Apenas o Blog da Amazônia informou uma queda de 81% no desmatamento da região, nos últimos 12 meses. Considerando o período de agosto a outubro de 2007, a redução foi de 77%. Não é uma dádiva (nunca será), mas destoa radicalmente das notícias catastróficas sobre a destruição das florestas, que recebem conveniente destaque na imprensa.
Outro assunto que desapareceu é o caos administrativo no Hospital das Clínicas de São Paulo, que teve desdobramentos recentes. O HC é vinculado, evidentemente, ao governo de José Serra. Seus problemas, antigos, continuam vitimando usuários e nada parece ser feito para remediá-los.
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
terça-feira, 25 de novembro de 2008
Operação PSDB
As informações da postagem anterior (escrita há cerca de um mês) carecem de alguma atualização.
Valerioduto – Como se sabe, esse é o apelido simpático dado ao Mensalão do PSDB, iniciado pela turma do senador Eduardo Azeredo, então governador de Minas Gerais. Suspeita-se que as campanhas de José Serra (Senado) e FHC tenham sido beneficiadas pelas ramificações desse escoamento ilegal de dinheiro. Mas o esquema tucano recebeu tratamento oposto ao dos petistas: sob silêncio generalizado da grande imprensa, faz um ano sem que o STF se posicione sobre a denúncia contra Azeredo, Valério, Walfrido Mares Guia (ministro de FHC) e outros.
Alstom – Gigante francesa especializada em veículos sobre trilhos, denunciada por subornar funcionários públicos para conseguir favorecimentos em licitações. Sua atuação no Metrô paulistano remete ao governo de Mário Covas e chega aos dias atuais sem qualquer interrupção. Novamente, sob omissão jornalística, as investigações podem naufragar.
Protógenes – O mesmo Daniel Lorenz, que arquivou o dossiê dos Sanguessugas contra José Serra e precisou ser ludibriado por Protógenes Queiroz para o bom andamento da Operação Satiagraha (por quê?), acaba de afastar o delegado da divisão de Inteligência da Polícia Federal. Protógenes ainda acusa Lorenz de ter vazado informações do caso à imprensa, prejudicando as investigações.
Valerioduto – Como se sabe, esse é o apelido simpático dado ao Mensalão do PSDB, iniciado pela turma do senador Eduardo Azeredo, então governador de Minas Gerais. Suspeita-se que as campanhas de José Serra (Senado) e FHC tenham sido beneficiadas pelas ramificações desse escoamento ilegal de dinheiro. Mas o esquema tucano recebeu tratamento oposto ao dos petistas: sob silêncio generalizado da grande imprensa, faz um ano sem que o STF se posicione sobre a denúncia contra Azeredo, Valério, Walfrido Mares Guia (ministro de FHC) e outros.
Alstom – Gigante francesa especializada em veículos sobre trilhos, denunciada por subornar funcionários públicos para conseguir favorecimentos em licitações. Sua atuação no Metrô paulistano remete ao governo de Mário Covas e chega aos dias atuais sem qualquer interrupção. Novamente, sob omissão jornalística, as investigações podem naufragar.
Protógenes – O mesmo Daniel Lorenz, que arquivou o dossiê dos Sanguessugas contra José Serra e precisou ser ludibriado por Protógenes Queiroz para o bom andamento da Operação Satiagraha (por quê?), acaba de afastar o delegado da divisão de Inteligência da Polícia Federal. Protógenes ainda acusa Lorenz de ter vazado informações do caso à imprensa, prejudicando as investigações.
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Operação José Serra
Publicado na revista Caros Amigos, em novembro de 2008
Com alguma paciência para escarafunchar notícias antigas, o leitor curioso estabelece a trilha que leva Daniel Dantas ao Palácio dos Bandeirantes. A viagem começa em 1994, quando Ricardo Sérgio de Oliveira atuou como arrecadador da campanha de José Serra, que depois o indicaria para diretor do Banco do Brasil.
Através dos fundos de pensão, Ricardo Sérgio financiou os consórcios de Dantas nos leilões da telefonia, das estatais elétricas e da Vale do Rio Doce. Ele também arquitetou o caixa dois da campanha reeleitoral de FHC. Participaram do esquema o Opportunity (via Marcos Valério) e o grupo francês Alstom, hoje investigado pelo suborno de altos funcionários tucanos em licitações do Metrô paulista. Andrea Matarazzo, amigo de Serra, aparece com freqüência nesses episódios.
