quarta-feira, 20 de abril de 2011

Porres



A desmoralização de Aécio Neves soa divertida porque evidencia o farisaísmo da oposição conservadora, inclusive na mídia corporativa que tenta protegê-lo. Mas, depois das merecidas gargalhadas, convém tratar o episódio com certo cuidado.

Afirmar que Aécio estava bêbado no momento da blitz ou que é alcoólatra por isso reproduz as simplificações irresponsáveis que os piores moralistas usam para demonizar o consumo de substâncias alteradoras da consciência e, particularmente, para estigmatizar a dependência química, uma doença grave que não atinge nem a metade dos usuários de qualquer droga.

Aécio não precisava estar chamando urubu de “meu louro” para se negar ao bafômetro. Mesmo que o teste acusasse uma quantidade inofensiva de álcool, a desnecessária rigidez do Código de Trânsito causaria um dano quase insanável à imagem do senador. Como o tucano apoiou a canetada dos vigilantes da abstinência alheia, é bom fazê-lo beber (ops) do mesmo veneno. Mas reproduzir a imbecilidade falsificadora de um Larry Rother, ainda que para constrangê-lo, equivaleria a endossar seu estilo e, pior, a onda repressiva que ameaça tomar o país.

Quando um senador menospreza a legislação e, sejamos sinceros, é pego fazendo aquilo que a esmagadora maioria dos condutores faz diariamente, talvez seja o momento de refletirmos sobre essas regras inúteis fadadas ao escárnio público. Aliás, é curioso como são poucos os analistas que associam a reação das Organizações Globo, a operação policial ocorrida na terra de Marcelo Itagiba e o escândalo favorável a José Serra.

2 comentários:

Felipe disse...

Guilherme se o episódio fosse com o Lula, meu deus do céu, ia ser a farra total da imprensa. A questão, na minha opnião, não passa por essa do moralismo, de condenar as pessoas que utilizam as mais variadas substâncias ou a questão dos meios repressivos e ineficazes que vc explicita tão bem e com muito equilíbrio e razão. O ponto chave desse episódio do Aécio é a hipocrisia escancarada da mídia, esse sim é um ponto essencial do acontecido. Não estamos aqui no debate de desmoralizar o Aécio, afinal o que aconteceu com ele é corriqueiro com qualquer ser humano, exceto claro com o ET que vive aqui no país chamado Lula, esse sim, seria um escandalo fazer o que todo ser humano está sujeito a fazer. Contar piada, desmoralizar o Aécio nesse momento, não é desmoralizar sua pessoa, mas sim essa imprensa cada vez mais ridicula!!!

Guilherme Scalzilli disse...

Felipe, concordo inteiramente. Apenas quis contribuir para uma abordagem diferente do episódio.
Um abraço do
Guilherme