Seguindo a tendência iniciada após o primeiro turno, comentaristas políticos tentam consagrar suas teses preferidas sobre as eleições municipais: vitórias isoladas de José Serra e do PMDB, estagnação do PT, derrota simbólica do governo federal como prenúncio de 2010. Mas a plausibilidade dessas análises está sujeita às paixões do observador. Os fatos permitem conclusões diferentes para cada uma das premissas.
José Serra – Venceu em São Paulo e alguns centros regionais. Pouco mais que isso. O governador investiu prestígio pessoal e estrutura em outros colégios importantes do Estado, sem o mesmo sucesso: seus candidatos perderam em Bauru, Ribeirão Preto, Campinas, Guarulhos, Osasco, São Bernardo do Campo e Diadema. Geraldo Alckmin derreteu, mas Aécio Neves confirmou seu prestígio na capital, em Juiz de Fora e numa constelação de pequenas cidades mineiras. Márcio Lacerda obteve em Belo Horizonte quase a mesma porcentagem de Kassab em São Paulo.
PT – Campeão nas grandes cidades, foi o partido que mais cresceu em quantidade de prefeituras conquistadas. Divide com o PMDB a liderança dos votos totais para prefeito e o maior número de capitais, seis cada um, além de compor chapas vitoriosas em outras quatro. Não regrediu nos rincões e avançou nas regiões metropolitanas.
Governo federal – Nas eleições municipais de 1996, a imprensa alardeou uma vitória da coligação governista, incluindo nos cálculos o PMDB. Hoje não há motivo para um enfoque diferente. Como FHC, Lula também evitou melindrar concorrentes peemedebistas, em detrimento dos próprios aliados. Os grandes sucessos dos partidos coligados só foram possíveis porque o presidente abriu mão de enfrentar disputas locais. Ainda que a estratégia pareça discutível, ela terminou vitoriosa. A base governista vai administrar cerca de 3500 municípios, totalizando 90 milhões de brasileiros (72% do eleitorado total), cerca de três vezes mais do que a oposição. São 20 das 26 capitais.
Oposição – É a maior derrotada. DEM, PSDB e PPS perderam, juntos, mais de cinco milhões de votos em relação a 2004. Deixaram o poder em 350 cidades, uma queda de 20%. O DEM sofreu derrotas históricas na Bahia de ACM, no Rio de Janeiro de César Maia e em Santa Catarina, reduto dos Amin e dos Bornhausen. O PSDB amargou reveses consideráveis no Ceará de Tasso Jereissati, no Rio Grande do Sul de Yeda Crusius e nas maiores cidades do interior mineiro, vencidas pelo PT.
2010 – O cenário sucessório continua imprevisível. Serra não termina com a força que seus militantes desejam. Aécio continua no páreo. O triunfo estratégico na capital paulistana resultou em dívidas políticas que influenciarão as delicadas articulações futuras. Em 1996, a imprensa considerava que a vitória de Celso Pitta fazia de Paulo Maluf um candidato competitivo para a presidência da República. Dois anos depois, Maluf perdia para Covas o governo estadual.
Uma aliança para a sucessão presidencial entre Lula e PMDB começou a materializar-se. Muitos caciques peemedebistas ora vitoriosos são devedores do presidente, e serão ainda mais, após as eleições no Congresso. As derrotas pessoais de Ciro Gomes em seus redutos o enfraquecem nessa disputa, abrindo caminho para outros arranjos.
E a prudência recomenda não menosprezar a capacidade aglutinadora de Lula, caso sua popularidade se mantenha nos níveis atuais.
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Mundo Mundano
Atropelado por agendas malucas, deixei de comentar minha recente inclusão no seleto rol de colaboradores da revista Mundo Mundano. O textos serão publicados lá e cá, simultaneamente.
Vida longa aos projetos mundanos!
Vida longa aos projetos mundanos!
terça-feira, 28 de outubro de 2008
“David Lynch”
Lançado originalmente em 1997, ampliado em 2004. A edição francesa é luxuosa, em papel cuchê colorido, muito bem ilustrada. Desconheço versão brasileira.
O autor, Chris Rodley, entende o assunto. Documentarista reconhecido no circuito independente, já lançou um volume sobre David Cronenberg. O formato se repete aqui: uma série de entrevistas, divididas em temas (filmes), entremeadas por textos analíticos e pequenos depoimentos de atores, técnicos e amigos do cineasta estadunidense.
O livro proporciona também a descoberta das pinturas, fotografias e objetos artísticos aos quais Lynch se dedica desde muito cedo, antes mesmo do cinema. Leio-o como acompanhamento de uma revisita gradual e paciente à sua obra cinematográfica. A experiência tem sido importantíssima. Voltarei a ela depois.
O autor, Chris Rodley, entende o assunto. Documentarista reconhecido no circuito independente, já lançou um volume sobre David Cronenberg. O formato se repete aqui: uma série de entrevistas, divididas em temas (filmes), entremeadas por textos analíticos e pequenos depoimentos de atores, técnicos e amigos do cineasta estadunidense.
