sábado, 20 de setembro de 2014

“I Got Cash”


Brooklyn Funk Essentials


I got cash

I got cash in fuck you quantities
Know what?
That makes you uncomfortable?
Fuck you and the Range Rover you drove in on

Fuck your Saab convertable
And fuck your twice weekly trips to the analyst
Stupid mutha fuck

Fuck the Hamptons
The fly infested south of France
I'm paid asshole,
I got more cash than God can count
so why don't you just.... die?

Choke to death on your damn designer bagel from
Balducci's
Low cholesterol, naturally

Fuck your big ol' Sunday New York Times
Fuck the Wall Street Journal
And News Week
And the lot
Including Nation, Village Voice, Guardian and the rest
Stupid set of priviliged mutha fuckers
Think its fashionable to have an alternative view

An alternative view

And fuck, if you can
Your pencil thin, Evian drinking, calorie counting,
caffiene limiting, sodium spearing, nutrasweet
sweetening, read view mirror preening, carrot nibbling

bunny

Go drown in a lake of Diet Coke, fucker

I got cash, what else matters?

I got cash

Slave

Fuck your fencing and screw your squash,
Piss on your Paulo and your Pavarotti,
Fuck all that shit you call music and pretend to enjoy

I got cash,
Mega cash,
I'm happy with that,
Oh go and sit on your ski rug,
Money talks you little pussy,

You let your politically correct pals know,
That i think you're a dick also,
You dirty asshole

And your idea of multiculturalism
Japanese resturant on Monday,
Indian on tuesday,
And on Wednesday, Caribbean,
Not to spicy please

Well
I got stash on stash and it ain't novo cash.
Money’s in my family for generations,
My great great great grandfather made the bag,
Selling European slaves in Africa

I got cash mutha fuckah,
And you can't tell whether or not I'm joking, can you?
Dumb fuck. 

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

“Magia ao luar”

 




















Woody Allen retorna à fase “turística” em grande estilo. Agora na Costa Azul francesa, belamente fotografada pelo ótimo Darius Khondji.

A estrutura simples, episódica, lembra a de certas comédias ligeiras, muito populares no teatro e no cinema da época. Mas essa superfície é enganosa, pois Allen reflete sobre assuntos universais, como a fé e a religiosidade, o falso e o verdadeiro, a arte e o amor.

Elenco afinado, como sempre, com destaque para a ambígua delicadeza de Emma Stone e para Colin Firth, hábil na construção de um alter ego do diretor que não se resuma a imitá-lo.

Convencional, mas nem por isso desagradável ou enfadonho.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Ela gosta

 














O artigo “Me engana que eu gosto”, de Eliane “Gente!” Cantanhêde, publicado na Folha de São Paulo, é uma pérola da manipulação eleitoral. Merece estudos acadêmicos o modo como estabelece mentiras sob o pretexto de combatê-las.

Afirma que Dilma Rousseff quer “vender” Marina Silva como “‘elite branca’”, “deformando a cor” da pessebista para lhe dar um aspecto “de direita” que não teria nada a ver com a “Marina real”. Esta, nos diz Eliane, é um “Lula de saias”.

Repito: Eliane Cantanhêde escreve que Marina Silva é o “Lula de saias” para reclamar da propaganda enganosa do PT.

O texto chega ao disparate de insinuar que os eleitores de Dilma são “idiotas”, “imbecis”, “manipuláveis”, “pendurados nas boquinhas e verbonas”. E sacramenta: “Para cair no engodo [a campanha petista] só por ignorância ou por má-fé, pura e simples”.

Numa sociedade ideal, Eliane seria convidada judicialmente a provar as graves deformações e os preconceitos que acusa.

Afinal, se alguém escrevesse o mesmo sobre a jornalista, sugerindo que ela desrespeita a etnia dos adversários porque suga as “boquinhas e verbonas” que seu marido marqueteiro arranjou nas campanhas que fez para o PSDB, certamente levaria um processo na ideia. Comentado pelos “especialistas” da Folha.

Mas deixe estar. O desespero de Eliane é sempre um bom sinal.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Precisamos falar sobre Marina














Publicado no Brasil 247

O maior desafio da campanha de Dilma Rousseff é desconstruir a imagem benevolente de Marina Silva sem vitimizá-la e sem reforçar os rótulos novidadeiros que a protegem das críticas. A inexperiência a fortalece no imaginário descontente. O conservadorismo atrai adeptos de Aécio Neves. A esperteza alivia os pragmáticos. A ingenuidade encanta os utopistas.

