quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Fahrenheit 2012












Consulta médica rotineira. Sobre as cadeiras do salão, exemplares de Veja fornecem a única distração possível aos entediados pacientes. Fico imaginando quantas pessoas desinformadas encontram naquelas porcarias a única fonte de informação textual de seus atarefados cotidianos. Que noções constroem da política nacional, da religião, dos valores básicos de cidadania, do próprio país.

Numa reação aflita e impensada, forjando três ou quatro pulos mal dissimulados, vou trocando de assento e furtando, um a um, os volumes da excrescência. Meto-os na pasta de couro, olhando ao redor, fingindo espantar piolhos. Meio hipnotizados pela própria inação, os presentes parecem esquecer a falta de alternativa e simplesmente divagam. Aliviado, completo a rapa do local. Chegando em casa, segurando-as pela ponta dos dedos enojados, mandarei ao lixo aquelas imundices.

Incorporo a decisão de cumprir essa missão brancaleônica onde for possível. Alguém precisa fazer alguma coisa a respeito. Salas de espera, desagradáveis por natureza, podem e devem oferecer passatempo mais salubre que o subjornalismo demencial de Veja. Ou será que é a onipresença da revista que faz as salas de espera tão ruins?

4 comentários:

Eugenio Hansen, OFS . disse...

Paz e bem!

Tempos atrás
descobri um grupo do flickr
que promove ações similares
à que descrevestes:
http://www.flickr.com/groups/cacadordeveja

Está meio parado,
mas quem sabe agora movimente-se.

Eugenio Hansen, OFS . disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Mais interessante não seria dispormos de nossos exemplares de uma revista de outra opinião? Inclusive passarei a espalhar as minhas

Guilherme Scalzilli disse...

Tem razão, Anônimo. É que a Veja me parece merecedora de uma ação mais agressiva, digamos, à altura de sua natureza nefasta. Mas a ideia deveria seduzir as publicações concorrentes. Espalhar amostrar gratuitas em consultórios seria uma boa estratégia de divulgação.