Porta
dos Fundos
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sábado, 24 de setembro de 2016
terça-feira, 26 de janeiro de 2016
O Charlie merece a nossa incredulidade
Publicado no Observatório da Imprensa
A denúncia de que o governo dos EUA mentiu sobre o assassinato de Osama Bin Laden comprovou a necessidade de mantermos
cuidado especial com informações veiculadas em certos contextos dramáticos. Sob
a comoção provocada por ataques terroristas, essa cautela pode fornecer o único
antídoto contra radicalismos e xenofobias de toda espécie.
Um caso que ainda me parece desconfortável, no seu
triste aniversário, é o do tenebroso atentado contra o Charlie Hebdo.
As imagens do ataque imediatamente chamaram a
atenção para a eficácia dos matadores. Preparo, armamentos e estratégia lembraram
mercenários muito bem treinados. Os melhores serviços secretos do mundo não
fariam diferente.
Ao mesmo tempo, quase não houve semelhanças com
outras ações motivadas por fanatismo religioso. O anonimato e a fuga destoavam
da própria idéia de sacrifício ligada ao fenômeno. O silêncio inicial dos
grupos terroristas foi outra raridade.
Como sói acontecer nesses casos, as versões
oficiais não ajudaram. A identidade que o pistoleiro teria deixado no carro, os
fuzilamentos de suspeitos e a confissão a um canal televisivo soaram
convenientes demais para certos interesses poderosos.
Sob uma análise verdadeiramente crítica, não
permanece nebulosa apenas a organização do crime. Tudo que temos de fato são
pessoas mascaradas, a gravação de uma voz, as costumeiras biografias de
imigrantes sofridos.
Somos obrigados a aceitar as evidências, fortes e
coerentes demais para duvidarmos delas. Mas também precisamos lembrar que, numa
das muitas hipóteses possíveis, se os jovens mortos tivessem sido forçados a
assumir a autoria dos crimes, a narrativa disponível seria exatamente a mesma.
Manter algum ceticismo diante do episódio talvez não
leve a descobertas inovadoras, mas pelo menos preserva algo do espírito iconoclasta do próprio Charlie Hebdo. Pois, se algo unia seus colaboradores
chacinados, era a inabalável desconfiança perante discursos autorizados de
qualquer natureza.
O problema é perceber que as teorias conspiratórias amenizam quase nada as assustadoras explicações das
autoridades.
sexta-feira, 28 de agosto de 2015
sexta-feira, 13 de março de 2015
segunda-feira, 2 de março de 2015
Não em nome do Charlie Hebdo
Publicado no Observatório da Imprensa
Na disputa shakespeariana sobre ser ou não ser
Charlie, a tragédia em Paris serviu como reforço argumentativo para versões curiosas
da liberdade de expressão, convenientes a cada grupo ou setor produtivo. Depois
de tudo que se escreveu, resta a sensação de que esse conceito ficou ainda mais
fragilizado e inatingível.
Sempre haverá espaço para discutir se o conteúdo
veiculado pela publicação francesa abarca preconceitos religiosos. Mas nenhum
cartunista do mundo tem obrigação de agradar sensibilidades. A manifestação criativa, principalmente nos campos da ficção, do opinionismo e do humor, não
pertence à esfera polêmica. É soberana, imprescindível para a própria
existência de um debate acerca dos seus produtos.
A idéia de que os cartunistas se excediam, além de
admitir um inaceitável subtexto punitivo, implica o falacioso pressuposto de
que eles estariam sujeitos a certas barreiras de ordem moral. Esse equívoco
ajuda a contrabandear temas alheios à questão das liberdades individuais,
submetendo-a ao mesmo relativismo autoritário que embasa, por exemplo, o
cerceamento do dissenso político.
O uso impositivo da correção ideológica gera vias disfarçadas de arbítrio. Apesar dos jargões igualitários, as patrulhas
do bom gosto, da decência e do “respeito” exercem uma forma de censura equivalente
a qualquer outra. Deixam de valorizar as diferenças no momento em que estas se
tornam incômodas: a democracia é positiva, desde que suas consequências não me
desagradem.
Mas a responsabilização dos assassinados pelo
menos ajuda a marcar posições claras. Muito pior é a apropriação oportunista e
cínica do mote libertário. Alguns dos maiores inimigos da liberdade de
expressão, especialmente governos e corporações midiáticas, usam o massacre
para dissimular suas práticas coercitivas nas disputas que travam ao redor do
tema.
Entre os aliados póstumos das vítimas há pessoas
que defenderam a prisão do humorista francês Dieudonné. O veto a biografias não autorizadas. Os processos contra blogueiros que ridicularizaram o chefete da Rede Globo. A perseguição a quem ousa satirizar a sacrossanta Folha de São Paulo. A campanha contra o marco regulatório das
telecomunicações. A difamação impune de adversários eleitorais.
