quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

A conveniência do erro


Num futuro distante, as arbitragens do futebol atual parecerão excrescências de tempos entrevados. Os jovens gargalharão, incrédulos, quando souberem que há recursos técnicos disponíveis para garantir a justiça dos resultados, mas as autoridades do esporte simplesmente preferem as decisões inapeláveis de três humanóides falíveis.

A maior incongruência de tolerar os equívocos dos juízes não se resume às justificativas toscas envolvendo a “emoção do espetáculo”. Absurdo ainda maior é saber que milhões de telespectadores acompanham imediatamente cada pequeno disparate, reconhecendo injustiças e logros, enquanto o universo paralelo das competições prossegue sua farsa escancarada e impune.

É inútil insistir na falácia do controle exercido pela imprensa, que continua omissa mesmo depois de episódios desmoralizantes como o de Edilson Pereira de Carvalho. Ninguém contabilizou os pênaltis marcados a favor do Vasco na série B de 2009, para ficar num exemplo recente e talvez menor de favorecimento. E a campanha contra jogos em altitude é exemplo dos limites da vontade polemizadora da crônica.

Abandonemos desde já a idéia de inchar a arbitragem. Bastaria disponibilizar imagens para verificação imediata pelo quarto árbitro, permitindo o recurso dos times que se sentirem lesados e a possibilidade de reverter decisões equivocadas.

Porém, como sempre, as mudanças só serão possíveis quando clubes e confederações poderosos descobrirem o fel do prejuízo irremediável. Cedo ou tarde, o errar humano deixará de lhes parecer tão interessante.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Fumaça oportunista


Publicado na revista Caros Amigos em dezembro de 2009.

Quando os partidos socialistas converteram-se em forças competitivas nas disputas políticas (não mais isolados e inofensivos graças a miopias dogmáticas), seus adversários impuseram-lhes a pecha do recuo ideológico, da negação de princípios. Assim, a chamada “crise das esquerdas” ganhou utilidade publicitária.

Mas ela possui uma face palpável. Com a experiência do poder, a esquerda perdeu monopólio sobre certas plataformas históricas. Enquanto a consolidação do capitalismo sufragista homogeneizava os velhos antagonismos retóricos, importantes demandas sobreviviam à alternância democrática, alcançando um estatuto suprapartidário e criando vácuos de representatividade. O discurso conservador tratou de preenchê-los, incorporando múltiplos itens de agendas alheias.

Desnecessário afirmar que ninguém dispõe de exclusividade natural sobre qualquer reivindicação justa. Mas tampouco ignoremos que o “neoprogressismo” disfarça a hipocrisia de agentes políticos convertidos a causas que sempre combateram. Com a característica malícia demagógica, eles souberam reconhecer avanços históricos inexoráveis, abandonando posturas retrógradas antes que virassem entulhos.

Um exemplo dessa metamorfose surgiu com Fernando Henrique Cardoso, que recentemente abraçou a defesa da descriminalização da maconha. Ele apenas repete uma obviedade professada há décadas por antigos rivais desacreditados, hoje consagrada como evolução jurídica inevitável por especialistas e governos de várias tendências – até os EUA revêem a estupidez repressiva que eles próprios fomentaram.

Cabe à esquerda evitar a armadilha de responder às apropriações combatendo seus objetivos finais, atrasando mudanças necessárias por causa de ressentimentos estranhos ao interesse público. Seria como pular para um navio a pique, apenas porque os piratas o abandonaram.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Os filmes de 2009


É impossível fazer um balanço a partir da gigantesca lista de lançamentos do ano. Distribuidores, circuito exibidor e tevês a cabo simplesmente ignoram a maior parte da produção não-estadunidense, como se ela não existisse, ou como se uns burocratas grosseirões soubessem onde queremos mergulhar nossas retinas cansadas.

