terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Por que tanto esforço para incriminar Lula?
















A resposta simplificada: porque é, desde já, o candidato mais forte na eleição de 2018.

Seus governos são imbatíveis comparativamente. Não há estatística do período 2003-2010 que perca para outra similar no recorte histórico disponível. Isso ocorre tanto para os índices abrangentes da macroeconomia quanto para minúcias setorizadas e regionais, passando pelo acesso a bens de consumo, à cultura, à educação, à cidadania. E, acima de tudo, pela redução da desigualdade.

O lulismo é, de longe, a maior força isolada no cenário político nacional, exatamente porque não exige simpatia programática pelo PT. O voto antipetista se divide, à esquerda e à direita, em afinidades partidárias e pessoais amiúde incompatíveis no jogo de alianças. O lulismo agrega filiações diversas.

Nenhuma liderança chegará à próxima disputa com a vantagem inicial de Lula. É bobagem omitir esse fato nas análises conjunturais, pois ele se manifesta em dados precisos e aferíveis. Ignorá-los não revela prudência ou isenção do observador, mas uma tendência infantil para o auto-engano. É atitude típica dos comentaristas de direita, que sempre subestimaram as chances do PT nas eleições presidenciais e sempre erraram.

Mas existem grupos no campo oposicionista que não se satisfazem com narrativas confortáveis. Eles aprenderam a respeitar a dimensão político-eleitoral de Lula e vêm lutando arduamente para tirá-lo do páreo.

Não se trata mais de abalar sua imagem pública. O fracasso eleitoreiro do julgamento do “mensalão” mostrou que o prestígio de Lula sobrevive mesmo sob implacável campanha negativa. A própria estratégia golpista refluiu, entre outros motivos, por causa da incerteza quanto aos efeitos negativos sobre o ex-presidente.

A questão, portanto, é impedir a candidatura de Lula, suspendendo seus direitos políticos no TSE ou no STF, sob os convenientes auspícios da Ficha Limpa. Matar o projeto no estado embrionário, com o torniquete inapelável da legalidade.
                                                                                                            
Eis o motivo da afoiteza com que procuradores e juízes tratam as “suspeitas” contra Lula e sua família. A rapidez garante que um eventual processo transcorra, ou pelo menos seja iniciado, antes que a Lava Jato se desmoralize de vez.

E assim chegamos a uma resposta mais abrangente para a questão do título: a ofensiva contra Lula ocorre porque o Judiciário brasileiro se transformou num mecanismo capaz de atropelar a democracia para satisfazer interesses político-partidários.

2 comentários:

Anônimo disse...

Sua comparação sobre período é direcionada ao gigantesco publico sem educação, você compara momentos da historia que não podem ser comparados, exemplo: Você mesmo quando estudante muito provavelmente tinha limitações financeiras, mas estudou, conseguiu uma colocação no mercado e hoje deve ter renda, no entanto você hoje não fica se lamentando por limitações ou privações do passado, afinal naquele tempo as condições eram outras. Assim o tal FHC(não sou partidário nem simpático ao PSDB) mau falado aqui não ficava comparando o período de implantação do real que trouxe estabilidade e proporcionou outros horizontes para o pais(e que o pixuleco muito sabiamente continuou) com o período de hiper inflação da década de 80. o PT recebeu um pais estabilizado e manteve a acertada política econômica, só que começou a fomentar o consumo, hoje esse modelo não esta mais dando resultado, alias ate da sim: desemprego em massa, queda nos salários, queda no rating e por ai vai.

Guilherme Scalzilli disse...

Anônimo, esse raciocínio relativista é bastante questionável. A diferença de contextos históricos não inviabiliza a construção de curvas evolutivas. Caso contrário, a própria ideia de "queda" (nos salários, no rating, etc) perderia o sentido.
Se você admite a superioridade estatística dos governos Lula, está concordando com a premissa central do meu texto. Quanto a aproveitar os dados eleitoralmente, a questão é irrisória. Qualquer candidato propaga sucessos administrativos como diferencial em relação aos adversários. A comparação entre governos faz parte da decisão do eleitor, comparativa por natureza.
FHC usa o mesmo subterfúgio, com sua narrativa da "estabilidade". Mas, além dela ser um substituto ruim para a falta de resultados positivos aferíveis, pressupõe uma ideia de "herança" que os próprios partidários de FHC não aceitam. Ou a "estabilidade" tucana se deve a Itamar, a Sarney, a Figueiredo, a Rodrigues Alves?
Enfim, vejo na sua crítica uma tentativa de desqualificar Lula e o PT, em vez de ponderar sobre os tópicos aqui levantados. Me disponho a debatê-los, se for o caso.
Abraço do
Guilherme