quinta-feira, 20 de março de 2008

Anthony Minghella (1954-2008)

Sua morte precoce representa a perda de um importante defensor do classicismo grandiloquente dos anos dourados de Hollywood. Minghella marcou mais como pessoa do que como artista. Sensível, atencioso, muito preocupado com seus atores, deixou um legado positivo no convívio humano das filmagens, que costumam ser ambientes caóticos e frios. Não surpreendentemente, conseguiu trabalhar com os melhores atores, arrancando algumas de suas interpretações mais marcantes.
Nunca me senti plenamente satisfeito por seus filmes, com a possível exceção de "O talentoso Ripley". É seu trabalho mais bem-acabado, mas padece da maldição da refilmagem (tenho para mim que nenhum melhor filme de alguém pode ser uma refilmagem), prejudicado, talvez injustamente, pelas comparações com "O sol por testemunha". "O paciente inglês", apesar de Juliette Binoche, é um porre de absinto. Gostei de "Invasão de privacidade", com roteiro original e um elenco talentoso e inspirado.
Mas toda a curta filmografia de Minghella parece inchada de tragédia épica, com personagens heróicos, música orquestral choraminguenta, movimentos lentos de câmera, cabelos ao vento. É o resgate de um passado glorioso, cheio de pompas e grandes dilemas humanos, que fez algum sentido, se fez, em outros tempos.

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