O cinema descoberto em 2009 veio de anos passados, assim como o cinema realizado em 2009 apenas será conhecido aos poucos, nos anos vindouros. Faltou conhecer “Anticristo”, “Avatar”, “Budapeste”, “É proibido fumar”, “Jean Charles”, “Atividade paranormal”, “A teta assustada”, “A fita branca”, “Aconteceu em Woodstock” e por aí vai. Abordei aqui “Foi apenas um sonho”, “Árido movie”, “Amantes”, “Gamer”, “Che” e “Bastardos inglórios”, mas este se revela um apanhado extremamente restrito de todo o cinema consumido, quase diariamente, em doze meses de poltrona.

Algumas surpresas positivas, que a preguiça ou o esquecimento me impediram de mencionar: “Deixa ela entrar” (Tomas Alfredson), “Revanche” (Götz Spielmann), “Feliz Natal” (Selton Mello), “O Lutador” (Darren Aronofsky), “Gran Torino” (Clint Eastwood), “Milk” (Gus Van Sant), entre outros. No calor do momento, fica a impressão de que vivemos tempos particularmente profícuos para a cultura cinematográfica. Mesmo considerando a quantidade de porcarias caça-níqueis, é um ambiente alvissareiro que não percebíamos há pouco.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Réquiem para Copenhague


Publicado no Amálgama, em 15 de dezembro.

Terão esses jovens privilegiados uma vaga idéia de quão genérica, imponderável e distante é a plataforma pela qual se mobilizam ferozmente? Saberão que fazem parte de uma encenação cujos antagonistas, estranhamente complementares, servem apenas para conferir estatuto oficioso aos tradicionais documentos inofensivos, com os mesmos compromissos vagos?

Não se trata de menosprezar um problema escancaradamente grave e ameaçador. Mas a intransigência unidimensional do discurso ambientalista, que vê interesses corporativos em qualquer questionamento, provoca uma reação contrária de ceticismo. Parece fácil demais assimilar esse fatalismo apocalíptico de causas difusas e responsabilidades generalizadas, tão adequado a tempos conservadores e cínicos. A era da ditadura da longevidade encontrou sua pregação messiânica de apelo coletivo.

Mesmo leigos, percebemos que há muitas lacunas técnicas nas previsões do aquecimento global. Os enormes custos sociais e econômicos envolvidos na sua prevenção (e não apenas para os países emergentes) são sistematicamente desprezados. Ninguém tampouco menciona o poderosíssimo lobby ávido pelos dividendos resultantes do mercado de carbono e de novas fontes energéticas. Ou Al Gore trabalha de graça?

A abrangência planetária do problema dissimula sua responsabilidade localizada em alguns poucos países industrializados, que dão bananas para o que pode acontecer a uma ilha no Pacífico. Acontece que são também as maiores potências geopolíticas deste mundinho doente, e é preciso um fabuloso otimismo para acreditar que, podendo sanar tantos absurdos cotidianos perpetrados contra a Humanidade, elas escolham justamente uma causa remota e onerosa para inaugurar sua solidariedade.

Talvez o cidadão de classe média sinta conforto espiritual em tomar banhos curtos, separar lixo nos recipientes do condomínio ou o que mais acredite (às vezes ilusoriamente) servir para amenizar danos ambientais. Mas os esforços de uma vida inteira são ridiculamente inúteis comparados com o malefício causado em algumas horas por aquela fábrica poluidora que ignoramos no caminho de casa.

É preciso estabelecer de uma vez por todas que as soluções relevantes passam exclusivamente por ações governamentais, ou seja, dependem de legitimidade popular. Isso significa, em contexto democrático, respaldo eleitoral. Já que não convém manchar o salvacionismo climático de veleidades autoritárias, seria interessante verificar se as pessoas realmente concordam em sacrificar prioridades urgentes em benefício de um futuro já bastante incerto, com ou sem calotas polares.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Banânias: o apaguinho alheio


Em breve as menções ao “caos aéreo” brasileiro ressurgirão no noticiário. Veremos famílias dormindo sobre malas, imensas filas para check-in, indignação com vôos cancelados e férias arruinadas. Tudo parecerá coisa típica de botocudo atrasado.

