segunda-feira, 19 de março de 2012

Beronhas



A renúncia de Ricardo Teixeira é uma vitória política do governo Dilma Rousseff sobre a arrogância colonialista dos magnatas da Copa. Se eles esperavam intimidar as autoridades brasileiras com aquelas ridículas ameaças de cancelar o evento no país, a reposta não poderia ser mais eloqüente. E o tão poderoso Joseph Blatter precisou engolir as bravatas, lançando-se num vexatório beija-mão que recolocou todos nos seus devidos lugares.

Se a imprensa corporativa quisesse mesmo contribuir para a moralização do esporte, exporia os históricos apoiadores de Teixeira no Congresso e os dirigentes de federações e de clubes que contribuíram para elegê-lo durante décadas. Ninguém agora se lembra de mencioná-los porque o retiro do “ladrão” (como o jornalista Andrew Jennings se refere ao ex-presidente da CBF) fez parte de uma saída acertada nos bastidores visando justamente preservar o dominó de interesses multipoderosos que nasce na fraudulenta FIFA, transpõe a seleção brasileira e chega a todas as divisões do futebol nacional.

Os esquemas continuam aí, portanto, com idêntico teor nauseante, varejado pelas moscas de sempre. A Rede Globo e seus patrocinadores mantêm o poder de manipular os principais torneios, favorecendo os clubes mais ricos. E estes, quando lançarem a tal Liga, darão contornos “democráticos” à farsa. Desta vez sem a figura nebulosa de Teixeira para atrapalhar os negócios.

3 comentários:

gilsonsampaio disse...

Caro Guilherme,
Releve a petulância de propor uma pauta a você.
Trata-se de fazer a conexão entre o recente massacre no Afeganistão e um filme estrelado por Tim Burton cujo título é Alucinações do Passado. Sobreviventes de um pelotão da guerra do Vietnan tentam denunciar o exército americano por terem sido usados como cobaias de uma droga para inibir o medo e potencializar a bestialidade. A coisa dá errado e o pelotão se auto-dizima.
Acho que dá uma bela de uma matéria.
Abraços
Gilson

Vania disse...

Mais uma vez, de forma precisa e contida, você deu conta de explicar o essencial sobre o futebol brasileiro e o advento da Copa de 2014. Nada poderia ser mais claro e correto. Parabéns pelo texto brilhante!

Guilherme Scalzilli disse...

Oi Gilson, gosto muito desse filme, que foi dirigido, pasme, pelo Adrian Lyne (de "Flashdance", "9 e 1/2 Semanas de Amor"). Acho que vc quis dizer "Tim Robbins", certo? A atuação dele está entre as melhores de sua carreira. O tema é interessante, e acho que serve (pelo menos como alegoria) para o papel de incentivar a demência que as drogas tiveram no Vietnã. Vou tentar rever o filme dia desses para esboçar um comentário mais desenvolvido. Ótima dica.

Vania, obrigado pela generosidade. Participe sempre, ok?

Abraços do
Guilherme