O livro proporciona também a descoberta das pinturas, fotografias e objetos artísticos aos quais Lynch se dedica desde muito cedo, antes mesmo do cinema. Leio-o como acompanhamento de uma revisita gradual e paciente à sua obra cinematográfica. A experiência tem sido importantíssima. Voltarei a ela depois.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Imparcialidade
"O equilíbrio editorial dissipou-se. O jornal tendeu claramente para Kassab. Nem tanto pelas reportagens. Eu contei 10 matérias negativas sobre ele e 14 sobre Marta; 11 positivas para ele e 5 para ela. Mas colunas e artigos fizeram toda diferença. Anotei 13 textos opinativos com críticas a Marta e nenhum contra Kassab. No cômputo final, Kassab foi favorecido. (...)
Ainda pior foi a impressão que as edições da última semana passaram, pelo menos para este leitor: a de que o jornal já tratava o pleito como episódio superado, decidido. Pelo pouco espaço que dedicou, a ausência de criatividade nas pautas e de empenho na execução do trabalho, pelo quase automatismo editorial. Pena que um início tão auspicioso tenha redundado num final desanimador."
Carlos Eduardo Lins da Silva, ombudsman da Folha de São Paulo, 26 de outubro de 2008
Ainda pior foi a impressão que as edições da última semana passaram, pelo menos para este leitor: a de que o jornal já tratava o pleito como episódio superado, decidido. Pelo pouco espaço que dedicou, a ausência de criatividade nas pautas e de empenho na execução do trabalho, pelo quase automatismo editorial. Pena que um início tão auspicioso tenha redundado num final desanimador."
Carlos Eduardo Lins da Silva, ombudsman da Folha de São Paulo, 26 de outubro de 2008
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Ainda os segredos de Kassab
A quantidade de comentários sobre o assunto leva-me a ele novamente, pela última vez. A discussão caducou, mas suas distorções ainda aguardam respostas.
Empreendi uma extensa viagem pela blogosfera, encontrando todo tipo de reação à propaganda de Marta Suplicy. A grande maioria dos bons analistas condena a peça, mas salienta a hipocrisia da mídia na cobertura do caso. Esta é a postura mais ponderada e cômoda e, se quisesse evitar riscos, adotá-la-ia também. Mas o refúgio no politicamente correto leva à aceitação de certa leitura hegemônica e tendenciosa sobre o episódio.
Não estou convencido da venalidade absoluta das perguntas “É casado? Tem filhos?”, considerando o contexto em que apareceram. Discordo da afirmação inequívoca do tom discriminatório delas, porque foram descontextualizadas. A história de que os líderes do PT condenaram a propaganda embute má-fé: qualquer entrevistado rechaçaria a pecha de homofóbico, desde que esta fosse a premissa do questionamento.
Quando lembramos as inúmeras devassas mal-intencionadas realizadas por imprensa e adversários nas intimidades de candidatos petistas, surgem duas falácias: a da “coerência biográfica” (a vítima não pode imitar seus algozes) e a da “evolução democrática” (esse passado tenebroso foi superado). Babação eleitoreira. Todo tipo de preconceito continua sendo vomitado contra a própria Marta Suplicy, sob o pretexto de recordar seus padecimentos ou de exemplificar o que poderia estar sendo veiculado sobre ela, mas “não é” – claro que é, já que essas histórias são de fato repetidas.
Discutir se a “opção” sexual do candidato deve ser propalada ou se tem importância é um estratagema velhaco para simplificar outras questões contundentes. As supostas relações afetivas entre Kassab e um secretário seu (insinuadas por muita gente séria), caso verdadeiras, possuem relevância política. Abordar esse detalhe espinhoso forçaria a uma passagem pelo tema do homossexualismo, independente de homofobias, mas o mito da intolerância petista surgiu milagrosamente para desviar as atenções.
O mesmo ocorreu quanto a aspectos mais alarmantes do ambiente sucessório. O imbróglio sexual foi superdimensionado pela militância kassabista porque todos se constrangem ao lembrar a biografia política do prefeito. E é impossível tratar como trivialidade a hipocrisia jornalística às vésperas das eleições que trarão Orestes Quércia e Paulo Maluf de volta à maior cidade do país.
Empreendi uma extensa viagem pela blogosfera, encontrando todo tipo de reação à propaganda de Marta Suplicy. A grande maioria dos bons analistas condena a peça, mas salienta a hipocrisia da mídia na cobertura do caso. Esta é a postura mais ponderada e cômoda e, se quisesse evitar riscos, adotá-la-ia também. Mas o refúgio no politicamente correto leva à aceitação de certa leitura hegemônica e tendenciosa sobre o episódio.
Não estou convencido da venalidade absoluta das perguntas “É casado? Tem filhos?”, considerando o contexto em que apareceram. Discordo da afirmação inequívoca do tom discriminatório delas, porque foram descontextualizadas. A história de que os líderes do PT condenaram a propaganda embute má-fé: qualquer entrevistado rechaçaria a pecha de homofóbico, desde que esta fosse a premissa do questionamento.
Quando lembramos as inúmeras devassas mal-intencionadas realizadas por imprensa e adversários nas intimidades de candidatos petistas, surgem duas falácias: a da “coerência biográfica” (a vítima não pode imitar seus algozes) e a da “evolução democrática” (esse passado tenebroso foi superado). Babação eleitoreira. Todo tipo de preconceito continua sendo vomitado contra a própria Marta Suplicy, sob o pretexto de recordar seus padecimentos ou de exemplificar o que poderia estar sendo veiculado sobre ela, mas “não é” – claro que é, já que essas histórias são de fato repetidas.
