quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Dilma e a pauta conservadora


Além do evidente apelo demagógico, a defesa da espúria criminalização do aborto faz parte de uma estratégia para neutralizar os avanços prometidos por uma eventual eleição de Dilma Rousseff. A direita reacionária quer empurrar a candidata às cordas do debate sucessório, forçando recuos programáticos e ditando agendas futuras. Os compromissos assumidos no calor do constrangimento serão depois transformados em novos “estelionatos eleitorais”.

Dezenas de outros temas participam desse jogo mistificador, e certamente ressurgirão para demonizar a petista. Mas o pior que ela pode fazer no momento é engolir essa pauta indigesta, legitimando sua simplificação rasteira e admitindo a contaminação moral de questões técnicas alheias a humores maniqueístas.

A motivação fundamental do jogo sujo praticado por José Serra é forçar Dilma a se envergonhar das próprias qualidades. Renegando-as, escorregando para a vala comum do conservadorismo obscurantista, ela perderia sua identidade e colheria a desconfiança da esquerda militante. E, pior, aceitaria participar do único embate que Serra é capaz de vencer, no terreno que ele comanda, com as regras que ele ditou.

Um comentário:

rafaelfortes disse...

Guilherme, concordo em gênero, número e grau - ainda que, provavelmente, por razões um tanto distintas das suas.

Seja como for, ambos votaremos no PT (o que é um pouco diferente de votar em Dilma) no segundo turno, sem dúvida, hesitação ou possibilidade de mudança.

Faço minhas suas preocupações, inclusive no quanto certas posturas representam jogar a campanha (e o governo) para a direita, numa justificativa de que os fins (ganhar a eleição) justificam os meios usados para vencê-la.