O público local não sabe, porque a imprensa esconde o fato, mas é exatamente esse clima de colapso que se observa nas estações do Eurostar (trem que liga Inglaterra e França) e nos grandes aeroportos dos EUA e da Europa. Igualzinho ao nosso “apagão”, inclusive com os funcionários grosseiros, a desinformação e os prejuízos à clientela.

Mas, claro, assim como o PSDB tem as chuvas, o Primeiro Mundo pode culpar a neve, as festas, o frio misterioso que paralisa trens de última geração.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

O teto de Serra


As pesquisas demonstram que a pré-campanha de José Serra possui um limite de crescimento que oscila entre 32 e 37 pontos, atingindo 40 com otimismo. Considerando a curva ascendente de Dilma Rousseff (que não parou de crescer durante o ano e ainda apresenta margem para avanços), petistas mais animados poderiam até projetar um empate com Serra no início da campanha oficial.

A simples menção dessa possibilidade pode estraçalhar o projeto eleitoral tucano. Eis porque o Datafolha evita apresentar os resultados em ilustrações de gráficos, limitando-se às barras e números brutos. “Cenários diferentes” uma ova.

É mentira que a presença de Ciro Gomes ajuda os planos petistas. Em nenhuma hipótese existe qualquer projeção de vitória no primeiro turno, considerada a margem de erro (há meses as pesquisas apontam o fato). Certos analistas insistem em valorizar a candidatura presidencial do deputado porque, na sucessão paulista, ele poderia ameaçar a hegemonia do PSDB, afundando as pretensões nacionais de José Serra.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

A Confecom é um começo


A primeira Conferência Nacional de Comunicação venceu as limitações originais e terminou como exemplo histórico de democracia participativa. Foi um marcante revés para os setores da sociedade que se locupletam do eterno colapso de representatividade política, origem de monopólios e privilégios em qualquer área.

As grandes empresas jornalísticas boicotaram o evento, demonstrando que seu conceito de liberdade equivale a um monólogo sem discordantes, à concessão de bens públicos isenta de contrapartidas. E se pensavam que sua ausência afetaria a legitimidade dos debates, devem estar decepcionadas.

Mas parece prudente evitar regozijo demasiado. O documento elaborado pela Confecom servirá apenas como base hipotética e parcial para medidas legislativas. Nem todas as mais de 600 propostas resultantes são plausíveis ou positivas (por exemplo, a exigência de diploma jornalístico). É impossível que o Congresso atual aprove um emaranhado de mudanças drásticas em ano eleitoral. E é improvável que qualquer legislatura contrarie o poderosíssimo lobby da indústria midiática.

O tempo das evoluções é longo. Se, daqui a dois ou três anos, um pequeno conjunto de idéias se transformar em modesta lei que demorará mais uma década para ser cumprida, já teremos avançado muito. Fica, no entanto, o símbolo do poder transformador da mobilização popular. Alguns o vêem como ameaça: pior para eles.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Me poupa, governador


Os usuários do Poupatempo recebem uma carta-resposta da Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo, a famosa Prodesp. É uma pesquisa de satisfação com o serviço.

No cabeçalho da página, há um texto “assinado” por José Serra. Trecho: “os postos com avaliações insatisfatórias terão de modificar sua forma de funcionamento para melhorar a qualidade e atuar dentro do Padrão Poupatempo de Atendimento”.

Prezado governador, o senhor parece mal informado, pois esse tal “padrão” já caducou. O Poupatempo está saturado há anos, reduzido a uma repartição que cobra caro para tratar mal o contribuinte e atrasar sua vida (aliás, já não pagamos por isso em tributos diversos?).

A propaganda eleitoral de Serra, disfarçada de “pesquisa”, demonstra que alguém no Bandeirantes está ciente desses problemas. E também que as prioridades do tucano são outras.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Os limites da imprensa


Comentaristas reclamam que o STF utilizou minúcia processual para derrubar o recurso do Estadão. Pois bem-vindos ao mundo real, colegas: aqui fora, nos corredores do Judiciário putrefeito, o cidadão comum amarga prejuízos incalculáveis por causa de filigranas técnicas, mesmo quando seus direitos são violentados.

