sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Carlos Drummond de Andrade (1902-87)

Ontem

Até hoje perplexo
ante o que murchou
e não eram pétalas.

De como este banco
não reteve forma,
côr ou lembrança.

Nem esta árvore
balança o galho
que balançava.

Tudo foi breve
e definitivo.
Eis está gravado

não no ar, em mim,
que por minha vez
escrevo, dissipo.

"A rosa do povo" (1945)

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