Discutir se a “opção” sexual do candidato deve ser propalada ou se tem importância é um estratagema velhaco para simplificar outras questões contundentes. As supostas relações afetivas entre Kassab e um secretário seu (insinuadas por muita gente séria), caso verdadeiras, possuem relevância política. Abordar esse detalhe espinhoso forçaria a uma passagem pelo tema do homossexualismo, independente de homofobias, mas o mito da intolerância petista surgiu milagrosamente para desviar as atenções.
O mesmo ocorreu quanto a aspectos mais alarmantes do ambiente sucessório. O imbróglio sexual foi superdimensionado pela militância kassabista porque todos se constrangem ao lembrar a biografia política do prefeito. E é impossível tratar como trivialidade a hipocrisia jornalística às vésperas das eleições que trarão Orestes Quércia e Paulo Maluf de volta à maior cidade do país.
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Luto feliz
Tem muita razão Antônio Mello em sua análise sobre o desfecho do sequestro em Santo André. A mídia serrista faz de tudo para abafar essa tragédia pessoal, provocada por absoluta incompetência das autoridades policiais. A ênfase na doação dos órgãos de Eloá transformou o episódio num conto de fadas otimista. Agora as atenções se voltam para o pai dela, cuja vilanização servirá para constrangê-lo a não criticar as autoridades estaduais. Se hoje a proteção a José Serra chega a tais níveis, como será em 2010?
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Aborto e Estado laico
Publicado na revista Caros Amigos, em outubro de 2008
O caminho para a necessária e inevitável descriminalização do aborto será pavimentado a partir das deliberações do Supremo Tribunal Federal sobre pesquisas com células-tronco e interrupção da gravidez de anencéfalos. Todos esses temas exigem uma determinação inequívoca do início da vida e de suas qualidades intrínsecas.
A instância máxima do Judiciário tem apresentado incômoda tendência legislatória, nascida na presunção da própria infalibilidade e na desmoralização do Congresso Nacional. Mas ainda assim o Tribunal parece o palco mais indicado para um debate que, envolvendo tamanha carga emocional, depende de conceitos médicos e jurídicos imunes à contaminação subjetiva.
É previsível que os conservadores ministros do STF entreguem-se a lucubrações teológicas e morais. Mas, ao contrário dos congressistas, eles não podem se esconder na ignorância ou na hipocrisia; têm a obrigação funcional de decidir com embasamento científico e respeito à secularidade das instituições republicanas. Cabe-lhes, portanto, impedir que o debate seja contaminado por interferências religiosas.
O passado tenebroso de torturas, mutilações e assassinatos cometidos em nome da fé, o apoio a nazistas e ditadores vários e a cumplicidade com a propagação da AIDS em regiões carentes desqualificam o discurso “pró-vida” das igrejas. A fachada humanitária dos defensores de embriões esconde uma obsolescência repressiva que se alimenta da penalização do prazer e da ingerência sobre o corpo do indivíduo.
No Brasil, os abortos clandestinos chegam a 1,5 milhão por ano (mais de dois por minuto), representando a primeira causa de óbito materno. É um problema sanitário gravíssimo, que será amenizado quando as políticas públicas visarem o benefício coletivo, acima de mistificações e preconceitos.
O caminho para a necessária e inevitável descriminalização do aborto será pavimentado a partir das deliberações do Supremo Tribunal Federal sobre pesquisas com células-tronco e interrupção da gravidez de anencéfalos. Todos esses temas exigem uma determinação inequívoca do início da vida e de suas qualidades intrínsecas.
A instância máxima do Judiciário tem apresentado incômoda tendência legislatória, nascida na presunção da própria infalibilidade e na desmoralização do Congresso Nacional. Mas ainda assim o Tribunal parece o palco mais indicado para um debate que, envolvendo tamanha carga emocional, depende de conceitos médicos e jurídicos imunes à contaminação subjetiva.
É previsível que os conservadores ministros do STF entreguem-se a lucubrações teológicas e morais. Mas, ao contrário dos congressistas, eles não podem se esconder na ignorância ou na hipocrisia; têm a obrigação funcional de decidir com embasamento científico e respeito à secularidade das instituições republicanas. Cabe-lhes, portanto, impedir que o debate seja contaminado por interferências religiosas.
O passado tenebroso de torturas, mutilações e assassinatos cometidos em nome da fé, o apoio a nazistas e ditadores vários e a cumplicidade com a propagação da AIDS em regiões carentes desqualificam o discurso “pró-vida” das igrejas. A fachada humanitária dos defensores de embriões esconde uma obsolescência repressiva que se alimenta da penalização do prazer e da ingerência sobre o corpo do indivíduo.
No Brasil, os abortos clandestinos chegam a 1,5 milhão por ano (mais de dois por minuto), representando a primeira causa de óbito materno. É um problema sanitário gravíssimo, que será amenizado quando as políticas públicas visarem o benefício coletivo, acima de mistificações e preconceitos.
domingo, 19 de outubro de 2008
Memória: Calligaris e a privacidade
"Não estamos falando apenas da divulgação do imposto de renda, mas inclusive com quem ele [político] transa. Isso interessa a todos a partir do momento que é candidato."