Pois é exatamente essa maleabilidade que enfraquece a candidata. Ela faz campanha há semanas, dominando o noticiário, e seu projeto continua vago. A cada constrangimento com o programa de governo, Marina reformula tópicos essenciais, rompe compromissos, descaracteriza-se politicamente. A única plataforma que parece movê-la é o uso do legado petista para derrotar o PT.

As oscilações camaleônicas de Marina são agravadas pela displicência que dedica ao problema da governabilidade. A balela da gestão plebiscitária é um mau disfarce para a inevitável fragilidade da sua base parlamentar. Também a fantasia voluntarista de que os "melhores" a seguiriam, como se ela própria fosse alegremente participar da administração alheia depois de perder uma disputa acirrada e cheia de ressentimentos.

A leviandade, o cinismo e a incoerência da candidatura Marina Silva precisam ser incorporados ao debate sucessório. Inclusive para confrontar as estratégias torpes da imprensa corporativa, fonte das verdadeiras baixarias que há anos atingem os governos federais. Aliás, "terrorismo eleitoral" é usar esse tipo de estigma para blindar uma candidatura centrada na idealização personalista.

Óbvio que não se trata de lançar ataques pessoais a Marina, mas de impedir que a estratégia despolitizadora faça dela uma figura inquestionável. É isso que pretendem seus apoiadores, pois sabem que a ilusão da "terceira via" não sobrevive a um embate sério. E Marina só descerá do pedestal messiânico se esta posição começar a prejudicá-la seriamente. Dando-lhe a pecha de arrogante e dissimulada, por exemplo.

O mesmo acontece com a hidrofobia antipetista de boa parte dos marineiros convictos. Quanto mais violentas, irracionais e elitistas forem suas reações, menos adeptos conseguirão entre os indecisos e os ponderados. Os possíveis efeitos colaterais das críticas a Marina serão revertidos se ela ficar associada ao voto raivoso, fanático e vazio de argumentos. Basta provocá-lo.

O eixo da campanha audiovisual de Dilma deve continuar focado nos sucessos dos governos petistas, em propostas administrativas e nos paralelos com os aventureiros que destruíram o país a pretexto de salvá-lo. São armas relevantes, que a oposição não pode usar contra a presidenta.

Mas o avanço de Marina ocorreu graças à adesão de setores tradicionalmente alheios à propaganda oficial do rádio e da TV. A força da candidata advém da internet, em especial das redes sociais, onde proliferou o espírito contestatório das manifestações do ano passado. É no âmbito virtual, portanto, que a militância dilmista precisa concentrar seus esforços.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

“Até o fim”






















Passou meio batido pelo circuito brasileiro, provavelmente por causa da sinopse. Mas é incrível o que se pode fazer com apenas um (bom) ator, uma ideia simples, alguns artesãos competentes.

O primor técnico mantém o interesse na ação. O incrível desenho de som substitui a completa falta de diálogos. As traquitanas de estúdio reproduzem com perfeição a experiência no cenário único do veleiro. A fotografia certeira e a edição agregam ritmo quase desesperador à pantomima silenciosa do homem.


O interessante é que não precisamos conhecer os rituais de segurança náutica para entender a maioria dos procedimentos do velejador e até para julgá-los corretos nas circunstâncias. Os amantes de barcos devem gostar, principalmente os interessados em aventuras, viagens, perrengues e afins.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

A Veja impune

















É tristemente sintomático da natureza ideológica da imprensa brasileira que o “escândalo boca-de-urna” tenha se transformado num hábito previsível. Não apenas esperávamos o surgimento da bomba midiática, mas também conhecíamos dela a natureza e a dinâmica de propagação: um relato na Veja, baseado em terceiros, que os outros veículos tomam por fidedigno, reproduzindo-o sem rigores apurativos.

Talvez por isso a tal “reportagem” da revista ganhe aspecto meio anedótico, diluindo a gravidade do episódio. Mas é importante não subestimá-la. A Veja faz acusações gravíssimas a personalidades públicas, sem apresentar provas, utilizando seu poderio financeiro e logístico para prejudicar adversários políticos nas eleições.