O delegado que investigava Ricardo Sérgio foi afastado em 1998 por Marcelo Itagiba, então superintendente da Polícia Federal. Itagiba, casado com uma prima de Matarazzo, virou assessor de Serra no Ministério da Saúde. Hoje, deputado federal, preside a CPI dos Grampos, que tenta desqualificar a atuação do delegado Protógenes Queiroz na operação Satiagraha. Queiroz teria omitido informações de seus superiores. Um deles, o diretor de Inteligência Daniel Lorenz, coordenara as investigações sobre o extinto dossiê que apontava ligações de Serra com a máfia das ambulâncias.
Dantas não ficou preso graças a Gilmar Mendes, defensor do governo FHC na Advocacia-Geral da União. Já ministro do STF, Mendes arquivou uma ação de improbidade administrativa contra Serra. Depois, afirmou ter sido espionado quando falava ao telefone com o senador Heráclito Fortes. Este possui ligações com as empresas de Dantas e é amigo de sua irmã, Verônica, ex-sócia da filha de Serra.
Restam dúvidas sobre os motivos da blindagem em torno de Daniel Dantas?
Com alguma paciência para escarafunchar notícias antigas, o leitor curioso estabelece a trilha que leva Daniel Dantas ao Palácio dos Bandeirantes. A viagem começa em 1994, quando Ricardo Sérgio de Oliveira atuou como arrecadador da campanha de José Serra, que depois o indicaria para diretor do Banco do Brasil.
Através dos fundos de pensão, Ricardo Sérgio financiou os consórcios de Dantas nos leilões da telefonia, das estatais elétricas e da Vale do Rio Doce. Ele também arquitetou o caixa dois da campanha reeleitoral de FHC. Participaram do esquema o Opportunity (via Marcos Valério) e o grupo francês Alstom, hoje investigado pelo suborno de altos funcionários tucanos em licitações do Metrô paulista. Andrea Matarazzo, amigo de Serra, aparece com freqüência nesses episódios.
O delegado que investigava Ricardo Sérgio foi afastado em 1998 por Marcelo Itagiba, então superintendente da Polícia Federal. Itagiba, casado com uma prima de Matarazzo, virou assessor de Serra no Ministério da Saúde. Hoje, deputado federal, preside a CPI dos Grampos, que tenta desqualificar a atuação do delegado Protógenes Queiroz na operação Satiagraha. Queiroz teria omitido informações de seus superiores. Um deles, o diretor de Inteligência Daniel Lorenz, coordenara as investigações sobre o extinto dossiê que apontava ligações de Serra com a máfia das ambulâncias.
Dantas não ficou preso graças a Gilmar Mendes, defensor do governo FHC na Advocacia-Geral da União. Já ministro do STF, Mendes arquivou uma ação de improbidade administrativa contra Serra. Depois, afirmou ter sido espionado quando falava ao telefone com o senador Heráclito Fortes. Este possui ligações com as empresas de Dantas e é amigo de sua irmã, Verônica, ex-sócia da filha de Serra.
Restam dúvidas sobre os motivos da blindagem em torno de Daniel Dantas?
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Chávez é o peru eleitoral
Domingo haverá eleições regionais na Venezuela. A julgar pelos comentários na imprensa brasileira, Hugo Chávez sairá derrotado. De qualquer jeito. Independente dos resultados.
Claro, agora é fácil tripudiar. Basta os governistas vencerem em menos de 20 das 22 províncias (sua abrangência atual): 70% dos governos (15) parecerão uma enorme queda no poder do presidente-demônio. Ademais, cada pequeno rincão desolado receberá importância crucial para o país, desde que passe para administradores oposicionistas. E os dissidentes serão heróis.
Até perder por 0,7% no plebiscito reformista, Chávez ganhou tudo que disputou, inclusive um golpe de Estado, principalmente seguidas (e desnecessárias) reafirmações de sua legitimidade. E sempre combatendo uma elite poderosa, a grande mídia local e o governo dos EUA. Chegou ao teto, foi reeleito até 2013 e começou a perceber que não está imune a um processo natural e inevitável de desgaste político-administrativo. Mas sua força permanece, como indicam as pesquisas.