Contardo Calligaris, entrevista para a revista Imprensa, agosto de 2008.
"Para a maioria, menos desavisada do que parece, essas perguntas assinalam que as campanhas de Marta e de McCain estão dispostas a uma boa dose de indignidade moral para se manterem em vida."
Calligaris, Folha de São Paulo, 16 de outubro de 2008.
Contardo Calligaris, entrevista para a revista Imprensa, agosto de 2008.
"Para a maioria, menos desavisada do que parece, essas perguntas assinalam que as campanhas de Marta e de McCain estão dispostas a uma boa dose de indignidade moral para se manterem em vida."
Calligaris, Folha de São Paulo, 16 de outubro de 2008.
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Kassab é gay?
A indignação midiática sobre a pretensa homofobia da propaganda de Marta Suplicy tem a esperteza da marquetagem eleitoral. A provocação em torno da biografia de Gilberto Kassab foi reduzida à pergunta sobre seu estado civil e, por extensão, transformada em patrulha sexual. Os adversários de Kassab ganharam a pecha de homofóbicos e ele escapou de maiores esclarecimentos.
Mas, vítima das contradições da hipocrisia, a militância kassabista comete um deslize: foge da idéia de homossexualidade como se ela fosse motivo de vergonha para qualquer pessoa. Uma “insinuação maldosa”, segundo o próprio candidato.
Kassab é gay? Então, pelo bem da causa GLTB e da educação do eleitorado, ele deveria assumir-se publicamente. Kassab não é gay? Pois, caso tampouco seja homofóbico, tem a chance de proferir um belo discurso a favor da tolerância e passar por cima dessas trivialidades. Só não vale agir como se o tivessem chamado de ladrão.
Convém sempre desconfiar das intenções de quem tenta determinar o que é relevante numa disputa eleitoral. Esconde-se nessa atitude o germe do despotismo esclarecido, cuja versão modernizada gerou a paranóia politicamente correta. Quem decide a pauta da campanha é o eleitorado. Seu interesse em bobagens de alcova pode ser lamentado, mas nunca reprimido ou estigmatizado.
A falsa questão da homossexualidade ganhou importância por causa da reação esperta (e homofóbica) dos kassabistas. Se eles achassem o assunto realmente subalterno, não o utilizariam como peça de propaganda para vitimizar seu candidato. E se estivessem imbuídos de verdadeiro espírito democrático, não propagariam esse falacioso purismo do administrador técnico alheio a subjetividades e paixões. É óbvio que a “vida pessoal” do político interfere na sua rotina profissional. A preservação da intimidade não é prerrogativa daqueles que almejam a vida pública.
Quanto mais incômoda parece a transparência, mais necessária ela fica.
Mas, vítima das contradições da hipocrisia, a militância kassabista comete um deslize: foge da idéia de homossexualidade como se ela fosse motivo de vergonha para qualquer pessoa. Uma “insinuação maldosa”, segundo o próprio candidato.
Kassab é gay? Então, pelo bem da causa GLTB e da educação do eleitorado, ele deveria assumir-se publicamente. Kassab não é gay? Pois, caso tampouco seja homofóbico, tem a chance de proferir um belo discurso a favor da tolerância e passar por cima dessas trivialidades. Só não vale agir como se o tivessem chamado de ladrão.
Convém sempre desconfiar das intenções de quem tenta determinar o que é relevante numa disputa eleitoral. Esconde-se nessa atitude o germe do despotismo esclarecido, cuja versão modernizada gerou a paranóia politicamente correta. Quem decide a pauta da campanha é o eleitorado. Seu interesse em bobagens de alcova pode ser lamentado, mas nunca reprimido ou estigmatizado.
A falsa questão da homossexualidade ganhou importância por causa da reação esperta (e homofóbica) dos kassabistas. Se eles achassem o assunto realmente subalterno, não o utilizariam como peça de propaganda para vitimizar seu candidato. E se estivessem imbuídos de verdadeiro espírito democrático, não propagariam esse falacioso purismo do administrador técnico alheio a subjetividades e paixões. É óbvio que a “vida pessoal” do político interfere na sua rotina profissional. A preservação da intimidade não é prerrogativa daqueles que almejam a vida pública.
Quanto mais incômoda parece a transparência, mais necessária ela fica.
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
“Antes que o diabo saiba que você está morto”
A chegada de um novo filme de Sidney Lumet deveria ser comemorada em praça pública. Pois rejubilemo-nos: aos 84 anos, 51 de carreira, o mestre continua em forma.
Seria impossível realizar um apanhado responsável de sua carreira em poucas linhas. Basta dizer que “Doze homens e uma sentença” (1957) foi seu primeiro longa, seguido por dezenas de outros, incluindo “Serpico” (1973), “Um dia de cão” (1975), “Rede de intrigas” (1976), “Armadilha mortal”, “O Veredicto” (ambos de 1982) e assim vai.
Os maiores atores do pós-guerra trabalharam com ele: Henry Fonda, Katharine Hepburn, Marlon Brando, Sophia Loren, Sean Connery, Lauren Bacall, Al Pacino, Ingrid Bergman, Michael Caine, Paul Newman, Walter Matthau... a lista é interminável.
