quarta-feira, 11 de maio de 2011

Urbanismo demofóbico



Seguindo o exemplo do civilizado Morumbi, o bairro paulistano de Higienópolis conseguiu se livrar da gentinha fedida que circularia por suas alamedas impolutas caso houvesse uma estação de metrô na região. Agora, num arroubo de inteligência administrativa dos gênios a serviço de Kassab, os conflitos de torcida que envolvem o estádio do Pacaembu terão para onde escoar.

A rede metroviária criada na longa hegemonia demotucana é tão ridícula que a propaganda oficial se vangloria de atender aos estudantes da PUC, situada num morro distante, que precisarão andar como beduínos para tomar os vagões lotados. Assim funciona a lógica ambientalista que proíbe sacolas gratuitas: o contribuinte assume todos os sacrifícios, enquanto o verdadeiro poluidor apenas enriquece.

Azar dos trabalhadores que têm a sorte de ganhar seus trocados em Higienópolis. Enquanto eles geram e resguardam o patrimônio da educada burguesia cosmopolita, os patrões elogiam o metrô parisiense, com suas estações em todas as quadras. Mas lá o pobre é mais cheiroso. E fala francês.

5 comentários:

Tânia Tiburzio disse...

Muito bom!!! Uma vergonha para São Paulo esse tipo de pensamento.

Jair disse...

Guilherme, às vezes eu penso que nao tem outro jeito a não ser o fuzilamento desta burguesia safada e burra. Acabei de assinar o abaixo assinado exigindo o retorno da estãção para a Angélica. Cara, como pode um negócio desses?
Mudando de assunto: Já ouviu Flied Egg, Strawberry Path e outras bandas japonesas dos '70? Você vai gostar, hein.
Abraço.
Jair Mochizuki.

miguel disse...

Bem, eu não ando com muito entusiasmo (para não dizer coisa muito mais deselegante) para falar sobre essas sórdidas demonstrações de mesquinharia e egoísmo. Mas, de vez em quando, eu encaro o sacrifício. De chorar mesmo é o texto de um "jornalista" da FSP chamado Sérgio Malbergier defendendo os "pobrezinhos" dos moradores daquele bairro, entre os quais, vejam só, os papais do, eerrm!, jornalista! Vou parar por aqui para não correr o risco de ser chamado de antisemita. Tudo bem, eu também sou semita pelo lado paterno. ÁRABE TAMBÉM É SEMITA!

miguel disse...

Ué, Guilherme, a censura baixou por aqui também ou estou ficando louco? Tenho certeza que havia um outro comentário (não muito elegante, é verdade) além desse da Tânia Tiburzio. Além disso eu postei um comentário (também não muito elegante) sobre o assunto. Parece que todo mundo tem medo mesmo de criticar essa "minoria". E ainda querem nos convencer de que TODOS OS SERES HUMANOS são iguais.

Guilherme Scalzilli disse...

Miguel, você tem razão. Havia. Mas acredite, eu não faço idéia do que aconteceu. Inclusive na segunda-feira desativei a moderação de comentários depois de muito tempo. Será possível que exista alguém dizimando manifestações no Blogger? Vamos esperar para ter certeza.
Abraço do
Guilherme