As torcidas, pró e anti-Chávez, babarão em seus delírios de revanchismo e mistificação. Restará uma pequena fresta de realidade a ser perscrutada em meio à ideologização boboca.
Claro, agora é fácil tripudiar. Basta os governistas vencerem em menos de 20 das 22 províncias (sua abrangência atual): 70% dos governos (15) parecerão uma enorme queda no poder do presidente-demônio. Ademais, cada pequeno rincão desolado receberá importância crucial para o país, desde que passe para administradores oposicionistas. E os dissidentes serão heróis.
Até perder por 0,7% no plebiscito reformista, Chávez ganhou tudo que disputou, inclusive um golpe de Estado, principalmente seguidas (e desnecessárias) reafirmações de sua legitimidade. E sempre combatendo uma elite poderosa, a grande mídia local e o governo dos EUA. Chegou ao teto, foi reeleito até 2013 e começou a perceber que não está imune a um processo natural e inevitável de desgaste político-administrativo. Mas sua força permanece, como indicam as pesquisas.
As torcidas, pró e anti-Chávez, babarão em seus delírios de revanchismo e mistificação. Restará uma pequena fresta de realidade a ser perscrutada em meio à ideologização boboca.
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
Drogas medicinais
A postagem anterior tem muitos desdobramentos possíveis, não apenas restritos às propriedades do LSD. Um exemplo da vastidão potencial anulada pela estúpida legislação repressiva aparece no uso do Santo Daime (o famoso ayahuasca) em tratamentos de depresssão. A USP de Ribeirão Preto está avançando nessas pesquisas. Em outra oportunidade, já apontei os verdadeiros beneficiados pelo proibicionismo que importamos dos EUA.
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Albert Hofmann (1906-2008)
Passou quase despercebida a morte do inventor do LSD, aos 102 anos, em abril. Hoffmann descobriu a substância por acaso, em 1938, quando trabalhava no laboratório Sandoz pesquisando remédios para disfunções circulatórias e respiratórias, extraídos da ergotina, um fungo originado no centeio. Cinco anos depois, passou a dedicar-se mais detidamente ao alucinógeno (na foto, ele segura um modelo tridimensional da molécula do LSD).
Seu passeio de bicicleta no dia 19 de abril de 1943, voltando para casa sob os efeitos ainda inexplicados da substância, tornou-se lendário. Hofmann ingeriu centenas de vezes o LSD e outras substâncias alucinógenas de uso ritual. Em sua vasta produção científica, defendeu-os como “remédios para a alma”, ferramentas da psiquiatria para compreender o cérebro, veículos de autoconhecimento e conscientização ambiental.
No tratado autobiográfico “LSD – meu filho problemático”, de 1976, Hofmann associa a experiência psicodélica aos transes místicos vividos por xamãs e seus seguidores desde tempos ancestrais. Também relata como o governo estadunidense bloqueou as pesquisas com o LSD, tentando apropriar-se da substância para fins militares, cerceando estudos e até prendendo cientistas, como Timothy Leary (criticado por Hofmann).
O maior legado pessoal de Hofmann, unânime entre todos os que o conheceram pessoalmente, foi a enorme generosidade e o profundo sentido ético, jamais contaminado por interesses financeiros ou políticos. Os estudos sobre substâncias alucinógenas prosseguem, porém gradativamente distantes dos princípios que nortearam seus pioneiros. Talvez a necessária e inevitável descriminalização das drogas venha a contribuir para resgatá-los.
Há um documentário excelente, produzido pela BBC britânica, intitulado “LSD: the beyond within”. Contêm extensas entrevistas com Hofmann e outros pesquisadores e militantes. Está disponível em partes no Youtube. A primeira delas pode ser vista abaixo.
Seu passeio de bicicleta no dia 19 de abril de 1943, voltando para casa sob os efeitos ainda inexplicados da substância, tornou-se lendário. Hofmann ingeriu centenas de vezes o LSD e outras substâncias alucinógenas de uso ritual. Em sua vasta produção científica, defendeu-os como “remédios para a alma”, ferramentas da psiquiatria para compreender o cérebro, veículos de autoconhecimento e conscientização ambiental.