O que mais ressalta em Lumet é um profundo sentido de dignidade, que perpassa toda sua obra. Mesmo nos filmes mais evasivos há uma constante crítica de reflexão sobre a sociedade estadunidense e a condição humana. Os personagens são invariavelmente complexos; neles pulsa o germe da grandiosidade. Possuem uma nobreza atemporal que remete às tragédias gregas e ao teatro shakespeariano.
Clássico deslocado no tempo, Lumet transformou o mundo contemporâneo no palco dos dilemas que outrora escapavam ao cinema de entretenimento. Sim, porque é disso que se trata: Lumet não se envergonha de trabalhar no seio da indústria cultural, utilizando estrelas e padrões narrativos consagrados para veicular um discurso mais libertário do que o existente em muitos experimentalismos cosméticos.
“Antes que o diabo...” talvez seja seu filme mais amargo, e certamente é um dos mais cruéis já realizados. Pesado. Mas quisera Deus todos os dramalhões estadunidenses possuíssem esse rigor narrativo, esse domínio técnico, esse elenco soberbo. As atuações de Albert Finney e Philip Seymour Hoffman já entraram para qualquer antologia – como, aliás, sói acontecer com os atores dirigidos por Sidney Lumet.
Seria impossível realizar um apanhado responsável de sua carreira em poucas linhas. Basta dizer que “Doze homens e uma sentença” (1957) foi seu primeiro longa, seguido por dezenas de outros, incluindo “Serpico” (1973), “Um dia de cão” (1975), “Rede de intrigas” (1976), “Armadilha mortal”, “O Veredicto” (ambos de 1982) e assim vai.
Os maiores atores do pós-guerra trabalharam com ele: Henry Fonda, Katharine Hepburn, Marlon Brando, Sophia Loren, Sean Connery, Lauren Bacall, Al Pacino, Ingrid Bergman, Michael Caine, Paul Newman, Walter Matthau... a lista é interminável.
O que mais ressalta em Lumet é um profundo sentido de dignidade, que perpassa toda sua obra. Mesmo nos filmes mais evasivos há uma constante crítica de reflexão sobre a sociedade estadunidense e a condição humana. Os personagens são invariavelmente complexos; neles pulsa o germe da grandiosidade. Possuem uma nobreza atemporal que remete às tragédias gregas e ao teatro shakespeariano.
Clássico deslocado no tempo, Lumet transformou o mundo contemporâneo no palco dos dilemas que outrora escapavam ao cinema de entretenimento. Sim, porque é disso que se trata: Lumet não se envergonha de trabalhar no seio da indústria cultural, utilizando estrelas e padrões narrativos consagrados para veicular um discurso mais libertário do que o existente em muitos experimentalismos cosméticos.
“Antes que o diabo...” talvez seja seu filme mais amargo, e certamente é um dos mais cruéis já realizados. Pesado. Mas quisera Deus todos os dramalhões estadunidenses possuíssem esse rigor narrativo, esse domínio técnico, esse elenco soberbo. As atuações de Albert Finney e Philip Seymour Hoffman já entraram para qualquer antologia – como, aliás, sói acontecer com os atores dirigidos por Sidney Lumet.
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Futuro tenebroso para São Paulo
Os propagandistas de Gilberto Kassab tentam esvaziar os debates sobre a sucessão paulistana, alimentando a histeria antipetista e evitando temas incômodos. Mas a possível reeleição do prefeito acarretará conseqüências gravíssimas, que precisam ser denunciadas enquanto alguma reviravolta ainda parece viável.
Kassab é instrumento de um golpe eleitoral engendrado por José Serra. Em apenas dois anos, o governador apoderou-se de duas gigantescas máquinas administrativas, povoando-as de correligionários comprometidos com seu projeto presidencial. E esse delírio hegemônico, realizado com a truculência característica do personagem, tende a perpetuar-se para além de 2010.
Alguém ponderará que a manobra tem respaldo popular. Mentira: Serra está enganando os eleitores. Primeiro renunciou à Prefeitura, rompendo compromisso de campanha. Depois “permitiu” que seus protegidos tucanos trabalhassem para uma candidatura adversária. Agora, alia-se a inimigos históricos do próprio PSDB.
Cabe lembrar que o partido surgiu como repúdio à ascensão do quercismo, e desde sempre combateu os disparates malufistas. Seria inimaginável, por exemplo, ver Mário Covas ou Franco Montoro enlameados com Paulo Maluf, Celso Pitta e Orestes Quércia por simples conveniência eleitoral. A ressurreição desses entulhos políticos destrói a coerência programática e a identidade partidária que mal sobreviviam no PSDB.
Mas os neokassabistas não estão acostumados sequer à companhia do antigo PFL. Os militantes do PPS de Soninha Francine engasgam em malabarismos retóricos para explicar que o DEM, a Arena da ditadura, o PFL de ACM, transformou-se em direita ilustrada, dirigida por liberais honestos como Jorge Bornhausen e César Maia. O mesmo constrangimento leva à defesa da medíocre administração Kassab.