O extremismo islâmico serve como antípoda
legitimador dos interesses conservadores, tão hábeis em repetir discursos
democráticos quanto em sufocá-los. Isso explica a rápida apropriação simbólica
do massacre pelo mote institucional da “liberdade de imprensa”. O sentido
prático dessa liberdade fica para os tribunais determinarem.
Charlie Hebdo virou ao mesmo tempo bode expiatório
e mártir de uma cultura intolerante e repressiva que no fundo execra tudo que
os cartunistas representam.
sexta-feira, 28 de junho de 2013
No semáforo
Rapaz careca, de olhos congestionados, vestindo
andrajos, passeia de mão estendida por entre os carros. Ante a recusa do
motorista, com um ar de ironia, rebate:
– Ô, patrão, colabora. Eu podia estar protestando!
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
“Ted”
Comédia apelativa dirigida por Seth MacFarlaine, criador
do hilariante seriado de animação “Uma família da pesada”. Ele próprio dubla tanto
o urso do filme quanto alguns personagens do desenho, o que faz com que o bicho
soe às vezes feito Peter Griffin e o cachorro Brian. Mila Kunis, aliás, costuma
emprestar sua voz à garota Meg.
Não chega aos níveis mordazes da série, embora
mantenha o humor “politicamente incorreto” (desconfio desse rótulo para o caso),
cheio de alusões cinematográficas e musicais aos anos 80 e 90. Há uma
originalidade inegável nesse misto de auto-ironia e cinismo, de fábula
edificante e bestialidade, de subcultura nerd e crítica corrosiva ao moralismo
hegemônico da sociedade norte-americana.
Como acontece no desenho, apesar do recurso ao
grotesco, as pessoas da geração do diretor terão mais facilidade para entender
as referências. Infelizmente, usa pouco os impagáveis flashbacks que se
tornaram sua marca registrada, mas certas aparições de celebridades são quase
inacreditáveis.
Tem lá sua graça, muito por conta da fofura e da
simpatia do ursinho maconheiro. Mas imaginar Protógenes Queiroz assistindo ao
filme com o filho de onze anos deixa tudo verdadeiramente impagável.
sábado, 21 de abril de 2012
“O Pasquim: a Revolução pelo Cartum” – 4ª parte
Inexplicavelmente, a última parte do documentário teve a incorporação vetada pelo Youtube. Lá ainda é possível assisti-lo, através deste link.
1ª parte
2ª parte
3ª parte
1ª parte
2ª parte
3ª parte
sábado, 14 de abril de 2012
sábado, 7 de abril de 2012
sábado, 31 de março de 2012
sábado, 17 de março de 2012
Neil Gaiman, Adam Savage e Gollum
No famoso programa Wit, da rádio pública de Minnesota (EUA). Neil Gaiman é escritor e quadrinista consagrado ("Sandman"). Adam Savage (o Gollum) co-apresenta o programa MythBusters.
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Trato
São raras as homenagens ao grande Reynaldo Jardim que citam sua passagem pela revista Bundas. É um desrespeito à memória do poeta e uma demonstração de ignorância, pois a Bundas foi um marco do humor impresso nacional.
O pior de tudo é imaginar que a omissão tenha origem num pudor jeca, amedrontado com a perigosa sonoridade do título da revista. O mesmo tipo de medinho que levou um funcionário a vetar a publicação daquele texto meu sobre a GVT na página do Ministério da Cultura. Disse ele: “O MinC não publica comentários que possuam expressões de baixo calão.” A expressão a que ele se referia é “cocô”.
O pior de tudo é imaginar que a omissão tenha origem num pudor jeca, amedrontado com a perigosa sonoridade do título da revista. O mesmo tipo de medinho que levou um funcionário a vetar a publicação daquele texto meu sobre a GVT na página do Ministério da Cultura. Disse ele: “O MinC não publica comentários que possuam expressões de baixo calão.” A expressão a que ele se referia é “cocô”.
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
"Do que a gente tava falando mesmo?"
Comprar uma agenda. A lampadazinha da geladeira. Um isqueiro. Sarar. Pagar todas as malditas contas. Organizar os pensamentos. Recomeçar, recomeçar a começar, recomeçar a recomeçar. Pensar melhor essa história de blog, de literatura, de cinema, de saudade e esperança. Entender um pouco disso tudo. E esquecer em seguida.
Por enquanto, ouvir esta divertida entrevista do Angeli.
Por enquanto, ouvir esta divertida entrevista do Angeli.
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
sábado, 18 de dezembro de 2010
A série “Pantera Cor-de-Rosa”
Homenagem a Blake Edwards (1922-2010) e ao inigualável Peter Sellers (1925-80).
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