A matéria da Veja não seria aceitável sequer em regimes jurídicos onde o direito à manifestação tivesse amplo e soberano resguardo. Porque não se trata de juízo, versão ou testemunho obtido de maneira legal. É imputação criminosa, com danos irreparáveis à imagem das vítimas, tendo em vista que a proximidade do pleito impediria o trânsito em julgado de qualquer ação reparatória.

O que Veja fez é, no mínimo, crime eleitoral. Os veículos que a repercutem são seus cúmplices. E a omissão do Judiciário é um gesto político.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Por que votar em Dilma Rousseff






















Publicado num debate do Amálgama

O governo Dilma Rousseff é indissociável do programa político-partidário inaugurado na primeira gestão de Luiz Inácio Lula da Silva. Dilma elegeu-se canalizando o imenso respaldo público do antecessor para uma proposta inequívoca de continuidade. Sua nova candidatura parte do mesmo princípio e remete, portanto, ao trabalho iniciado em 2003. Por isso a opção pela presidenta, além de possuir fortes apelos biográficos, técnicos e éticos, também agrega o êxito do projeto nacional que ela personifica.

E não se trata de um sucesso qualquer. Todas as estatísticas relevantes de escopo federal melhoraram no ciclo petista. Mesmo quando não chega aos índices históricos da miséria e do desemprego, o viés evolutivo contempla setores díspares como ciência e tecnologia, produção cultural, infraestrutura, exportações, transportes, meio ambiente, educação, moradia, esporte, saúde, turismo, etc.

Seria ocioso realizar aqui levantamentos específicos de tamanha abrangência, mas eles estão disponíveis para averiguações. De qualquer maneira, um panorama abrangente pode ser obtido através dos Índices de Desenvolvimento Humano. Ali notamos que a melhoria da qualidade de vida do brasileiro teve uma guinada radical e inédita a partir de Lula, sem interrupção até o momento.

A imprensa oposicionista esforça-se para diluir as conquistas do período 2003-2014 em longas curvas históricas, que agreguem os anos FHC (1995-2002) e até os anteriores, como se fossem gestações das melhorias futuras. A eterna mitificação da “estabilidade monetária” que teria catapultado o lulismo alimenta a falácia de que o país vive há três décadas um processo homogêneo e inevitável de aprimoramento. Tudo isso para não admitir que o avanço brasileiro resulta exatamente das particularidades que diferenciam Lula e Dilma dos seus antagonistas.

Ocultar as distinções qualitativas das principais forças do cenário eleitoral é uma forma de validar o discurso oportunista que prega a mudança de governo sem esmiuçar as conseqüências dessa opção. Quando os maiores inimigos do protagonismo estatal admitem preservar os bem-sucedidos programas federais vigentes (Bolsa Família, PAC, Minha Casa, Minha Vida, Mais Médicos, Pronatec, Brasil Sem Miséria, entre tantos outros), eles querem minar o cerne identitário da trajetória petista, apropriando-se exatamente das marcas administrativas que justificam a sua manutenção.

O cerceamento das comparações também ajuda a amenizar o retrospecto negativo dos adversários da presidenta. Esquecendo as privatizações escandalosas, a compra de votos parlamentares, as máfias bilionárias, o apagão elétrico, o sucateamento infraestrutural e outras máculas da fase demo-tucana, o cidadão deixa de notar que jamais tiveram equivalentes, em porte e gravidade, nos governos Lula-Dilma.

É graças à amnésia coletiva acerca dos verdadeiros desastres administrativos do passado que se disseminam os factoides irrisórios destinados a provar uma suposta incapacidade gerencial de Dilma. A memória da torturante instabilidade vivida pelo país nos anos 1990 revelaria o viés manipulador dos diagnósticos sombrios atuais, baseados nos mesmos critérios que outrora serviam para incensar aquelas gestões econômicas e para relativizar nossos problemas diante das crises internacionais.

Ninguém precisa ser petista de carteirinha para rechaçar os projetos políticos que têm alguma chance de vencer Dilma. Primeiro porque escamoteiam uma essência neoliberal, privatista e elitizada incompatível com o modelo de inclusão social inaugurado por Lula. Segundo, e talvez mais importante, porque agregam forças conservadoras que impediriam os avanços legislativos necessários e levariam a graves retrocessos para os direitos individuais, a democratização dos bens culturais e educativos, a regulamentação da mídia, os movimentos populares, etc.

