segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Arapucas



Caiu a obrigação de sinalizar a existência de radares, fixos ou móveis, em qualquer sistema de tráfego. A justificativa formal soa bastante civilizada, mas não esconde o ímpeto arrecadador da medida. Basicamente porque deixa aos motoristas a tarefa de intuir se a via em que circula é “de trânsito rápido”, “arterial”, “coletora”, “local” ou “rural”, já que o Código de Trânsito Brasileiro prevê diferentes limites de velocidade para cada uma dessas categorias.

Ademais, existe um parágrafo no artigo 61 do mesmo Código que permite ao “órgão ou entidade de trânsito ou rodoviário com circunscrição sobre a via (...) regulamentar, por meio de sinalização, velocidades superiores ou inferiores àquelas estabelecidas no parágrafo anterior.” Quer dizer: é assim, mas pode ser assado, e o bocó só vai descobrir na conta que chegar pelo correio. Todo motorista que transitar numa estrada ou avenida em trecho intermediário entre os avisos de limite será tungado impiedosamente. Ou alguém tem dúvida sobre a futura localização dos radares móveis secretos?

Ótima estratégia para incrementar a arrecadação dos governos estaduais e municipais. Quando os veículos tiverem seus chips obrigatórios de fábrica e os pedágios urbanos e “proporcionais” forem disseminados, a tecnologia dos espiões eletrônicos poderá ser aproveitada para um gigantesco golpe tributário que atropelará as competências legislativas instituídas com essa finalidade.

Existem dezenas de outras medidas que realmente garantiriam a segurança dos motoristas e pedestres. Mas elas não dão lucro.

2 comentários:

Eugenio Hansen, OFS disse...

Paz, bem e feliz 2012!

Pois eu festejo
o fim da sinalização
de avikso de pardais!

Pois era um passelivre
para quem queria desrespeitar a lei
neste quesito.

Aqui em Porto Alegre
eu queria que em todo lugar
houvessem pardais,
em todas as sinaleiras
(i.e. sinais, semáforos)
houvessem caetanos.

Junior disse...

Scalzilli, concordo com o amigo aí em cima.

Não discordo que o Brasil é o país da indústria da multa. Mas, em grande parte, é o país da indústria da multa porque nossos motoristas não respeitam sinalização alguma (a não ser a que informa que há radar logo a frente).

Já fui vítima de "um quase" atropelamento numa via local porque o farol estava quebrado e o pseudo motorista estava acima do limite de velocidade permitida para o tipo de via, que é de 30 km/h. Eu estava atravessando na faixa de pedestres e o fulano além de acelerar, ainda passou proferindo palavrões como se a culpa fosse minha.

Quando estive no Chile (veja, uso exemplo latino-americano) fiquei boquiaberto com o respeito às leis de trânsito. Principalmente, o respeito que os motoristas de lá tem pelos pedestres e limites de velocidade.

Recentemente, um renomado especialista em trânsito esteve em São Paulo a convite da CET e ficou abismado com o fato das autoridades informarem que determinado trecho da via possui radar. Isso só acontece aqui, Scalzilli!

Limite de velocidade é limite de velocidade e pronto! Quem não deve, não teme!