quinta-feira, 5 de abril de 2012

“Albert Nobbs”



Projeto independente e modesto que Glenn Close tentava materializar havia muitos anos. Sua caracterização, antológica, destaca-se até mesmo do ótimo elenco de apoio. O diretor Rodrigo García (filho de Gabriel García Marquez) opta sabiamente por deixar que a atriz brilhe sem interferências estetizantes.

Curioso descobrir o nome do grande István Szabó (“Mephisto”, “Adorável Júlia”, “Sunshine”, entre tantos outros) como co-autor do roteiro. Depois ficamos sabendo que ele estava cotado para dirigi-lo, mas por algum motivo afastou-se. Muito da força das personagens femininas e das sutilezas que emanam das tramas secundárias certamente se deve à contribuição do mestre húngaro. Mas talvez, sob seu comando, a narrativa não precisasse recorrer a certos cacoetes ortodoxos, que nos afastam da protagonista e atrapalham um pouco a ambientação e o ritmo geral do filme.

2 comentários:

Vania disse...

Eu adorei o filme. Mas reconheço que não tenho grande noção de cinema como arte e linguagem. Achei a interpretação de Glenn Close simplesmente comovente. E a ambientação naquela sociedade vitoriana tão cheia de preconceitos e discriminações foi muito convincente também. Como sempre foi dura a vida dos proletários!

Guilherme Scalzilli disse...

Oi Vânia, também gostei muito do filme. Minha crítica se refere à narrativa paralela das combinações do jovem casal. Se o foco permanecesse no protagonista, as artimanhas seriam perceptíveis apenas por sutilezas e o enredo escaparia da tal ortodoxia.
Abraço do
Guilherme