quinta-feira, 2 de julho de 2009

Pérolas do juridiquês moderno

Escreve o advogado de um grande banco nacional, apelando de decisão em processo de cobrança perdido pela instituição em primeira instância (não é piada, embora pareça):

“Em que pese o inconformismo do queixoso, bem como seu direito constitucionalmente garantido de acesso ao Poder Judiciário para que, através do ‘conjunto de atos concatenados que visam a solução de uma lide posta à apreciação do Estado-Juiz’", conforme leciona o professor TOURINHO, venha a ter sua teratológica ‘causa pretendi’ satisfeita, por um decreto condenatório prolatado em um r. ‘decisum’ terminativo negativo ao banco contestante, a presente ação não merece, sequer prosperar, haja vista a ausência de elementos fáticos e jurídicos que o fato apontado apresenta, bem como por estar baseada em alegações estéreis, cuja responsabilidade do contestante, bem como existência de dano, ou ainda ilicitude nascitura de ato deste, encontram fulcro apenas na ‘ens imaginationis’ do requerente que, ‘permissa venia’, está ‘ab absurdo’.”

5 comentários:

FELIPE DRUMOND disse...

Pois é Guilherme, eu, que vivo neste mundo, já vi muito piores.
Mas acho que o maior problema nesse excerto de texto não é só o juridiquês, mas a absoluta falta de "pontos finais" e, por consequência, frases absolutamente longas. Acaba ficando um texto chato de ler mesmo para quem entende o vocabulário. Chato e quase incompreensível, haja vista o excesso de vírgulas em uma mesma frase.
Esse advogado está merecendo um curso de redação!

Carneiro disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Carneiro disse...

Não vivo nesse meio. Muito pelo contrário, não conheço nada de 'jurisdiquês'. Mas não seria uma forma de confundir a cabeça dos envolvidos ao tomarem as decisões finais?

@LuaHori disse...

Ahhhhh, gente, o menino comprou um dicionário novo e queria usar! Que censura é essa?

José Antonio Magalhães disse...

Eu, embora há pouco tempo no meio, também me impressiono com o papel ridículo que os advogados, e outros seres jurídicos, conseguem fazer.

A linguágem rebuscada, ao invés de um instrumento, se torna um fim, só atrapalha o conteúdo, que fica em último plano.

Pelo menos torna meu trabalho bem mais engraçado.