quarta-feira, 22 de julho de 2009

Governando na porrada 2

Eis a governadora Yeda Crusius (PSDB-RS) em momento finesse. A ação truculenta da polícia sob seu comando imita a famigerada PM paulista, do correligionário José Serra. Ambos os Estados, como o partido que os domina, vangloriam-se de certa superioridade civilizatória. Vê-se.
Fico imaginando o que a imprensa diria se no lugar da simpática Yeda tivéssemos, digamos, Marta Suplicy, a vociferar protegida pelo portão e por cossacos da Guarda Imperial. As interjeições de Eliane (“Gente!”) Cantanhêde, os impropérios miriambatuqueiros de Bárbara Gancia, as lágrimas indignadas das beldades do Saia Justa, os comentários jocosos de Arnaldo Jabor.
Yeda sobrevive porque a grande mídia (local, mas também nacional) ainda acredita que seu interminável cozimento é preferível ao vergonhoso impeachment de uma governadora tucana às vésperas das eleições. Enquanto isso, a direção do PSDB julga que o desgaste sepulta de vez um quadro partidário incômodo; seria o mal menor de uma operação dolorosa, mas necessária.
Tudo isso pode mudar ao sabor das próximas pesquisas e da criatividade da governadora.

6 comentários:

FELIPE DRUMOND disse...

Guilherme, sou leitor assíduo do seu blog por te considerar um profissional sério, inteligente e capaz.
Mas, ao que me parece, o jornalismo exige certa isenção.
Não é de agora que percebo veemente inclinações petistas e esquerdistas tanto no seu blog quanto nos textos da Caros Amigos.
É impressão minha ou tem revelado certo apoio velado ao PT e, portanto, críticas frequentes apenas à oposição?
Se assim for, retiro as afirmações a respeito de ser profissional, sério, inteligente e capaz.
Abraços.

Guilherme Scalzilli disse...

Olá Felipe,
não sou filiado a partidos, nem sei se abraçaria o PT caso tivesse paciência e energia para a militância. Mas, no contexto das atuais disputas políticas, admito que escolhi um lado. O que não chega a ser um problema, pq jamais fingi uma "independência" que, a rigor, não existe em ninguém. E não sou jornalista, como explico no texto "Deformações jornalísticas", disponível aí no blog.
Tenho zilhões de críticas ao PT e aliados (e eventualmente as divulgo), mas essa é uma tarefa que a grande imprensa já tomou para si com súbita e curiosa voracidade. Procuro fazer um humilde mas imprescindível contraponto ao que julgo ser uma contaminação político-partidária da grande mídia, que possui dois pesos e duas medidas quando se trata de ética e moralidade.
Agora, caso a seriedade, a inteligência e a capacidade dependam de inclinações ideológicas, dispenso os lisonjeiros adjetivos.
Um abraço "esquerdista" do
Guilherme
PS: gostei do seu blog tb. Continue participando...

Guilhermé disse...

Linha editoria clara é o primeiro passo pra discussão construtiva. Tenho visto essa discussão sobre ser ptista ou não em várias publicações de esquerda (blogs tb). A questão é bizarra pq ao combater a venalidade da mídia gorda, ou destacar sua parcialidade, a primeira coisa q dizem é q fulando virou ptista, Lulista.
Qdo se fala q a mídia protege a Ieda, não está automaticamente defendendo o PT. Qdo se afirma que n crise do senado não se discute reestruturação da instituição, não se está defendendo o Sarney. Nesse caso ele é e sempre foi um alvo fácil pra mídia, mas essa só o ataca qdo é interessante, como foi no caso Lunus e agora na sede do DEM pela presidencia do Senado em ano de eleição.
Esses questionamentos não anulam a necessidade de apuração das irregularidade, ilegalidade e/ou ilicitudes praticadas pelo bigodudo.
Com a Ieda é a mesma coisa. Pq o Senador Pedro Simon que lacrimeja na tribunal contra o Sarney, intervei junto à assembléia gaúcha pra barrar a CPI contra a Sra. Crusius?
Já falei demais.
Abraços.

Miguel disse...

Sou obrigado a concordar com o Guilherme nessa questão. De fato, a tal "grande mídia" usa dois pesos e duas medidas para esses e muitos outros assuntos. O Bush Jr., por exemplo, não é um genocida, é só um "sujeito trapalhão". Bem, cara de idiota ele tem mesmo.
PS- Imparcialidade total não existe mesmo em lugar nenhum. Hoje tenho plena consciência disso.

FELIPE DRUMOND disse...

Caro Guilherme,
Talvez eu tenha sido um pouco rude nos meus comentários. Mas o fiz por um impulso pouco controlável.
O fato é que já estou farto de presenciar a grande mídia ter claras preferências político-partidárias, razão pela qual ler jornal tem se tornado uma tarefa difícil, haja vista a indigestão que me provoca.
Sou claramante neutro no que diz respeito a partidos políticos. Claro que tenho meus ideais, que a mim são muito claros e faço questão de deixá-los à mostra.
Fui movido a fazer o comentário anterior porque em veículos como este blog e em textos inteligentes como o seu que encontro refúgio para o indigesto partidarismo da grande imprensa.
Por isso, quando li um texto em que me pareceu motivado por partidarismo, fiquei tão fulo (agora me senti antigo).
Peço imenso perdão pelos excessos cometidos.
Claro que você deve ter inclinações ideológicas. Aliás, o louvo por isso. Creio que o homem é o reflexo de sua ideologia assumir ideais é sempre muito saudáveis.
Se tais ideais forem encontrados, verdadeiramente, em algum partido político, ótimo.
Mas só fiz meus comentários tentando, em verdade, clamar para que não se perdesse defendendo políticas partidárias. Essas sim, costumam ser venenosas.
Seria uma pena um talento como o seu estar dedicado a esse fim.
Foi por isso, apenas por isso, que cheguei à exaltação. Por isso peço perdão.
Aproveito para parabenizá-lo pelo blog. Continuo acessando diariamente. Fico feliz que tenha gostado do meu blog também. Será sempre muito bem vindo.
Acho que precisamos de mais críticas inteligentes e pessoas com sua motivação.
Abraços,
Felipe.

Guilherme Scalzilli disse...

Ô Felipe, tem excesso nenhum não. Os comentários são sempre muito bem-vindos, principalmente os críticos. O importante é trocarmos idéias.
Abração do
Guilherme