terça-feira, 2 de junho de 2009

A Folha apurou com quem?

Alguém faz papel de bobo: Kennedy Alencar, jornalista da Folha de São Paulo, ou os leitores que acreditam em suas afirmações. No dia 18 de maio, ele escreveu que “o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, aceitaria ser vice do colega paulista José Serra na eleição de 2010. Por ora, haverá negativas ao acerto, feito nos bastidores. A intenção é anunciá-lo em agosto ou setembro deste ano, eliminando as prévias” (linque para assinantes). Desde então, Aécio desmentiu publicamente o acordo e descartou qualquer possibilidade de composição com Serra.
O trecho selecionado acima demonstra um ardil muito comum no jornalismo político. Ao afirmar que o acerto será negado, Alencar livra-se de qualquer prejuízo (de uma forma ou outra, a matéria terá validade); e, escondendo-se no jargão “a Folha apurou”, joga a responsabilidade para um ente invisível que jamais conheceremos.
O fato cruel é que a notícia do (falso?) acordo só interessa a uma das partes envolvidas, justamente a dos apoiadores da candidatura Serra, que preferem uma escolha partidária sem realização de prévias (leia-se FHC e o PSDB paulista). O mineiro tem todos os motivos para condenar a criação de fatos consumados num ambiente de clara disputa interna, envolvendo grandes pretensões eleitorais e posições irredutíveis. Nesse ambiente conturbado, prevalece a famosa “lógica da cartomante”: nenhuma previsão erra; no máximo ela modifica o futuro. Em “agosto ou setembro”, ninguém lembrará que a árvore dos acontecimentos já foi a semente noticiosa de um jornal abertamente serrista.
Para benefício da própria credibilidade, Alencar deveria responder às negativas de Aécio revelando a origem de uma informação que o prejudica. Ficaria tudo mais transparente e, afinal, propriamente jornalístico.

3 comentários:

cappacete disse...

O Serra fez um ensaio fotográfico, para ver acesse : blogdocappacete.blogspot.com

jayme disse...

Mais ou menos como a capa da Carta Capital anunciando, como furo, a saída do presidente do Banco Central. Ao se confrontar com os fatos, a revista deu um "erramos" na linha de que não tinha dito que seria naquela semana, mas em alguma das semanas vindouras. Como Meirelles é mortal, a revista, de um jeito ou de outro, vai acertar.

Guilherme Scalzilli disse...

Jayme, a imprensa está cheia dessas sementes noticiosas. Se brotarem, confirmam o boato; caso contrário, alguém sempre poderá dizer que elas é que mudaram o curso dos acontecimentos. Entre o furo e a má-fé existe a membrana permeável da credibilidade. Depois eles reclamam dos blogs....
Abs
Guilherme