quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Faces do golpismo

Há duas atitudes aparentemente distintas perante o golpe de Estado hondurenho.
Uma destila o tradicional veneno antidemocrático, de retórica agressiva e valores distorcidos. Encontramo-la no udenismo renovado que aflorou no vácuo moral das classes médias urbanas. Para a vertente, Zelaya caiu porque mereceu, porque o “chavismo” deve ser combatido a porrete.
A outra face, enganadoramente inofensiva, escuda-se na apatia manhosa do pior provincianismo. Prefere a omissão do colonizado jeca, escancarando a banguela, tirando o chapéu para o painho estadunidense. Tem vergonha de ser brasileiro e defende que o país ocupe seu lugar na latrina do mundo subalterno. Convenientemente ignóbil, não “consegue” perceber que as próximas eleições hondurenhas vão justamente sacramentar o golpe, tornando-o irreversível e impune.
Ambas as posturas são complementares e indissociáveis. Mescladas nas diversas gradações combinatórias possíveis, constituem o estofo ideológico de todo movimento golpista: sempre há uma vanguarda atuante, apoiada na massa de manobra servil, que lhe garante a ilusão da legitimidade.
É importante entender esse mecanismo em funcionamento durante episódios externos e distantes, para reconhecê-lo quando operar em nosso próprio ambiente.

2 comentários:

Anônimo disse...

Escancarar a banguela é horrível !!
Tanto na tortura quanto na falta de higiene pessoal .

Daniela disse...

Olá! Obrigada por deixar seu texto nos meus comentários! Realmente muito interessante! E dá pra perceber que é uma análise diferente da minha, mas complementar! Adorei! Bem, eu criei um novo blog, profissional, no qual pretendo escrever sobre política e questões internacionais, principalmente. Adoraria que você se manifestasse sempre que puder! http://danielainternacionalista.blogspot.com

Abraços!
Daniela