questionáveis que possui atualmente. O problema é fingir que o lobby dos produtores não atua com esse objetivo e que a promessa de redução de preços dos ingressos tem a mínima base matemática. Aí já vira safadeza, especialmente porque o logro recebe o apoio de artistas e de uma entidade que deveria representar os estudantes.

Sem um debate minimamente sério, o projeto dos 40% se revela apenas uma estratégia para aumentar os lucros de certa fração empresarial. Basta assumir esse fato, mantendo o interesse público na irrelevância de sempre.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Bobão
















Meu comentário sobre as besteiras de Lobão é contraditório. Porque acho que elas deveriam ser soberbamente ignoradas. As reações inflamadas, reproduzindo a grosseria intelectual que pretendem combater, apenas repercutem o que não merece a rápida sinapse necessária ao descarte.

Sempre admirei Lobão, um pouco pelas músicas, mas principalmente por sua militância contra o sistema de gravadoras e jabás radiofônicos. E também pela denúncia contra a hipocrisia nefasta da repressão aos usuários de drogas, da qual foi uma vítima célebre. Que o músico personifique a união dessa bandeira progressista com o repertório do antipetismo hidrófobo é evidência de certa esquizofrenia programática amiúde abordada neste espaço.

Óbvio que ele tem sensibilidade e erudição suficientes para saber que suas bravatas são rasteiras, que não suportariam minutos de um debate sério. Mesmo a relevante questão dos incentivos fiscais a artistas consagrados se perde no discurso tosco e simplificador. Talvez Lobão esteja buscando reconstruir a própria figura pública, vestindo um figurino de polemista indignado que satisfaça melhor suas necessidades intelectuais e financeiras. Até que ponto essa é uma postura honesta, ou coerente com sua trajetória profissional, cabe a ele mesmo e a seus fãs descobrirem.

Resta-nos lamentar que se transforme em outro inocente útil desse folclore ultra-reacionário que vem ganhando adeptos nas redes sociais e na mídia corporativa. Mergulhando na estupidez recalcada por um patológico ressentimento de classe, Lobão perde o último tufo de relevância que ainda guardava. Décadence sans élégance, como diria o roqueiro de antanho.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Sobre a tal PEC



















A Proposta de Emenda à Constituição número 33 foi elaborada em 2011, pelos deputados Nazareno Fonteles (PT-PI) e João Campos (PSDB-GO). Resumo: “Altera a quantidade mínima de votos de membros de tribunais para declaração de inconstitucionalidade de leis; condiciona o efeito vinculante de súmulas aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal à aprovação pelo Poder Legislativo e submete ao Congresso Nacional a decisão sobre a inconstitucionalidade de Emendas à Constituição”.

É mentira, portanto, a) que a PEC nasce de uma iniciativa exclusivamente petista, b) em resposta ao julgamento do chamado “mensalão”, c) visando limitar os poderes do STF. A data e a relatoria do projeto explicitam os dois primeiros pontos. Quanto ao terceiro, basta ler o texto para se entender que não há qualquer prerrogativa da corte sob ameaça. Ele apenas aumenta o quórum necessário para as graves decisões em pauta, devolvendo ao Poder Legislativo a função de... legislar. Permitindo que o dissenso eventual seja sanado através da participação da sociedade.

Mas por que tamanha gritaria acerca de um pedaço de papel que pretende reiterar o óbvio? Para fortalecer o STF, acuando o Congresso, que no final de todas as contas é a única instituição federativa, externa ao próprio Judiciário, capaz de confrontá-lo. Nada tem muito a ver com o teor da PEC em si. Trata-se de uma chance oportuna (às vésperas dos recursos dos condenados políticos do STF) para solidificar os arremedos de representatividade necessários à tribunocracia instaurada.

Pois, como sabemos, ninguém elegeu os ministros que passaram a mandar no país.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Caras de pau



















Até outro dia as manobras de reformulações partidárias eram tratadas pela imprensa corporativa como safadezas inaceitáveis. Nem precisamos lembrar a gritaria que acompanhou o surgimento do PSD. Simples trocas individuais de legenda costumavam receber a imediata ojeriza do colunismo político, que sempre usou esses episódios para exigir dos congressistas a tal reforma política.

Pois agora a turma decidiu que nem todo oportunismo é sinal de malandragem. Os partidos que Marina Silva e Roberto Freire tentam inventar para concorrer às eleições presidenciais de 2014 recebem tratamento de nobres causas, direitos soberanos que o malvado governo Dilma Rousseff estaria sufocando. Mesmo a legitimidade do Congresso para refrear uma prática tão reprovada já não parece mais incontestável.

Hipócritas descarados, eis o que são esses comentaristas. Distorcem os fatos a ponto de apelidar de “bolivarianista”, de “rolo compressor”, a limitação de um hábito indecoroso que eles mesmos condenavam, em situações idênticas, meses atrás.

Como se a óbvia conveniência dos novos partidos para o projeto oposicionista fosse um mero efeito colateral de qualquer interesse republicano maior. Então a atitude ética do governo federal seria se submeter ao casuísmo alheio, aceitando uma esperteza forjada para derrotá-lo.