Ninguém parece interessado em lembrar que a tal proibição se refere a divulgar interceptações telefônicas e informações protegidas pelo segredo de Justiça. A esperta insistência em qualificar o caso como “censura” tenta transformar o jornal em vítima de um arbítrio e sua causa num assunto de interesse coletivo. Não é bem assim.

Desde quando a imprensa está imune ao controle das instituições republicanas? Que Superpoder é esse que opera segundo as próprias regras? Soa absurdamente cômodo querer que as eventuais reparações judiciais sejam estabelecidas depois que o dano estiver materializado, talvez de maneira irremediável. Como indenizar uma reputação destruída? Uma eleição manipulada?

Fica fácil também cair no joguinho do antipeemedebismo de conveniência (como se o Estadão tivesse apenas bons propósitos). As “prerrogativas constitucionais” das famílias políticas paulistanas são preservadas com muito menos sacrifício.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

“One world”


Lançado em 1971, é o quarto álbum da banda Rare Earth, que ganhou notoriedade ao integrar a gravadora Motown, de Detroit (EUA), para tocar “música negra” apenas com músicos brancos. Teve grande sucesso até meados da década, caindo em gradativo ostracismo. Os velhinhos continuam em atividade.

“I just want to celebrate” encerra o lado A.



sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Mande seu recado para a ABPTA


A Associação Brasileira dos Programadores de TV por Assinatura inventou um abaixo-assinado para combater o Projeto de Lei 29/2007, que foi mencionado aqui. É pressão para manter os privilégios absurdos das operadoras, que cobram mensalidades abusivas e ignoram os direitos dos clientes. Liberdade, para esses tungadores, é forçar os incautos a pagar por canais indesejáveis, em pacotes fechados e imutáveis.

Na página do lobby, o espaço para assinaturas permite manifestações curtas de repúdio à ABPTA. É possível digitar ali frases como “Diga não à venda casada” ou “As TVs violam os direitos do consumidor”. Já inseri minhas humildes colaborações.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

“Sai daí, Zé!”


Chega a ser divertido acompanhar o constrangimento da imprensa oposicionista na cobertura dos mensalões demo-tucanos. Cada novidade é acompanhada de menções aos escândalos petistas, como se todos os episódios fossem equivalentes em natureza e gravidade.

José Roberto Arruda, figura manjadíssima desde os tempos de líder do governo FHC no Congresso (ohhh!!!), será sacrificado em cerimônia pomposa, purificadora, assim que as atenções começarem a debandar para cima de seu xará poderoso. E é sempre bom lembrar que a trilha que une os Josés não passa apenas pelo prefeito Gilberto Kassab.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Ainda a culpa da chuva


Impossível não relembrar um texto recente sobre o despreparo de São Paulo para enfrentar os percalços mais rudimentares. Chama-se "Culpa da chuva" e também pode ser acessado na aba do tema "Cidades".

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Urubu azarão


O título do Flamengo foi provavelmente a melhor solução, dentre as possíveis, para o Campeonato Brasileiro. A crônica futebolista terminou desmoralizada, após defender favoritismos enganadores durante o ano todo. O fracasso de treinadores célebres e supervalorizados, como Vanderlei Luxemburgo e Muricy Ramalho, demonstrou que a descortesia e a arrogância não ganham jogos.

Agora, como sempre, tudo parece comprovar o sucesso dos pontos corridos, esta enorme falácia do podre mundo ludopédico. Poucos admitem, porém, que o triunfo rubro-negro (penta, insisto) contraria toda a cartilha da “regularidade” e da “competência” que parece associada ao modelo.

Venceu um time fraco, montado às pressas, dirigido por técnico inexperiente, numa campanha irregular, com o clube em permanente crise, cercado de problemas financeiros e administrativos. Até outro dia, os comentaristas das capitais diziam que esse era um exemplo típico das injustiças do sistema com jogos eliminatórios e finais.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

César Benjamin é apenas um sintoma


Participei do repúdio à “Ditabranda”, mas não fui ao protesto contra o artigo de César Benjamin. Acho que a celeuma lhe conferiu visibilidade desnecessária e alimentou uma ilusória vocação “polemista” da Folha.