No tratado autobiográfico “LSD – meu filho problemático”, de 1976, Hofmann associa a experiência psicodélica aos transes místicos vividos por xamãs e seus seguidores desde tempos ancestrais. Também relata como o governo estadunidense bloqueou as pesquisas com o LSD, tentando apropriar-se da substância para fins militares, cerceando estudos e até prendendo cientistas, como Timothy Leary (criticado por Hofmann).
O maior legado pessoal de Hofmann, unânime entre todos os que o conheceram pessoalmente, foi a enorme generosidade e o profundo sentido ético, jamais contaminado por interesses financeiros ou políticos. Os estudos sobre substâncias alucinógenas prosseguem, porém gradativamente distantes dos princípios que nortearam seus pioneiros. Talvez a necessária e inevitável descriminalização das drogas venha a contribuir para resgatá-los.
Há um documentário excelente, produzido pela BBC britânica, intitulado “LSD: the beyond within”. Contêm extensas entrevistas com Hofmann e outros pesquisadores e militantes. Está disponível em partes no Youtube. A primeira delas pode ser vista abaixo.
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Cheiro de fritura
Está cada vez mais difícil ignorar os indícios de um movimento, articulado em diferentes setores do Poder Público e da mídia, para transformar a Operação Satiagraha em paçoca. Apenas as suspeitas de irregularidades no inquérito, propagadas com a estranha colaboração da imprensa paulista, são suficientes para os advogados de Daniel Dantas recorrerem indefinidamente de decisões contrárias a seus interesses. Cada detalhe técnico do processo receberia um questionamento específico, prorrogando a decisão final até um tempo de ficção científica. Percebe-se uma resignação fatalista nas declarações de autoridades e analistas, como se operações policiais de tamanha envergadura fossem impossíveis pelas vias “normais” da ética e da legalidade.
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Teia 2008
Começa hoje o evento que reúne representantes dos Pontos de Cultura, em Brasília. Esta rede de iniciativas subsidiadas pelo governo federal foi criada na excelente gestão de Gilberto Gil no Ministério da Cultura e já proporcionou uma pequena revolução de fomento à pesquisa, popularização das mídias eletrônicas, incentivo a produtores regionais e educação para jovens de áreas carentes. O silêncio da imprensa perante esses avanços não deixa de ser tristemente previsível.
Mais informações na página do encontro.
Mais informações na página do encontro.
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
As vitórias de Barack Obama
Muito já foi escrito sobre a importância histórica da eleição de Barack Obama, e não há motivos para exageros. Convém relativizar as proporções da derrota republicana, conseqüência inevitável dos ruinosos governos Bush – uma sucessão de fracassos militares, estratégicos, geopolíticos, sociais, financeiros e administrativos que realizou a façanha de atrair a desaprovação generalizada.
O justificável fascínio da opinião pública internacional com a eleição de Obama gerou manifestações de americanismo e apologias ao mito do “país das oportunidades”. Mas a louvável novidade representada pelo presidente negro, jovem e progressista tende a ofuscar um aspecto emblemático da efeméride: ela só foi possível graças à superação de um sistema eleitoral antidemocrático e atrasado, que viola os princípios da representatividade.
A distorção máxima dessa estrutura é possibilitar, com a votação em bloco dos delegados estaduais, que um candidato seja eleito sem receber o maior número de votos populares. Os problemas, no entanto, antecedem o âmbito do Colégio Eleitoral. Respeitando um purismo federalista incompatível com o sufrágio em âmbito nacional, cada Estado possui regras eleitorais próprias. Muitas delas impedem ou dificultam o exercício do voto por jovens, pobres, minorias étnicas e imigrantes.
Os casos mais graves nasceram em iniciativas de parlamentares e governantes republicanos, atingindo grupos populacionais expressivos, tradicionalmente identificados com o partido democrata e com a plataforma inovadora de Obama. Restrições ao cadastramento de eleitores e ao voto de ex-presidiários costumam impedir o voto de quase 20% dos potenciais eleitores negros. Outros enormes contingentes, acuados por dificuldades de registro e pela desinformação, tendem a ignorar os pleitos.
