
Num futuro distante, as arbitragens do futebol atual parecerão excrescências de tempos entrevados. Os jovens gargalharão, incrédulos, quando souberem que há recursos técnicos disponíveis para garantir a justiça dos resultados, mas as autoridades do esporte simplesmente preferem as decisões inapeláveis de três humanóides falíveis.
A maior incongruência de tolerar os equívocos dos juízes não se resume às justificativas toscas envolvendo a “emoção do espetáculo”. Absurdo ainda maior é saber que milhões de telespectadores acompanham imediatamente cada pequeno disparate, reconhecendo injustiças e logros, enquanto o universo paralelo das competições prossegue sua farsa escancarada e impune.
É inútil insistir na falácia do controle exercido pela imprensa, que continua omissa mesmo depois de episódios desmoralizantes como o de Edilson Pereira de Carvalho. Ninguém contabilizou os pênaltis marcados a favor do Vasco na série B de 2009, para ficar num exemplo recente e talvez menor de favorecimento. E a campanha contra jogos em altitude é exemplo dos limites da vontade polemizadora da crônica.
Abandonemos desde já a idéia de inchar a arbitragem. Bastaria disponibilizar imagens para verificação imediata pelo quarto árbitro, permitindo o recurso dos times que se sentirem lesados e a possibilidade de reverter decisões equivocadas.
Porém, como sempre, as mudanças só serão possíveis quando clubes e confederações poderosos descobrirem o fel do prejuízo irremediável. Cedo ou tarde, o errar humano deixará de lhes parecer tão interessante.
