Aqueles que denunciaram a “ruína ética” do PT usam-na agora como justificativa para a própria desmoralização. Revitalizando a hipocrisia revanchista do movimento Cansei, querem substituir mensaleiros por reacionários usurpadores. Falso dilema. Não é necessário ser petista, aloprado ou barbudo para repelir os fantoches das hordas mais corruptas que já se locupletaram do erário paulista.
O voto anti-Marta pode ter hoje um agradável sabor de vingança contra o governo Lula e sua aprovação inédita. Mas, daqui a dois anos, o senador Quércia, a prefeita Alda e o governador Kassab darão a essa grande molecagem contornos muito sombrios.
Kassab é instrumento de um golpe eleitoral engendrado por José Serra. Em apenas dois anos, o governador apoderou-se de duas gigantescas máquinas administrativas, povoando-as de correligionários comprometidos com seu projeto presidencial. E esse delírio hegemônico, realizado com a truculência característica do personagem, tende a perpetuar-se para além de 2010.
Alguém ponderará que a manobra tem respaldo popular. Mentira: Serra está enganando os eleitores. Primeiro renunciou à Prefeitura, rompendo compromisso de campanha. Depois “permitiu” que seus protegidos tucanos trabalhassem para uma candidatura adversária. Agora, alia-se a inimigos históricos do próprio PSDB.
Cabe lembrar que o partido surgiu como repúdio à ascensão do quercismo, e desde sempre combateu os disparates malufistas. Seria inimaginável, por exemplo, ver Mário Covas ou Franco Montoro enlameados com Paulo Maluf, Celso Pitta e Orestes Quércia por simples conveniência eleitoral. A ressurreição desses entulhos políticos destrói a coerência programática e a identidade partidária que mal sobreviviam no PSDB.
Mas os neokassabistas não estão acostumados sequer à companhia do antigo PFL. Os militantes do PPS de Soninha Francine engasgam em malabarismos retóricos para explicar que o DEM, a Arena da ditadura, o PFL de ACM, transformou-se em direita ilustrada, dirigida por liberais honestos como Jorge Bornhausen e César Maia. O mesmo constrangimento leva à defesa da medíocre administração Kassab.
Aqueles que denunciaram a “ruína ética” do PT usam-na agora como justificativa para a própria desmoralização. Revitalizando a hipocrisia revanchista do movimento Cansei, querem substituir mensaleiros por reacionários usurpadores. Falso dilema. Não é necessário ser petista, aloprado ou barbudo para repelir os fantoches das hordas mais corruptas que já se locupletaram do erário paulista.
O voto anti-Marta pode ter hoje um agradável sabor de vingança contra o governo Lula e sua aprovação inédita. Mas, daqui a dois anos, o senador Quércia, a prefeita Alda e o governador Kassab darão a essa grande molecagem contornos muito sombrios.
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Cada um vê o que quer
Ainda transcorria a apuração dos votos e os comentaristas políticos se apressavam a divulgar suas análises sobre os pleitos municipais. A ideologia comandou o espetáculo. Entre achismos botequineiros e bravatas de militante, vale qualquer absurdo retórico para defender as próprias convicções.
As eleições não podiam ser federalizadas quando anunciavam um triunfo do governo Lula, mas agora podem sim, desde que evidenciem uma derrota do presidente. Derrota que, a propósito, depende de critérios muito maleáveis: afinal, o “vitorioso” PMDB pertence à base governista, ou apenas quando convém a seus detratores? É concebível um sistema político no qual oposição e situação perdem a mesma disputa?
Toneladas de porcaria tendenciosa será dita e escrita por esses politiqueiros dissimulados, até que o segundo turno permita uma avaliação criteriosa e definitiva sobre as eleições. Haja paciência.
As eleições não podiam ser federalizadas quando anunciavam um triunfo do governo Lula, mas agora podem sim, desde que evidenciem uma derrota do presidente. Derrota que, a propósito, depende de critérios muito maleáveis: afinal, o “vitorioso” PMDB pertence à base governista, ou apenas quando convém a seus detratores? É concebível um sistema político no qual oposição e situação perdem a mesma disputa?
Toneladas de porcaria tendenciosa será dita e escrita por esses politiqueiros dissimulados, até que o segundo turno permita uma avaliação criteriosa e definitiva sobre as eleições. Haja paciência.
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
O ano assassinado
Publicado na revista Caros Amigos em setembro de 2008
Os apologistas estão certos quanto à extensão da herança de 1968, mas em sentido inverso ao pretendido. Após quarenta anos de escaramuças e derrotas pontuais, a contra-revolução conservadora triunfou. Não que as conquistas de outrora tenham desaparecido; na superfície, elas engendraram transformações importantes. A essência da reação, contudo, pulsa nas entranhas da mentalidade hegemônica.
As utopias revolucionárias perderam sentido, na medida em que o ímpeto libertário da juventude foi absorvido pelas antigas estruturas produtivas, a ponto de se tornar indissociável delas. O mito da insurreição comunista deu lugar ao da humanização do capitalismo globalizado, pressupondo sua perpetuação. O sonho igualitário e anticonsumista virou clichê da indústria do entretenimento. O totalitarismo do politicamente correto anulou o poder da provocação e do escândalo. O hedonismo, símbolo da contracultura, tornou-se um sintoma de sociopatia e autodestruição.