A ameaça está bem representada nos porta-vozes do antipetismo: os reacionários doentios da internet, os hipócritas da mídia corporativa, os terroristas do mercado financeiro, a grã-finagem demófoba, os moralistas fariseus que aplaudiram as execuções sumárias de Joaquim Barbosa enquanto ele presenteava os mensaleiros tucanos com a impunidade certa. É inconcebível que tais espectros ideológicos usufruam os enormes benefícios políticos do pré-sal, dos Jogos Olímpicos, da infraestrutura dos transportes, das novas reservas elétricas e de todas as melhorias sociais construídas por Lula e Dilma.

Entre as plataformas viáveis da corrida eleitoral, a defendida por Dilma é a única de caráter verdadeiramente progressista. A campanha de Marina Silva afasta-se dessa linha já nos perfis de seus assessores mais próximos, egressos do grande capital e do tucanato arrependido. Ela própria expressa valores típicos do conservadorismo, que preenchem a vaziez programática da Rede com um incômodo ranço personalista.

Ademais, a falta de base partidária forçaria um eventual governo Marina a aliar-se com a direita parlamentar (PSDB, DEM, PPS, Solidariedade, PSD), especialmente se o apoio desta for decisivo no segundo turno. Administração neófita, liderada por figura de reconhecida incapacidade aglutinadora, a aventura da “terceira via” tende a virar um mal disfarçado regresso dos interesses que orbitam ao redor de Aécio Neves, José Serra, Agripino Maia, Roberto Freire e assemelhados.

Resumindo, o voto em Dilma Rousseff tem duas sólidas justificativas complementares. A de viés positivo baseia-se no fato de que a reeleição permitirá a continuidade do ciclo administrativo mais bem-sucedido da história democrática brasileira. A de viés negativo nasce da rejeição aos seus adversários, que ameaçam os avanços petistas e acenam para o retorno de um programa nefasto, já amplamente desaprovado pela população.

sábado, 6 de setembro de 2014

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

“Lucy”

 




















Divertida fantasia de Luc Besson, reconhecido por excelentes filmes de ação. Além do apuro visual, o diretor destaca-se pelas ótimas atuações. No caso, o destaque inevitável é de Scarlett Johansson, que se entrega a um papel dificílimo, de Morgan Freeman e do astro sul-coreano Min-sik Choi.

Ótimas seqüências de perseguição e bastante violência, no melhor estilo Besson. Também muito dele são o visual sobrecarregado, a câmera lenta, o pastiche de clichês de gênero. A fotografia cabe a Thierry Arbogast e a música a Eric Serra, antigos colaboradores do diretor.

O enredo perde o aspecto pretensioso se atentarmos para sua auto-ironia. A superdroga que expande a capacidade cerebral remete às importantes pesquisas de Timothy Leary e Albert Hofmann. Essa idéia já foi desenvolvida em filmes de ação, mas aqui tem algo do clima apocalíptico de “Viagens Alucinantes” (Ken Russell, 1980).

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

E bota medo nisso

















Em apenas duas semanas de candidatura oficial, tudo que temos de Marina Silva é uma sucessão de sinais temerários.

Sua campanha lançou um programa de governo chamado “Plano de ação para mudar o Brasil”, que adota princípios econômicos dos anos FHC e chega a plagiar o tucano.

Marina alterou a proposta para os direitos dos homossexuais depois que o pastor evangélico Silas Malafaia a pressionou.

Ela também recuou no uso da energia nuclear. E deixou o pré-sal em segundo plano, sugerindo que sua imensa riqueza ficará subutilizada.

Agora aparece gente falando que José “Sanguessugas” Serra pode virar ministro da Saúde com Marina.

Não é caso para um ataque geral de pânico?

A mídia chama as reações da esquerda de “discurso do medo”. Os mesmos veículos que passaram o ano eleitoral falando em vergonha na Copa, recessão, aparelhamento estatal e mil outras irrelevâncias noticiosas.

Querem que aceitemos numa boa essa aventura política de fachada inovadora e essência retrógrada, porque senão podemos ser chamados de terroristas malvados.