Vale tudo em nome da famosa alternância democrática, não é mesmo?

sexta-feira, 26 de abril de 2013

"O som ao redor"



















Muitas camadas de sentidos se sobrepõem no enredo de aparência simples: ressentimentos de classe, violência urbana, culpas, egoísmo, vazio existencial, heranças de exploração coronelista, metáforas diversas. Estréia promissora de Kleber Mendonça Filho. Gosto de saber que ele vem de uma atividade profissional ligada à cinefilia, não-acadêmica, e nem por isso deixa de orquestrar o ritmo, a ambientação e a narrativa com notável habilidade. 

Sutil, contemplativo, delicadamente irônico e sensual. A reunião de condôminos e o desfecho anticlimático e alusivo são momentos especiais. A gradativa apropriação do espaço público pelos seguranças é construída numa engenhosa naturalidade, feito raro nas abordagens cinematográficas de temas atuais e complexos.

Há algo estranho na recepção festiva de certos críticos. Buscando um distanciamento intelectualizado cheio de implicações questionáveis, parecem evitar o corrosivo retrato que o filme propõe dos personagens abonados, insensíveis, rancorosos, paternalistas, entristecidos. Talvez porque se vejam refletidos ali. Talvez ainda porque é mais cômodo fugir para um espaço analítico pretensamente neutro, no qual a erudição substitui a autocrítica.

Não é de hoje que os cineastas pernambucanos formam uma vanguarda sem equivalentes no resto do país. 

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Venezuela imaginária















As bobagens proferidas na imprensa corporativa sobre a Venezuela têm fornecido material para décadas de pesquisas acadêmicas alinhadas a todas as metodologias disponíveis. Já é possível até reconhecer o veículo de predileção do interlocutor pelo discurso que este reverbera nas conversas informais.

Chegamos a um estágio de manipulação que desestimula o próprio uso do noticiário como fonte de conhecimento sobre a situação atual no país. À distância, simplesmente não dispomos de informações confiáveis, e corremos o risco de reproduzir modelos argumentativos falsos mesmo quando precisamos contrapô-los.

Mas os números disponíveis são suficientes para iluminar algumas deturpações. A “surpresa” perante a votação do candidato oposicionista, por exemplo, inaugura a incrível modalidade das expectativas isentas de qualquer respaldo estatístico.

Os adversários do chavismo sempre atingiram marcas próximas aos 40%, chegando a 45% na última vitória de Hugo Chávez. Conquistar novos 4% do conjunto dos eleitores, numa disputa marcada pela ausência do maior personagem político do país, não chega a representar uma arrancada sensacional. Alguém poderia até interpretar o resultado como vitória simbólica do chavismo, dadas as circunstâncias desfavoráveis.

Os aguerridos conservadores brasileiros esbanjaram sagacidade, no entanto, quando apoiaram a recontagem dos votos venezuelanos. Porque ela é viável na ditatorial Venezuela, onde a maioria das urnas eletrônicas produz um recibo impresso para eventuais conferências. No democrático sistema brasileiro, esse luxo seria impossível.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Menoridade mental














A redução da maioridade penal é uma farsa. Não apenas por causa dos resultados questionáveis no combate à criminalidade, das conseqüências sociais e estratégicas de se meter centenas de milhares de jovens no saturado sistema carcerário, nem mesmo pelo retrocesso que poderia causar no combate à exclusão e à marginalidade.

A idéia é falaciosa porque pressupõe um problema inexistente. A explosão da violência que assombra o país tem origens institucionais: ela reflete a putrefação das estruturas públicas responsáveis pela segurança, em todos os níveis. A vergonha prisional, o banditismo e o despreparo das forças policiais, a lentidão e os disparates do Judiciário, o comércio clandestino de armamentos e a ruína dos projetos educativos estatais são causados por pessoas despreparadas, insensíveis e corruptas que recebem gordos salários das comunidades para protegê-las. Funcionários de carne e osso, com endereços e gabinetes conhecidos, donos de mandatos revogáveis a qualquer momento.

Jogar a culpa numa entidade legal intangível reproduz o raciocínio fujão das autoridades incompetentes, que precisam de vilões externos para se livrar das cobranças inevitáveis. Sem essa fantasia hipócrita, ficaria mais fácil compreender que a Febem paulista (chamá-la de Fundação Casa não muda sua essência) já é a própria materialização do encarceramento brutal de adolescentes infratores. E ficaria mais fácil compreender que jogá-los nos campos de concentração reservados aos adultos só causaria a formação de novos exércitos de bandidos profissionais juvenis, treinados, violentos e irrecuperáveis.

Soa previsível que o tema da maioridade penal tenha sido alimentado por Geraldo Alckmin, no ápice da sua desmoralização político-administrativa. Tampouco surpreende que a imprensa tucana recorra ao placebo legislativo para despersonalizar um escândalo que em outras civilizações (ah, os exemplos internacionais) teria levado a avalanches de cassações e indiciamentos.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Capas de Storm Thorgerson (1944-2013)



















Pink Floyd, “Ummagumma” (1969)




















Pink Floyd, “Atom Heart Mother” (1970)



















Pink Floyd, "The Dark Side Of The Moon" (1973)




















Led Zeppelin, “Houses of the Holy” (1973)



















Genesis, “The Lamb Lies Down on Broadway” (1974)



















Pink Floyd, “Wish You Were Here” (1975)



















Pink Floyd, "Animals" (1977)




















Pink Floyd, “The Division Bell” (1994)


















Healing Sixes, “Enormosound” (2002)



















The Mars Volta, “Jellyhead” (2003)




















Muse, "Absolution" (2003)


Mais obras do mestre na sua página pessoal.