A Europa das barricadas abraçou a xenofobia. A polarização da Guerra Fria deu lugar a um multilateralismo hipócrita, que tolera agressões injustificáveis contra nações soberanas e silencia diante de genocídios e torturas. As potências econômicas ignoram a fome planetária e o colapso ambiental, e não há mais protestos capazes de dissuadir seus governantes, protegidos e inflexíveis como nunca.
A materialização parcial das plataformas de 1968 conferiu reputação heróica a realizações que hoje, em retrospecto, parecem historicamente inevitáveis. Os anseios verdadeiramente transformadores restaram inofensivos, neutralizados por reformas cosméticas e travestidos com os relativismos da moda. A glorificação da época, restrita a caricaturas e à nostalgia comportada dos sobreviventes, alimenta e dissimula o predomínio do conservadorismo.
Os apologistas estão certos quanto à extensão da herança de 1968, mas em sentido inverso ao pretendido. Após quarenta anos de escaramuças e derrotas pontuais, a contra-revolução conservadora triunfou. Não que as conquistas de outrora tenham desaparecido; na superfície, elas engendraram transformações importantes. A essência da reação, contudo, pulsa nas entranhas da mentalidade hegemônica.
As utopias revolucionárias perderam sentido, na medida em que o ímpeto libertário da juventude foi absorvido pelas antigas estruturas produtivas, a ponto de se tornar indissociável delas. O mito da insurreição comunista deu lugar ao da humanização do capitalismo globalizado, pressupondo sua perpetuação. O sonho igualitário e anticonsumista virou clichê da indústria do entretenimento. O totalitarismo do politicamente correto anulou o poder da provocação e do escândalo. O hedonismo, símbolo da contracultura, tornou-se um sintoma de sociopatia e autodestruição.
A Europa das barricadas abraçou a xenofobia. A polarização da Guerra Fria deu lugar a um multilateralismo hipócrita, que tolera agressões injustificáveis contra nações soberanas e silencia diante de genocídios e torturas. As potências econômicas ignoram a fome planetária e o colapso ambiental, e não há mais protestos capazes de dissuadir seus governantes, protegidos e inflexíveis como nunca.
A materialização parcial das plataformas de 1968 conferiu reputação heróica a realizações que hoje, em retrospecto, parecem historicamente inevitáveis. Os anseios verdadeiramente transformadores restaram inofensivos, neutralizados por reformas cosméticas e travestidos com os relativismos da moda. A glorificação da época, restrita a caricaturas e à nostalgia comportada dos sobreviventes, alimenta e dissimula o predomínio do conservadorismo.
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Vice-debate
O histórico de presidentes democratas assassinados e a idade do candidato republicano conferiram importância inusitada ao debate de ontem, entre Joe Biden e Sarah Palin. Em outros países, o espetáculo seria bizarro demais para a exibição em larga escala – algo como um diálogo de aspirantes a miss.
A escolha de Palin como candidata a vice ajudou a campanha de John Mc Cain a desviar as discussões eleitorais para trivialidades subalternas da frugalidade política. No lugar dos problemas reais (guerras, crise econômica, violações a direitos humanos), surgiria uma personagem folhetinesca, construída a rigor para entreter as platéias até o momento do voto. No império do entretenimento, a transformação da personalidade em assunto é cíclica e autogeradora: a notícia vende apenas porque virou notícia, e assim por diante.
E quase deu certo. Por duas semanas, a cobertura jornalística foi pautada pela governadora inexpressiva, caipira e reacionária, com seus problemas familiares desimportantes e corriqueiros. A Cinderela da América profunda surgiu da neve para realizar-se na terra dos gigantes másculos, tornando-se, ela também, vítima de eventuais preconceitos (dividindo a vitimização antes monopolizada por Barack Obama).
Mas a estratégia ruiu, principalmente porque a crise econômica explodiu antes do previsto, forçando o governo Bush a engasgar em medidas impopulares e desajeitadas. Os congressistas negaram-se a consagrar qualquer candidato como o “Pai do Pacote” e o noticiário foi tomado pelo catastrofismo econômico.
Biden é fraco, mas não se compara à caricatural Palin, cria do extremismo religioso e do cinismo bélico da era Bush. Ela parece orgulhosa de sua mediocridade secretarial, cheia de piscadelas marotas e tiradas maliciosas, e assim torna-se ainda mais ridícula. Os ganhos midiáticos de sua indicação provavelmente foram anulados nessa tentativa de fingir-se digna e preparada.
Para usar metáfora compatível com os limites da governadora, ao arruinar as chances do casal McCain/Palin, a crise financeira transformou-se numa intervenção divina em prol da Humanidade. Aleluia!
A escolha de Palin como candidata a vice ajudou a campanha de John Mc Cain a desviar as discussões eleitorais para trivialidades subalternas da frugalidade política. No lugar dos problemas reais (guerras, crise econômica, violações a direitos humanos), surgiria uma personagem folhetinesca, construída a rigor para entreter as platéias até o momento do voto. No império do entretenimento, a transformação da personalidade em assunto é cíclica e autogeradora: a notícia vende apenas porque virou notícia, e assim por diante.
