sexta-feira, 22 de junho de 2012

"Prometheus"


Enriquece a narrativa de “Alien” (1980), cuja trama antecede, e ao mesmo tempo funciona como filme independente da série. O roteirista Damon Lindelof (co-autor de “Lost”) envereda por alegorias grandiloqüentes e lacunas misteriosas que soarão familiares aos fãs da saga televisiva. Mais sobriedade e menos clichês do gênero completariam o tom de homenagem ao “2001” de Stanley Kubrick.

Os detalhes são importantes e contribuem para a ambientação do cult original de Ridley Scott, tornando uma revisita a ele quase obrigatória. Mas não se deve levar muito a sério as especulações metafísicas do enredo, sob o risco de atrapalharem a plena fruição desse ótimo passatempo.

Deve conquistar todos os prêmios possíveis ligados a efeitos visuais. Os produtores se gabaram da concepção “analógica” de cenários e ambientes, mas fica evidente que a digitalização teve papel fundamental em quase tudo que vemos. Não obstante, o poder ilusionista que a técnica atingiu consegue surpreender. A fotografia do veterano Dariusz Wolski e a direção de arte constituem espetáculos à parte: as delicadas paletas de cores e os jogos sutis de luzes chegam a humilhar os filmes de ação similares.

No elenco desigual, destaques para Michael Fassbender (cuja composição pode ser antecipada num pequeno filme de propaganda com o seu personagem) e a sueca Noomi Rapace (“Os homens que não amavam as mulheres”).

Um comentário:

André Lux disse...

Filmes: "Prometheus"

EJACULAÇÃO PRECOCE

E pensar que Ridley Scott vem se masturbando há décadas com a ideia de fazer um filme no mesmo universo de “Alien” só para aparecer com essa porcaria

- por André Lux, crítico-spam

Sou grande admirador de “Alien – O 8º Passageiro” e, portanto, estava bastante ansioso para ver esse “Prometheus” que segundo seu diretor, Ridley Scott, aconteceria no mesmo universo de seu filme de 1979. Mas, para azar nosso, Scott confirma que perdeu completamente a mão e não é nem a sombra do cineasta que já nos brindou com pérolas como “Blade Runner” e “Os Duelistas”. Seu último bom filme foi mesmo “1492” e depois disso só fez porcarias como “Gladiador”, “Falcão Negro em Perigo” e “Hannibal”.

“Prometheus” é o nome da nave que leva 17 pessoas para um planeta que poderia responder a questão de quem criou a raça humana e tenta elevar o nível de pretensão ao fazer referência à mitologia grega, onde Prometeu era o humano que roubou o fogo dos Deuses e por isso foi condenado ao sacrifício eterno. Bobagem, isso não tem nada a ver com o filme e a única coisa que o liga ao primeiro “Alien” são os desenhos de produção baseados no trabalho do artista plástico H.R. Giger para o original. O resto do design do filme é fraco e sem graça.

O que derruba mesmo as pretensões de Scott é roteiro confuso e sem pé nem cabeça que levanta uma série de questões sem resposta, e na maioria idiotas, como que motivos teria o robô interpretado por Michael Fassbender para infectar um dos tripulantes da nave? Outra coisa que incomoda é o fato dos personagens agirem de maneira estúpida, como nos filmes da série “Sexta-Feira 13”, só para serem mortos ou virarem monstros quando são infectados (e aí o filme fica muito mais parecido com “O Enigma de Outro Mundo”, de John Carpenter, do que com o “Alien” - sem dizer que o começo lembra demais o primeiro "Alien vs Predador", o que não é o maior dos elogios).

Um fator que me incomodou muito forem terem descaracterizados completamente o “space jockey”, que era aquele alienígena esquisito sentado numa enorme cadeira em “Alien”. No filme original ficava evidente que se tratava de um esqueleto, inclusive os protagonistas verbalizam isso dizendo “parece fossilizado e grudado na cadeira”. Mas aqui no novo filme se transformam em figuras humanas que vestem uma armadura! Ou seja, nem pra respeitar a mitologia do primeiro “Alien” foram capazes!

O elenco é muito fraco, com destaque negativo para a bela Charlize Theron que passa o filme fazendo caras e bocas de menina má como a filha do multimilionário Weyland, dono da bendita companhia que está sempre por trás dos malfeitos na séria “Alien”. Além disso, o filme tem uma trilha musical fraca e inadequada composta por um dos discípulos do abominável Hans Zimmer (em uma cena chegam a tocar sem maior lógica o tema do primeiro “Alien”, composto por Jerry Goldsmith).

E pensar que Ridley Scott vem se masturbando há décadas com essa ideia de fazer um filme no mesmo universo de “Alien” só para aparecer com essa porcaria que mais parece uma ejaculação precoce!

Cotação: * 1/2