quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

A Folha nos tribunais

O editor do caderno Brasil da Folha de São Paulo, Fernando de Barros e Silva, afirmou recentemente que, no governo Lula, “tudo de alguma forma se nivelou por baixo”. Não sei a que “tudo” ele se refere, mas certamente tem razão no que tange a esse colunismo político raivoso, generalizante e ostensivamente partidário que vocifera nas páginas da Folha.
Lá pelo quarto parágrafo do tal artigo, compreende-se que Barros e Silva utilizou um longo preâmbulo de ataque ao governo federal para abordar as muitas ações judiciais movidas por fiéis da Igreja Universal contra a Folha. Então era isso. O editor queria que o presidente Lula defendesse o jornal, assumindo o papel do Judiciário e decretando litigância de má-fé para todas as ações.
A Folha tem um comportamento estranho em ações nas quais é parte, geralmente na posição de reclamada: utiliza espaço noticioso, e frequentemente de análise, para fazer a própria defesa. Tenta constranger os reclamantes e pressionar a opinião pública e o próprio Judiciário a tomar seu partido. Desde que foram abertas as ações da Universal, todos os dias há matérias e comentários abordando o assunto.
Os fiéis não podem fazer a repórter Elvira Lobato viajar o país para depor em tribunais remotos, mas um jornal de circulação nacional pode investir em campanhas sistemáticas de convencimento para interferir em decisões judiciais. Caso Barros e Silva não saiba, essa prática é cabível de enquadramento em outro vício jurídico, que é o abuso de poder econômico.
O legalismo ambíguo da Folha, com sua mistura de noticiário e autodefesa corporativa, desnuda um perigoso desrespeito pelo papel da imprensa na sociedade democrática, bem como certo desprezo pelas instituições que a sustentam.
Há um ditado entre advogados que diz: “quem advoga em causa própria tem um burro como cliente”. Pois bem.

3 comentários:

Anônimo disse...

Após ler várias matérias e posts sobre o caso IURD-imprensa, prefiro reproduzir literalmente a opinião de um internauta que assina Sander Massimo Porto Alegre), que pesquei no site do Observatório de Imprensa. Para mim, a opinião dele é a melhor que encontrei a respeito desse triste episódio: “Todo medíocre acha que precisa de uma causa para viver. Ultimamente, a causa dos medíocres no Brasil tem sido lutar contra a imprensa. É o efeito de manada, vão atrás dos outros mas a maioria não tem a menor idéia para onde está indo. Hoje é chique ser contra "tudo que está aí" - uma espécie de iconoclastas ávidos para destruir tudo mas que não sabem o que colocar no lugar. Se acham que a liberdade de imprensa é relativa, então pode-se dizer o mesmo da liberdade religiosa” (sic).

Ivan Moraes disse...

Ninguem conhece essa pessoa no OI, ninguem nunca viu esse comentario:

http://www.google.com/search?hl=en&client=firefox-a&rls=org.mozilla%3Aen-US%3Aofficial&hs=vOu&q=%22Sander+Massimo%22+Porto+Alegre&btnG=Search

Paulo Santos disse...

Mas é claro que a culpa é do Lula.