Isso sim é aterrorizante.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Marina e a governabilidade

 

A coligação da campanha presidencial de Marina Silva inclui PSB, PPS, PRP, PHS e PSL. Os partidos totalizam atualmente 32 deputados federais e quatro senadores. Na falta de pesquisas disponíveis, suponhamos que dobrem suas representações, atingindo 64 deputados e oito senadores em outubro. Caso seja eleita, Marina precisaria atrair cerca de 200 votos na Câmara e 40 no Senado, fora do seu arco original de alianças, para chegar à maioria legislativa simples.

A polarização da disputa, as diferenças programáticas e os ressentimentos de todas as partes impedirão que os acordos contemplem as legendas da atual base governista. Assim, apenas a centro-direita parlamentar garantiria a governabilidade para Marina: aproximadamente 70% do apoio total que ela construir na Câmara e 80% no Senado pertenceriam a PSDB, DEM, PSD, SD, PMN, PEN, PTB, PTC e a quadros do PMDB fisiológico.

O realinhamento das forças antipetistas em torno de Marina será crucial para sua vitória no segundo turno. Isso exigirá compromissos na formação do futuro ministério, como ocorre em qualquer disputa eleitoral. Somando as articulações posteriores no Congresso, é provável que também os principais escalões executivos de um eventual governo da pessebista sejam ocupados pela atual oposição a Dilma Rousseff.

De acordo com as perspectivas citadas, portanto, a gestão Marina teria uma identidade política semelhante à do último governo FHC. Mesmo que a Rede atraia meia dúzia de figuras eleitas pelo PT e outras legendas da base governista atual, ela servirá de arrimo para uma boa maioria de oportunistas ávidos pelos benefícios do poder. Algo que o PSB faz nos estados há tempos.

Essa afinidade conservadora expõe os limites de um projeto que se fantasia de inovador e alternativo. E explica por que os interesses historicamente alinhados ao tucanato migraram com tamanha facilidade para a tal “terceira via”.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

O TCU na berlinda


















Eis que Tribunal de Contas da União voltou a centralizar a atenção do noticiário. É uma espécie de órgão fomentador das chorumelas eleitorais, especialmente quando se trata de minar a imagem da Petrobrás e do Programa de Aceleração do Crescimento.

Mas a imprensa corporativa, muito sabuja, “esquece” de informar quem são os membros desse clube misterioso de bravos moralizadores da política nacional.

O presidente do TCU, José Jorge, foi ministro de Minas e Energia do governo Fernando Henrique Cardoso. Na época do apagão. Senador pelo DEM, ocupou a vaga de candidato a vice-presidente na chapa de Geraldo Alckmin, em 2006.

Outro membro do TCU é Augusto Nardes. Aquele da “vergonha” na Copa. Nardes fez carreira política na Arena ditatorial, depois passando por PDS, PPR, PPB e PP.

O tribunal tem nove membros. Três são originados no DEM, um veio do PSDB, outro do PP e dois são ligados a peemedebistas (Pedro Simon). Há também Ana Arraes, mãe do falecido Eduardo Campos, cujo PSB disputa as eleições presidenciais com Marina Silva.

Bastante neutra, portanto, a egrégia corte fiscalizadora. Seu protagonismo, em plena campanha eleitoral, promete verdadeiras lições de equilíbrio democrático.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

A herança de Barbosa

 












afastamento definitivo de Joaquim Barbosa recebeu pouca ou nenhuma atenção dos veículos noticiosos. Satisfeita com o papel que o ex-presidente do STF cumpriu nos tempos de herói, a grande mídia prefere esquecê-lo, como se assim neutralizasse o estrago causado por seu protagonismo. Ledo engano.

Os analistas ficaram chocados com o juiz que acusou um réu de pertencer à “esquerda caviar”. Faltou dizerem que esse é fenômeno exemplar da ideologização do Judiciário brasileiro, levada a extremos pelo mesmo Barbosa que todos louvavam. Não que antes faltassem magistrados fanfarrões, mas em outros contextos eles tampouco viravam heróis da mitologia conservadora.

Alguém poderia argumentar que se trata de um efeito colateral da tendência contrária, a judicialização da vida política, simbolizada pela Ficha Limpa e por outras excrescências legais que o moralismo farisaico incentivou. Mesmo sem negar o peso desse fator, precisamos lembrar que também suas conseqüências foram agravadas pelo então ministro, quando investiu irresponsavelmente sobre a vida parlamentar.

