quinta-feira, 14 de maio de 2009

Poesia na veia

A rotina é minha aliada fundamental para conciliar os projetos artísticos, as crônicas periódicas, este blog e as obrigações profissionais. Os livros só saem no já dilatado prazo de três ou quatro anos porque inventei uma disciplina diária, na qual me dedico algumas sagradas horas a qualquer atividade que remotamente possa levar, em médio prazo, a um objetivo editorial.
Como o processo criativo é extenuante, principalmente na interminável lapidação do texto, os intervalos entre publicações precisam garantir certa distância da ficção. É ocasião para leituras técnicas atrasadas, basicamente história e teoria, também sistematizadas, obedecendo a critérios cronológicos ou temáticos.
Depois recomeça a fase ficcional, consumindo uma pilha de títulos que aguardaram atenção durante os períodos anteriores (cá estou). Aos poucos as novas idéias afloram e surgem os primeiros esboços, que em meses o lunático transformará em labuta intensiva até completar outro ciclo.
Passei algum tempo sem mencionar literatura aqui porque, depois dos estudos científicos, decidi aprimorar alguns poemas antigos, inclusive os divulgados na página (“Inéditos”). Em breve estarão lá, sem qualquer ilusão de permanência, pois imagino que tudo será refeito e novamente lapidado em paranóias futuras.
Mergulhado, por necessidade e satisfação, no manancial poético alheio, deparei-me com criações especiais, que selecionei para compartilhar com os leitores deste espaço. As inserções, de periodicidade semanal (às sextas-feiras), revelarão algo da minha febre poética desses tempos. Oxalá incentivem outras leituras e reflexões proveitosas.

2 comentários:

Blog do Morani disse...

24/05/09

Senhor Scalzilli:

Aguardo o cumprimento de sua promessa de semanalmente - às sextas-feiras -, publicar poemas de terceiros em seu espaço, e outros de sua lavra poética.
É interessante como os escritores preparam seus originais previamente e, ainda, após prontos, vão lá revisá-los, corrigi-los e melhorar diálogos e situações, às quais transitam,intimamente, uma plêiade
de personagens. É como fazem os pintores: esboçam a obra sobre um fundo cuidadosamente preparado, cobrem o esboço à tinta, cor sépia, planejam aplicar assim ou assado cada camada de tinta, precisão ao modelado e eis a obra pronta, mas sujeita apenas a retoques finais.
O que acontece a mim é totalmente fora do normal e passa longe dos métodos comuns aos demais escritores apesar de não me considerar um. Estou romanceando a fundação da cidade de Bom Jardim, RJ. A história se passa aí pelos meados do Século XIX. Sabe como é o meu método? Já tenho, p.ex., uma situação, que só precisa de um corpo para se desenvolver; sento-me diante de meu monitor e me concentro. Basta digitar as primeiras linhas e toda a história, com seu enredo, paisagens e personagens, começa a surgir como num passe de mágica. Três a quatro meses depois tenho todo o romance finalizado. Situações e diálogos tomam corpo, com equilíbrio sequencial como se tudo passasse à frente de meus olhos não físicos, mas a uns profundamente somáticos. Não sou médium nem gênio, pois os gênios não existem, mesmo nas obras acabadas e aplaudidas pela crítica e pelos aficcionados. Sempre haverá mais e mais a alcançar, a vencer e a aprimorar. Para mim, não há obras-primas; há obras maravilhosas e conclusivas, em determinados momentos da criação.

Guilherme Scalzilli disse...

Olá Morani, entre os infinitos métodos criativos possíveis, o seu é certamente dos menos exaustivos ou traumáticos. Quem sabe um dia consigo reproduzir idéias com essa presteza, dominando os processos, prevendo e garantindo resultados...
Grande abraço do
Guilherme