E quase deu certo. Por duas semanas, a cobertura jornalística foi pautada pela governadora inexpressiva, caipira e reacionária, com seus problemas familiares desimportantes e corriqueiros. A Cinderela da América profunda surgiu da neve para realizar-se na terra dos gigantes másculos, tornando-se, ela também, vítima de eventuais preconceitos (dividindo a vitimização antes monopolizada por Barack Obama).
Mas a estratégia ruiu, principalmente porque a crise econômica explodiu antes do previsto, forçando o governo Bush a engasgar em medidas impopulares e desajeitadas. Os congressistas negaram-se a consagrar qualquer candidato como o “Pai do Pacote” e o noticiário foi tomado pelo catastrofismo econômico.
Biden é fraco, mas não se compara à caricatural Palin, cria do extremismo religioso e do cinismo bélico da era Bush. Ela parece orgulhosa de sua mediocridade secretarial, cheia de piscadelas marotas e tiradas maliciosas, e assim torna-se ainda mais ridícula. Os ganhos midiáticos de sua indicação provavelmente foram anulados nessa tentativa de fingir-se digna e preparada.
Para usar metáfora compatível com os limites da governadora, ao arruinar as chances do casal McCain/Palin, a crise financeira transformou-se numa intervenção divina em prol da Humanidade. Aleluia!
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Desconstruindo o 11/9
A expressão “teoria conspiratória” é tendenciosa, pois traz embutida uma idéia de farsa e paranóia. Questionar versões oficiais não reflete uma patologia maníaca, mas apenas o exercício de um dever cívico e um direito inalienável. Cabe a governos e autoridades prestar toda e qualquer satisfação aos contribuintes, por mais tolas ou alucinadas que pareçam as suas dúvidas.
Sempre repudio explicações abraçadas pela mídia como se fossem obviedades indiscutíveis, especialmente aquelas que parecem perfeitas para os interesses hegemônicos. Assim nascem os dogmas.
Recentemente, encontrei um adesivo num pára-choque escrito “9/11 was an inside job”, em inglês “11 de setembro foi um serviço interno”, no sentido de que os autores dos atentados seriam estadunidenses, membros ou protegidos do governo George W. Bush. Procurando pela internet, assustei-me com a permanência do tema, a convicção dos céticos e a força de seus argumentos.
Jamais aceitei todas as teses oficiais sobre os ataques. Já na época salientei a absurda falha dos serviços secretos de todo o mundo, ao ignorar tamanha mobilização de terroristas, envolvendo quatro continentes. No mínimo houve uma sabotagem silenciosa contra o governo estadunidense, provavelmente com cumplicidade das agências de inteligência dos EUA (que, como se sabe, competem entre si).
Mas há inúmeros outros detalhes inexplicáveis no caso. A resistência do governo Bush a responder a algumas indagações rudimentares e a falta de transparência nas investigações levam à justa desconfiança de muitos. Mais do que nunca, é necessário questionar, refletir e ampliar o debate.
Um dos maiores divulgadores da tese do “inside job” é o professor Kevin Barrett, da Universidade de Winsconsin-Madison. Uma reportagem sobre suas idéias pode ser vista aqui. Ele também concedeu esta entrevista para o conservador canal Fox, na qual os âncoras tentam massacrá-lo.
Há uma profusão de páginas e vídeos sobre o assunto na rede. A principal parece ser a Share the Truth. O documentarista Dylan Avery dirigiu um ótimo longa-metragem, cuja versão em português encontra-se no Google e, em partes, no Youtube. Pode-se assisti-la também na tela abaixo.
Sempre repudio explicações abraçadas pela mídia como se fossem obviedades indiscutíveis, especialmente aquelas que parecem perfeitas para os interesses hegemônicos. Assim nascem os dogmas.
Recentemente, encontrei um adesivo num pára-choque escrito “9/11 was an inside job”, em inglês “11 de setembro foi um serviço interno”, no sentido de que os autores dos atentados seriam estadunidenses, membros ou protegidos do governo George W. Bush. Procurando pela internet, assustei-me com a permanência do tema, a convicção dos céticos e a força de seus argumentos.
Jamais aceitei todas as teses oficiais sobre os ataques. Já na época salientei a absurda falha dos serviços secretos de todo o mundo, ao ignorar tamanha mobilização de terroristas, envolvendo quatro continentes. No mínimo houve uma sabotagem silenciosa contra o governo estadunidense, provavelmente com cumplicidade das agências de inteligência dos EUA (que, como se sabe, competem entre si).
Mas há inúmeros outros detalhes inexplicáveis no caso. A resistência do governo Bush a responder a algumas indagações rudimentares e a falta de transparência nas investigações levam à justa desconfiança de muitos. Mais do que nunca, é necessário questionar, refletir e ampliar o debate.
Um dos maiores divulgadores da tese do “inside job” é o professor Kevin Barrett, da Universidade de Winsconsin-Madison. Uma reportagem sobre suas idéias pode ser vista aqui. Ele também concedeu esta entrevista para o conservador canal Fox, na qual os âncoras tentam massacrá-lo.
Há uma profusão de páginas e vídeos sobre o assunto na rede. A principal parece ser a Share the Truth. O documentarista Dylan Avery dirigiu um ótimo longa-metragem, cuja versão em português encontra-se no Google e, em partes, no Youtube. Pode-se assisti-la também na tela abaixo.
Assinar:
Postagens (Atom)