A presidência de Barbosa transformou o STF numa espécie de vanguarda saneadora das instituições nacionais. Soa muito legítimo e republicano, mas não passa de extrapolação das prerrogativas da corte, reduzida a um papel efêmero e contraditório que viola sua natureza. A memória do Poder Judiciário foi manchada para saciar o apetite vingativo de setores políticos.

Os profissionais responsáveis que atuam no Judiciário terão muito trabalho para desfazer os equívocos legados por Barbosa. O resgate da segurança jurídica do país exigirá que a aventura vingativa dos últimos anos seja esquecida como um pesadelo que não pode se repetir.

sábado, 23 de agosto de 2014

“Gita”



Música de Raul Seixas e Paulo Coelho. Clipe famoso pelo pioneirismo, exibido no Fantástico (Rede Globo), em abril de 1974.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

“Chef”






















Comédia familiar de Jon Favreau, que surgiu no universo independente e depois fez “Homem de Ferro”. As participações estelares revelam o prestígio do simpático diretor na indústria. Favreau, bom ator, garante o carisma do protagonista.

O filme tem o mérito de abordar temas sensíveis, como a paternidade, a tolerância e o multiculturalismo, sem chafurdar na pieguice. Texto enxuto, condução eficaz, trilha sonora inspirada. Passatempo agradável e despretensioso, que dá uma fome gigantesca de sanduba.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

A moda dos escandalinhos


















A agenda política suplantou provisoriamente o apetite da imprensa tucana por chorumelas espetaculares. A última foi a novela do Wikipedia. Alguém mudou os perfis de duas celebridades midiáticas numa página de conteúdo colaborativo! Oh! E aconteceu no Planalto! Mil vezes oh! Horror! Malditos petistas!

Continuo estupefato com a desenvoltura dos atores nesse teatro de miudezas morais. Será que ninguém considera o risco da campanha minar a credibilidade do próprio jornalismo irrisório? E se alguém descobre, ainda por cima, que não passa de uma tosca armação de qualquer desocupado?

Pensando bem, os grandes veículos não dão a mínima para o decoro dos seus profissionais. Vale qualquer baixaria na tentativa de alimentar o imaginário público de pseudo-assuntos que prejudiquem Dilma Rousseff e forneçam material para inserção nas propagandas eleitorais.

Um dia foi o cartão corporativo e a tapioca do ministro. Depois teve a bolinha de papel. A turma passou vergonha, jurou ter aprendido com a pândega, mas hoje está aí de novo, chafurdando na fofoca.

Parece que faltam verdadeiros problemas no governo federal, não é mesmo?

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Os dilemas de Marina
















O desespero midiático para fazer de Marina Silva a sucessora da “terceira via” eleitoral subestima as dificuldades da tarefa. Assumir o vácuo deixado pela morte de Eduardo Campos não será fenômeno tão natural como pretendem os oposicionistas. Menos ainda a transformação do luto em combustível para uma arrancada rumo ao segundo turno.

Campos aglutinava as facções tucanas e governistas do PSB, ambas com líderes resistentes à ex-senadora. Sem elos históricos ou orgânicos na militância regional, Marina amargará a falta de comprometimento dos candidatos pessebistas em colégios eleitorais importantes, como o Rio de Janeiro e São Paulo.

Para ultrapassar Aécio Neves, Marina precisa triplicar as preferências declaradas na sua chapa atual. Mas não pode roubar eleitores do tucano, pois a transferência ajudaria a vitória de Dilma Rousseff no primeiro turno. Isso equivale a conquistar os indecisos e a pequena parcela dos votos inconvictos declarados à petista, em só quarenta dias de propaganda eletrônica, com menos de um quinto do tempo utilizado pela presidenta.

A coroação como salvadora do oposicionismo é incômoda para Marina. Quanto mais sua candidatura se mostra viável, maior a migração do voto antipetista concentrado em Aécio (o eleitorado de ambos tem perfil muito parecido, aliás). O movimento, além de preservar o quadro atual, favorável a Dilma, ideologiza excessivamente a imagem pública de Marina, indispondo-a com a juventude cética e desejosa de novidades. Se confrontar o tucano, ela mergulhará numa desgastante briga paralela com o PSDB.

Resumindo, mesmo que Marina viabilize o segundo turno, sua continuidade na disputa ainda parece incerta, senão improvável. Caso não supere Aécio, ela prejudicará as chances da oposição e será responsabilizada por isso.