É incrível que o jornal tenha descido a esse nível de vulgaridade. Há alguns anos, seria inimaginável que qualquer veículo publicasse um texto acusando o presidente da República de querer sodomizar alguém na cadeia (tecnicamente, “atentado violento ao pudor”), apenas porque um colunista obscuro decidiu combater a popularidade do mandatário.

Parece fácil, para Antonio Cicero e outros, defender essa liberdade opinativa de mão única. Mas ninguém consegue explicar por que nenhum governo jamais foi atacado de maneira tão grosseira, descarada e inescrupulosa. De erro em erro, a cada suposto “deslize” porcamente corrigido, constrói-se a metodologia difamatória que está reduzindo o jornalismo brasileiro ao achaque ideológico.

A truanice de Benjamin é exemplo menor, infantil até, de uma tendência que teve episódios muito mais graves e conseqüentes. Mas ela serve como anúncio do que nos aguarda nas batalhas eleitorais vindouras.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Croquete de Nelson Hubner


O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica escaparia da fritura se recusasse o constrangedor papel de vilão de novela mexicana que inventaram para ele. Até os parafusos das rotativas da Folha da Manhã sabem que a cobrança indevida das tarifas é obra dos responsáveis pelas privatizações no setor, realizadas no governo FHC.

Os jornalistas fingem que são imbecis porque pega mal chafurdar nessa lama em pleno ano eleitoral. Então trituram um burocrata indefeso até saciar a fome da platéia. E dormem todos tranqüilos.

Hubner deve copiar a estratégia agressiva que utilizam contra ele. Primeiro, diz à mídia que vai cumprir todas as exigências da CPI, desde que os responsáveis pelo golpe sejam identificados e punidos. Em seguida, mobilizando o setor jurídico do Ministério de Minas e Energia, recorre à Lei de Responsabilidade Fiscal (e a quantas outras houver) para cobrar o rombo dos privatas.

Não que o Judiciário fosse bulir em tamanho vespeiro, e o escárnio das redações seria inevitável. Mas alguém precisa começar a dizer verdades antes que a repetição de bobagens nos convença de que servidores devem ser exonerados porque respeitaram contratos.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Capivara gigante


Os veículos de comunicação ganharam uma ótima oportunidade para provar aos céticos que as acusações de golpismo eram exageradas. Basta dedicar à oposição a mesma virulência investigativa (e amiúde caluniosa) que reservou aos petistas nos idos de 2005.

O noticiário oferece três “mensalões” muito promissores, cheios de novidades inexploradas, que compartilham entre si, no mínimo, as tendências políticas de seus protagonistas: o de Eduardo Azeredo (PSDB), o da Camargo Corrêa e o do governador José Roberto Arruda.

Somando todos os esqueletos, constrói-se um enorme ossário com as cúpulas do PSDB e do DEM (PFL), uns pedaços de peemedebistas e tutano dos governos FHC para salgar o caldo. Se os escandólatras da imprensa democrática usarem seu espírito investigativo para expor os Freuds Godoys do momento, operam a grande revolução moralizante que tanto defenderam em seus editoriais inflamados.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O golpe era esse mesmo



Sabíamos desde o começo que as turbulências em Honduras terminariam nessa farsa eleitoral, com presença de metade da população e a legitimação fraudulenta dos golpistas. Tudo seguiu mais ou menos o Decálogo do Golpe Moderno, com alguns escorregões pela caricatura bananeira. O envio do presidente a uma base dos EUA, seqüestrado de pijamas, convenhamos, é coisa que não se via há tempos.

Que fique registrado para a posteridade: em plena alvorada do século 21, o presidente dos EUA, prêmio Nobel da Paz, endossou um golpe de Estado na América Central. Será útil não perder de vista que a grande imprensa brasileira também apoiou o golpe, com base em falsificações factuais e rancores ideológicos.