Nas convenções partidárias, a máquina a serviço da família Clinton parecia imbatível, e muitos cogitaram um ressentimento autodestrutivo dos preteridos. Depois surgiram os factóides em torno da indicação de Sarah Palin, seguidos por uma campanha difamatória capaz de causar engulhos à súbita correção política da mídia paulistana. E, claro, sempre houve a ameaça latente do preconceito, num país de tradição racista, dominado por conservadores caucasianos e fundamentalistas cristãos.
Nada disso, entretanto, se compara ao maior adversário vencido por Barack Obama: o segregacionismo eleitoral, legalizado e institucionalizado, de flagrantes motivações étnico-sociais. O legado simbólico da nova gestão antecede seus resultados práticos e provavelmente os suplantará na posteridade.
O justificável fascínio da opinião pública internacional com a eleição de Obama gerou manifestações de americanismo e apologias ao mito do “país das oportunidades”. Mas a louvável novidade representada pelo presidente negro, jovem e progressista tende a ofuscar um aspecto emblemático da efeméride: ela só foi possível graças à superação de um sistema eleitoral antidemocrático e atrasado, que viola os princípios da representatividade.
A distorção máxima dessa estrutura é possibilitar, com a votação em bloco dos delegados estaduais, que um candidato seja eleito sem receber o maior número de votos populares. Os problemas, no entanto, antecedem o âmbito do Colégio Eleitoral. Respeitando um purismo federalista incompatível com o sufrágio em âmbito nacional, cada Estado possui regras eleitorais próprias. Muitas delas impedem ou dificultam o exercício do voto por jovens, pobres, minorias étnicas e imigrantes.
Os casos mais graves nasceram em iniciativas de parlamentares e governantes republicanos, atingindo grupos populacionais expressivos, tradicionalmente identificados com o partido democrata e com a plataforma inovadora de Obama. Restrições ao cadastramento de eleitores e ao voto de ex-presidiários costumam impedir o voto de quase 20% dos potenciais eleitores negros. Outros enormes contingentes, acuados por dificuldades de registro e pela desinformação, tendem a ignorar os pleitos.
Nas convenções partidárias, a máquina a serviço da família Clinton parecia imbatível, e muitos cogitaram um ressentimento autodestrutivo dos preteridos. Depois surgiram os factóides em torno da indicação de Sarah Palin, seguidos por uma campanha difamatória capaz de causar engulhos à súbita correção política da mídia paulistana. E, claro, sempre houve a ameaça latente do preconceito, num país de tradição racista, dominado por conservadores caucasianos e fundamentalistas cristãos.
Nada disso, entretanto, se compara ao maior adversário vencido por Barack Obama: o segregacionismo eleitoral, legalizado e institucionalizado, de flagrantes motivações étnico-sociais. O legado simbólico da nova gestão antecede seus resultados práticos e provavelmente os suplantará na posteridade.
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
Memória: “Governo sitiado”
Subtítulo: “Sem-terra conquistam classe média e FHC enfrenta a oposição das ruas”.
Matéria da página 20: “A oposição das ruas – políticos, bispos e sindicalistas pegam carona na popularidade do MST para se manifestarem contra o governo de Fernando Henrique”
Texto: “[dia 17 de abril] o governo enfrentou o maior protesto popular desde a posse. Nas ruas da capital federal, juntaram-se aos dois mil sem-terra cerca de 30 mil pessoas numa manifestação que não se restringiu a pedir pressa na reforma agrária, mas serviu de carro-chefe para todo tipo de reclamação. O resultado foi que pela primeira vez o governo FHC ficou sitiado por uma massa de manifestantes que levantavam bandeiras contra as reformas na Constituição, a privatização da Companhia Vale do Rio Doce, o desemprego e a política econômica.”
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Sai daí, Gilmar
O presidente do Supremo Tribunal Federal concede dois habeas corpus seguidos a um empresário envolvido em escândalos de corrupção, depois divulga, na caricata revista Veja, uma história ainda não comprovada de espionagem telefônica. Agora aparece defendendo a anistia a torturadores e assassinos da ditadura militar, utilizando os próprios argumentos destes (e o mesmo vocabulário).
Há algum tempo, me parecia exagerado pedir o impedimento de Gilmar Mendes.
Há algum tempo, me parecia exagerado pedir o impedimento de Gilmar Mendes.
terça-feira, 4 de novembro de 2008
“Edu & Tom”
A versão de “Chovendo na roseira” (1971) dispensa comentários.
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